AREsp 2361213 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o agravante não cumpriu o ônus de impugnação específica dos fundamentos adotados pela Corte de origem para impedir o seguimento do recurso especial (notadamente os óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ), apresentando apenas alegações genéricas, em desacordo com art. 253, parágrafo...
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- Parties
- Agravante: PAVOTEC - PAVIMENTAÇÃO E TERRAPLANAGEM LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Colegiado
- Outcome
- negou provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Juízo De Prelibação Negativo, Impugnação Específica, Súmula 5 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, Súmula 182 Do STJ, Art. 253, Parágrafo Único, I, Do RISTJ, Art. 932, III, Do Cpc/2015, § 4º Do Art. 1.021 Do Cpc/2015
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Parties
PAVOTEC - PAVIMENTAÇÃO E TERRAPLANAGEM LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Colegiado
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de impugnação específica dos fundamentos do tribunal de origem
- 2 Aplicabilidade das Súmulas 5 e 7 do STJ como óbices de admissibilidade
- 3 Possibilidade de aplicação de multa por litigância recursal (art. 1.021, §4º, CPC/2015)
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o agravante não cumpriu o ônus de impugnação específica dos fundamentos adotados pela Corte de origem para impedir o seguimento do recurso especial (notadamente os óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ), apresentando apenas alegações genéricas, em desacordo com art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e art. 932, III, do CPC/2015, e com o princípio da dialeticidade.
Court Disposition
negou provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/02/2024 a 26/02/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por PAVOTEC - PAVIMENTAÇÃO E TERRAPLANAGEM LTDA. para desafiar decisão, por mim proferida, em que não conheci do agravo em recurso especial, ante a falta de impugnação específica acerca da incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ. Nas suas razões, a parte agravante sustenta, em síntese, que referido ponto foi devidamente impugnado. Logo, não seria o caso de aplicação da Súmula 182 desta Corte ao caso. Com isso, requer o provimento do agravo. Impugnação às e-STJ fls. 1.153/1.157. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido. VOTO O recurso não merece prosperar. Nos termos do quer restou consignado na decisão singular, a parte agravante deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, concernentes à incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ. Ocorre que, de acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. No caso, nas razõe s do agravo em recurso especial, a parte limitou-se a apresentar alegações genéricas de inaplicabilidade dos referidos óbices, sem haver nem sequer impugnação específica ao óbice da Súmula 5 do STJ, e, mais uma vez, limitou-se a repisar as alegações trazidas em sede de recurso especial. Destaco, por oportuno, não ser suficiente a apresentação de razões genéricas sobre os óbices apontados pela decisão de inadmissibilidade, sendo exigível do agravante o efetivo ataque aos seus fundamentos. Além do mais, em relação à Súmula 7 desta Corte, não se mostra suficiente a mera alegação de que não há necessidade de reexame fático-probatório, ainda que haja breve menção da tese recursal discutida, sendo exigível do agravante o efetivo ataque ao fundamento de inadmissão. É de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, o que não ocorreu. Dito isso, entendo que o princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo insuficiente fazer alegações genéricas de não aplicabilidade dos óbices invocados. Por fim, deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.