AREsp 2450932 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a decisão de inadmissibilidade do recurso especial havia sido publicada após a vigência do CPC/2015 e assentou-se na conformidade com tese firmada em recurso repetitivo, impondo, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, o manejo de agravo interno, de modo que a interposição do...
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- Parties
- Agravante: EDVANIA SILVA SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042 Do Cpc/2015) / Decisão Sobre Agravo Interposto Contra Inadmissão De Recurso Especial
- Outcome
- agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Inadmissibilidade Recursal, Recurso Repetitivo, Capitalização De Juros, Súmulas 5 E 7/stj, Honorários Sucumbenciais
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Parties
EDVANIA SILVA SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042 Do Cpc/2015) / Decisão Sobre Agravo Interposto Contra Inadmissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 cabimento de agravo em recurso especial contra decisão que nega seguimento por aplicação de entendimento consagrado em recurso repetitivo
- 2 necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissão (art. 932, III, CPC/2015)
- 3 suficiência da previsão contratual de taxa anual superior ao duodécuplo da mensal para autorizar capitalização de juros
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a decisão de inadmissibilidade do recurso especial havia sido publicada após a vigência do CPC/2015 e assentou-se na conformidade com tese firmada em recurso repetitivo, impondo, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, o manejo de agravo interno, de modo que a interposição do agravo previsto no art. 1.042 do CPC/2015 constituiu erro grosseiro; adicionalmente, a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos que ensejaram a inadmissão (art. 932, III, CPC/2015), razão pela qual o recurso não comportou conhecimento; por fim, majoraram-se os honorários sucumbenciais para 17% do valor da causa com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- majoram-se os honorários sucumbenciais para 17% do valor da causa em favor da parte recorrida, observadas as regras da gratuidade de justiça
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC/15) interposto por EDVANIA SILVA SANTOS em face da decisão acostada às fls. 217-221 e-STJ, que, em juízo prévio de admissibilidade, inadmitiu o recurso especial manejado pelo ora agravante. O apelo extremo, fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, fora deduzido em desafio ao acórdão de fls. 178-179 e-STJ, proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO - CAPITALIZAÇÃO MENSAL DOS JUROS - POSSIBILIDADE DA UTILIZAÇÃO DE JUROS CAPITALIZADOS MENSALMENTE, DESDE QUE EXPRESSAMENTE PACTUADO - SÚMULA 539 E 541 DO STJ - RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO - DECISÃO UNÂNIME. Opostos embargos declaratórios, restaram desacolhidos na origem (fls. 186-187 e-STJ). Nas razões de recurso especial (fls. 191-201 e-STJ), alegou a insurgente que o acórdão recorrido violou o artigo 5º da MP 2.170-36/2001, aduzindo a impossibilidade de capitalização de juros pois não foi expressamente pactuada, sendo insuficiente a mera previsão de taxa anual superior ao duodécuplo de mensal. Contrarrazões às fls. 209-214 e-STJ. Em juízo prévio de admissibilidade (fls. 217-221 e-STJ), a Corte de origem negou seguimento ao recurso especial, no que se refere à possibilidade de cobrança de juros capitalizados mediante previsão de taxa de juros anual superior ao duodécuplo de mensal, com amparo em tese firmada em recurso repetitivo. No mais, inadmitiu o reclamo, por óbice das Súmulas 5 e 7/STJ, quanto à existência desta previsão contratual. Inconformada, interpôs o presente agravo (art. 1.042 do CPC/15), às fls. 280-285 e-STJ, argumentando: (a) a tese firmada por este STJ é no sentido da necessidade de previsão expressa da capitalização; (b) "não há qualquer análise contratual ou de matéria fática/probatória no Recurso Especial apresentado. A questão devolvida a esta Corte Superior é apenas se "é admissível a capitalização mensal de juros quando não há previsão expressa, mas apenas taxa mensal inferior ao duodécimo da taxa anual"" (fl. 284 e-STJ). Contraminuta às fls. 287-293 e-STJ. É o relatório. Decide-se. A pretensão recursal não comporta conhecimento. 1. De início, em leitura à decisão proferida na origem, constata-se que foram devidamente apresentados os fundamentos jurídicos para a inadmissão do apelo nobre, não havendo falar na aventada nulidade por ausência de fundamentação. Superada a preliminar de nulidade, observa-se que o reclamo não comporta conhecimento, conforme se passa a expor. 2. A decisão de inadmissibilidade recursal foi publicada já na vigência do CPC/15. Com o advento do Código de Processo Civil de 2015 passou a existir expressa previsão legal no sentido do não cabimento de agravo em recurso especial contra decisão que nega seguimento ao apelo nobre com base na conformidade do acórdão a quo com a jurisprudência do STJ firmada em Recurso Especial Repetitivo. Tal disposição legal aplica-se aos agravos apresentados contra decisão publicada após a entrada em vigor do CPC/15, em conformidade com o princípio tempus regit actum. A interposição do agravo previsto no art. 1.042 do CPC/15, nesses casos, constitui evidente erro grosseiro, não sendo mais possível determinar o retorno dos autos à instância ordinária para apreciá-lo como agravo interno. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. FUNDAMENTO NO ART. 1.030, I, "B" DO CPC. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL INADEQUAÇÃO. ERRO GROSSEIRO. HONORÁRIOS RECURSAIS. CABIMENTO. 1. Nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, é cabível o agravo interno contra a decisão que nega seguimento ao recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do STJ ou do STF exarado sob o regime de julgamento de recursos repetitivos. 2. Havendo previsão legal expressa, a interposição de agravo em recurso especial nesse caso configura erro grosseiro, o que torna inviável a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. .. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1801420/PE, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2021, DJe 25/05/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL. SEGUIMENTO NEGADO. RECURSO REPETITIVO (CPC/2015, ART. 1.030, I, "B"). INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO DO ART. 1.042 DO CPC/2015. ERRO INESCUSÁVEL. INSURGÊNCIA NÃO CONHECIDA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O CPC/2015, em seu art. 1.030, § 2º, prevê expressamente o cabimento de agravo interno contra decisão que nega seguimento a recurso especial com fundamento no inciso I do artigo mencionado. 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, "é incabível agravo em recurso especial contra decisão que nega seguimento a apelo nobre na hipótese em que a matéria tenha sido julgada em harmonia com tese definida em recurso repetitivo, sendo cabível o agravo interno" (AgInt no AREsp n. 1.703.829/PR, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/9/2020, DJe 24/9/2020), o que ocorreu. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1819666/MS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 10/05/2021, DJe 17/05/2021) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO BANCÁRIO. TESE REPETITIVA. ART. 1.030, I, B, DO CPC/2015. AGRAVO NÃO CONHECIDO. MULTA. INAPLICABILIDADE. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS RECURSAIS. NÃO CABIMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. .. 3. Segundo a jurisprudência desta Corte Superior, a decisão prolatada pelo Tribunal originário, no sentido de negar seguimento ao recurso especial por aplicação de entendimento consagrado em recurso repetitivo, deve ser impugnada por meio de agravo interno previsto no art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, constituindo erro grosseiro a interposição de agravo em recurso especial. .. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1764275/DF, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/04/2021, DJe 29/04/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO QUE NEGA SEGUIMENTO AO APELO NOBRE NA ORIGEM. CABIMENTO DE AGRAVO INTERNO. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. INAPLICABILIDADE. 1. Consoante o disposto no art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, é cabível agravo interno contra a decisão do presidente ou vice-presidente do tribunal recorrido que nega seguimento a recurso especial. 2. Inviável a aplicação do princípio da fungibilidade nas hipóteses de erro grosseiro, o qual se configura quando se interpõe recurso diverso do que preceitua a lei. 3. Inexistência de dúvida objetiva quanto à impossibilidade do manejo do agravo em recurso especial desde o julgamento, pela Corte Especial, da QO no Ag n. 1.154.599/SP. 4. Precedente específico: AgInt no AREsp 1.003.647/BA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 22/2/2017. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1564361/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/03/2021, DJe 11/03/2021) Logo, o presente agravo é incabível para discutir o capítulo relativo à negativa de seguimento do recurso especial - ou seja, a possibilidade de cobrança de juros capitalizados mediante previsão de taxa de juros anual superior ao duodécuplo de mensal. 3. No mais, a Corte de origem inadmitiu o recurso, por considerar que verificar se existente ou não a referida previsão contratual encontra óbice das Súmulas 5 e 7/STJ. A insurgente, ao tratar dos referidos óbices, voltou a tratar do debate sobre a suficiência ou não da previsão de taxa de juros anual superior ao duodécuplo de mensal - controvérsia esta em relação à qual o presente reclamo não é cabível. Ao assim fazê-lo, apresentou razões recursais dissociadas dos fundamentos expostos pela decisão de admissibilidade prévia. Em realidade, não há controvérsia sobre a existência ou não de previsão contratual de taxa de juros anual superior ao duodécuplo de mensal. A insurgência discute, apenas, a suficiência desta previsão para cobrança de juros capitalizados - questão tratada no tópico anterior. Assim, seja por ausência de impugnação específica, seja pela inexistência de controvérsia quanto à existência ou não desta previsão contratual, o reclamo também não comporta conhecimento quanto à inadmissão do especial por óbice das Súmulas 5 e 7/STJ. 3.1. O agravo em recurso especial que deixa de afastar os fundamentos que levaram à inadmissão do recurso não deve ser conhecido, nos termos do artigo 932, inc. III, do CPC/15, que assim dispõe in verbis: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; É dever da parte agravante (à luz do princípio da dialeticidade) demonstrar o desacerto do magistrado ao fundamentar a decisão impugnada, atacando especificamente o seu conteúdo, em sua totalidade, nos termos do art. 932, inc. III, do CPC/15, o que não ocorreu na espécie, uma vez que as razões apresentadas contra a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não impugnam todos os fundamentos do decisum. A propósito, é o precedente da Corte Especial: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018) grifou-se Ademais, não basta a simples afirmação de que não incide o óbice, devendo ser demonstrado seu descabimento, não se afigurando suficiente a impugnação genérica. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1802143/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 22/03/2021, DJe 25/03/2021; e, AgInt no AREsp 1613383/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/05/2020, DJe 08/05/2020. 4. Do exposto, não se conhece do agravo em recurso especial e, com base no art. 85, § 11, do CPC/2015, majoram-se os honorários sucumbenciais para 17% (dezessete por cento) do valor da causa, em favor da parte recorrida, observadas as regras da gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA