AREsp 2438434 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, no mérito, negou-se provimento ao recurso especial porque: (i) a alegação de nulidade processual não é cogitável em razão da fundamentação do acórdão estadual em norma local (Resolução n. 549/2011), incidindo a Súmula 280/STF; (ii) não houve negativa de prestação jurisdicional, pois o...
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- Parties
- Recorrente: TITCS INFORMÁTICA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Agravo Conhecido Para Conhecer Em Parte Do Recurso Especial E, Nessa Extensão, Negar Lhe Provimento
- Outcome
- Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Ação De Cobrança, Nulidade Processual, Negativa De Prestação Jurisdicional, Enriquecimento Ilícito, Prequestionamento, Súmula 280 STF, Súmula 211 STJ, Ônus Da Prova
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Parties
TITCS INFORMÁTICA LTDA.
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Agravo Conhecido Para Conhecer Em Parte Do Recurso Especial E, Nessa Extensão, Negar Lhe Provimento
Legal Issues
- 1 nulidade por ausência de intimação prévia sobre inclusão em pauta de julgamento virtual
- 2 alegada negativa de prestação jurisdicional quanto à distribuição do ônus da prova
- 3 divergência jurisprudencial não comprovada
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, no mérito, negou-se provimento ao recurso especial porque: (i) a alegação de nulidade processual não é cogitável em razão da fundamentação do acórdão estadual em norma local (Resolução n. 549/2011), incidindo a Súmula 280/STF; (ii) não houve negativa de prestação jurisdicional, pois o Tribunal de origem examinou as questões essenciais; (iii) a divergência jurisprudencial apontada não foi comprovada nos termos exigidos; e (iv) a tese de enriquecimento ilícito não foi prequestionada nas instâncias ordinárias (Súmula 211/STJ), impedindo o conhecimento da matéria no recurso especial.
Court Disposition
Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento.
Orders
- Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majorar honorários em favor dos advogados da parte recorrida em 2% sobre o valor atualizado da causa.
- Partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito poderá ensejar a imposição das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão que não admitiu o recurso especial apresentado por TITCS INFORMÁTICA LTDA., com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, confrontando acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, assim ementado (e-STJ, fl. 262): AÇÃO DE COBRANÇA. PARCERIA COMERCIAL. Sentença de improcedência. Inconformismo da autora. Preliminar quanto à distribuição do ônus da prova. Preclusão da decisão que delimitou a produção probatória. Preliminar afastada. Mérito. Parceria comercial com a prestação de serviços a terceiros. Autora que não juntou os contratos. Ausência de aceite dos clientes. Não comprovação da prestação dos serviços. Sentença mantida. Recurso desprovido. Os embargos de declaração opostos em sequência foram rejeitados. Nas razões do apelo especial, a recorrente indicou divergência jurisprudencial e ofensa aos arts. 272, § 2º, 489, § 1º e seu inciso IV, 934, 935 e 1.022, parágrafo único e seu inciso II, do CPC/2015; e 884 do CC. Relatou que o acórdão estadual seria nulo por não constar dos autos nenhuma informação acerca da intimação das partes a respeito da inclusão do processo em pauta. Sustentou a ocorrência de negativa de prestação jurisdicional quanto: (i) ao pedido de distribuição dinâmica do ônus da prova; e (ii) à tese de enriquecimento ilícito. Afirmou que a correspondência eletrônica trocada entre as partes evidenciaria o cumprimento da obrigação e o direito ao recebimento do valor especificado na nota. Asseverou que deveria ser remunerada pelos serviços prestados, sob pena de enriquecimento ilícito. Contrarrazões às fls. 347-362 (e-STJ). O processamento do apelo especial não foi admitido pela Corte de origem, levando a insurgente a interpor o presente agravo, por meio do qual contesta a aplicação dos óbices apontados na decisão de admissibilidade. Brevemente relatado, decido. No tocante à tese de nulidade processual, verifica-se que a Corte local decidiu a matéria com fundamento no art. 1º da Resolução n. 549/2011, editada pelo Órgão Especial daquele mesmo Tribunal, de modo que eventual desconstituição da convicção estadual esbarraria no disposto no enunciado n. 280 da Súmula do STF. Vejam-se: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO VERIFICADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA DA PARTE ACERCA DO JULGAMENTO VIRTUAL DA APELAÇÃO. QUESTÃO DECIDIDA COM FUNDAMENTO EM ATO NORMATIVO LOCAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 208 DO STF. REPRODUÇÃO, NO AGRAVO INTERNO, DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. POSSIBILIDADE. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA A OBTENÇÃO DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA. SÚMULAS NºS 282 E 356 DO STF E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. .. 3. No caso dos autos, o Tribunal bandeirante entendeu desnecessária a intimação prévia da parte acerca da inclusão do processo em pauta de julgamento virtual com fundamento em ato normativo local, o que veda a discussão da matéria em grau de recurso especial tendo em vista a Súmula nº 280 do STF. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.511.146/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 11/11/2020, DJe de 16/11/2020.) AGRAVO INTERNO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA JULGAMENTO VIRTUAL. SUSTENTAÇÃO ORAL. REGRAMENTO POR LEI LOCAL. OMISSÃO DO TRIBUNAL. DECISÃO PASSÍVEL DE RECURSO. NÃO CABIMENTO DE MANDADO DE SEGURANÇA. 1. Não compete a esta Corte, como guardiã da legislação federal, reformar entendimento julgado com base em norma de direito local, a teor do disposto na Súmula 280, do STF, por analogia. .. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no RMS n. 68.857/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024.) Quanto à suposta negativa de prestação jurisdicional, percebe-se que a apontada violação não se sustenta, tendo em vista que o Tribunal a quo examinou, de forma fundamentada, todas as questões necessárias ao deslinde da controvérsia, ainda que tenha decidido em sentido contrário à pretensão da ora insurgente. Registre-se, oportunamente, que o órgão julgador não é obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa das teses apresentadas. Deve apenas enfrentar a demanda, atendo-se às questões essenciais a sua resolução, o que foi feito no caso. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. DESVIO DE ENERGIA ELÉTRICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FRAUDE. INEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO APURATÓRIO. NÃO VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 1.022, II, 489, § 1º, II, do CPC/2015. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. .. 2. No tocante ao tema preliminar, não há violação dos arts. 1.022, II, 489, § 1º, II, do CPC/2015, na medida em que não se constata omissão, obscuridade ou contradição nos acórdãos recorridos capazes de torná-los nulos, especialmente porque o Tribunal de origem apreciou a demanda de forma clara e precisa, estando bem delineados os motivos e fundamentos que embasam o decisum. 3. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução, o que ocorreu no caso dos autos. Além disso, não se pode confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. .. 7. Agravo Interno não provido. (Aglnt no AREsp n. 2.315.137/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 21/9/2023.) No mais, não se revela cognoscível a irresignação deduzida pela alínea c do permissivo constitucional, porquanto a recorrente não demonstrou o dissídio nos moldes exigidos pelos arts. 1.029, § 1º, do CPC/2015, e 255, § 1º, do RISTJ, tendo em vista não ter sido realizado, a contento, o cotejo analítico, com a demonstração clara do dissídio entre os casos confrontados. Com efeito, "A divergência jurisprudencial suscitada não atende ao requisito da identidade fático-jurídica entre os acórdãos confrontados, uma vez que as peculiaridades do caso vertente não se encontram espelhadas nos paradigmas, os quais, a toda evidência, lastrearam-se em fatos, provas e circunstâncias distintas das constantes dos autos sob análise" (AgInt no AREsp n. 2.120.348/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 9/11/2022, DJe de 11/11/2022). Por fim, é certo que a tese de enriquecimento ilícito não foi debatida pela segunda instância, carecendo, portanto, do necessário prequestionamento viabilizador do recurso especial. Apesar da oposição dos embargos de declaração pela recorrente, de modo a viabilizar o requisito do prequestionamento, necessário ao conhecimento do recurso, o Colegiado estadual não decidiu acerca da questão jurídica suscitada, incidindo, assim, o enunciado n. 211 da Súmula desta Corte Superior. Ilustrativamente: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. DESVIO DE FUNÇÃO. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS, NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INCONFORMISMO. AFRONTA AOS ARTS. 371 DO CPC/2015, 884 DO CÓDIGO CIVIL E 2º DA LEI 9.784/99. TESE RECURSAL NÃO PREQUESTIONADA. SÚMULA 211 DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. IV. O Recurso Especial é manifestamente inadmissível, por falta de prequestionamento, no que tange à tese recursal, pois não foi ela objeto de discussão, nas instâncias ordinárias, razão pela qual não há como afastar o óbice da Súmula 211/STJ. .. VI. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.080.529/ES, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 12/6/2023, DJe de 19/6/2023.) Saliente-se que o reconhecimento da inexistência de negativa de prestação jurisdicional concomitante à aplicação do verbete sumular n. 211/STJ não se apresenta contraditório, tendo em vista que o Tribunal de origem encontrou fundamento suficiente para solucionar a controvérsia. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro os honorários em favor dos advogados da parte recorrida em 2% (dois por cento) sobre o valor atualizado da causa. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. 1. NULIDADE PROCESSUAL. INVIABILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA 280/STF. 2. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 3. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. 4. TESE DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. 5. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO.