AREsp 2405463 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque as matérias invocadas não foram prequestionadas pelo Tribunal de origem, incidindo o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF, e porque havia fundamento autônomo e suficiente (necessidade de cancelamento das notas fiscais em sede própria) não impugnado...
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- Parties
- Agravante: SEBASTIAO LUIZ BRANDAO FILHO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Conheceu Do Agravo E Negou Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial; majoraram-se os honorários advocatícios da parte recorrida.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Inadmissão De Recurso Especial, Ônus Da Prova, Nulidade De Negócio Jurídico, Nota Fiscal, Crime Fiscal, Sonegação Fiscal, Honorários Advocatícios
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Parties
SEBASTIAO LUIZ BRANDAO FILHO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Conheceu Do Agravo E Negou Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada violação dos arts. 370 e 373, § 1º, do CPC/2015
- 2 alegada violação do art. 167 § 1º do Código Civil/2002
- 3 necessidade de produção de prova e inversion do ônus da prova
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque as matérias invocadas não foram prequestionadas pelo Tribunal de origem, incidindo o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF, e porque havia fundamento autônomo e suficiente (necessidade de cancelamento das notas fiscais em sede própria) não impugnado pelo recorrente, nos termos da Súmula 283/STF; assim, o recurso especial mostrou-se inadmissível. Além disso, majoraram-se os honorários advocatícios com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial; majoraram-se os honorários advocatícios da parte recorrida.
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios devidos à parte recorrida de 15% para 16% sobre o valor da causa, ressalvada a concessão de justiça gratuita.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por SEBASTIAO LUIZ BRANDAO FILHO em face de decisão que inadmitiu recurso especial fundado no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra v. acórdão do Eg. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, assim ementado: "EMENTA: AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO C/C REPARAÇÃO CIVIL - NOTA FISCAL DE SAÍDA - TRANSAÇÃO SUBJACENTE NEGADA PELO EMITENTE - CANCELAMENTO DO TÍTULO - NÃO DEMONSTRAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE NEGÓCIO JURÍDICO FIRMADO ENTRE AS PARTES - CRIME FISCAL - INVESTIGAÇÃO DEFLAGRADA PELA RECEITA FEDERAL - RECEBEDORA FINAL - PARTICIPAÇÃO NA FRAUDE - NÃO COMPROVAÇÃO. 1 - O não acolhimento do pedido declaratório é medida de rigor, quando a transação que se pretende declarar nula não restar discriminada na nota fiscal, cuja regularidade é alvo de impugnação pelo emitente formal da cártula. 2 - A ausência de comprovação da participação, em crime de sonegação fiscal, da destinatária final dos produtos discriminados em nota fiscal, cujo emitente diz representar transação por ele não concretizada, portanto produzida sob fraude, conduz ao não acolhimento da pretensão de reparação civil." (fl. 201). Nas razões do recurso especial, a parte ora agravante aponta violação dos arts. 370 e 373, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e art. 167 § 1º, do Código Civil de 2002; sustentando, em síntese, (a) a necessidade de realização de instrução processual adequada, com a inversão do ônus da prova; e (b) "ao dispor expressamente que existam fortes indícios de que o Recorrente foi vítima de fraude, o Tribunal a quo reconheceu que as provas documentais produzidas nos autos levam a crer que o vínculo jurídico existente entre as partes não decorre de negócios regulares, de forma que, ao julgar improcedente o pedido de declaração de nulidade das notas fiscais, mesmo existindo dúvidas acerca de sua legitimidade, os Julgadores assumiram o risco e permitiram que tais documentos continuassem produzindo efeitos no plano jurídico. (..) Deste modo, ao reconhecer que existem fortes indícios de que o Recorrente foi vítima de fraude, e mesmo assim manter como válidos os negócios jurídicos que, apesar de terem sido, aparentemente, celebrados de forma normal, não pretendem atingir os efeitos que juridicamente deveriam produzir, o douto Juízo a quo violou o disposto pelo artigo 167, §1º, incisos I e II, do Código Civil." (fl. 217). Não foram aapresentadas contrarrazões ao apelo nobre (certidão de fl. 245). É o relatório. Quanto à alegada violação do art. 370 e 373, § 1º, do CPC/15, verifica-se que o conteúdo normativo dos artigos invocados, ou seja, a necessidade de realização de instrução processual adequada, com a inversão do ônus da prova; não foi apreciado pelo eg. Tribunal de origem, tampouco foram opostos embargos declaratórios para sanar eventual omissão, no tocante à matéria de tal dispositivo. Dessa forma, à falta do indispensável prequestionamento, incide, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. Lado outro, o Sodalício Estadual registra que "As notas fiscais de saída são de responsabilidade do Apelante, impondo-se ressaltar que seu cancelamento deve ser realizado em sede própria, não coincidente com a via eleita." (fl. 206). Contudo, tal fundamento, autônomo e suficiente à manutenção do v. acórdão recorrido, ou seja, o cancelamento das notas fiscais deve ser realizado em sede própria, não coincidente com a via eleita; não foi devidamente impugnado pela parte recorrente, convocando, na hipótese, a incidência da Súmula 283/STF, segundo a qual "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Com supedâneo no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro os honorários advocatícios devidos à parte recorrida de 15% para 16% sobre o valor da causa (fl. 207), ressalvada a concessão de justiça gratuita. Publique-se. EMENTA