AREsp 2558260 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque não houve cerceamento de defesa: o julgamento foi fundamentado diante da suficiência documental dos autos, o apelante concordou com o julgamento antecipado e juntou documento do INSS que demonstrava a aposentadoria por invalidez, e qualquer análise...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: PAULO COLETA DE OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade
- Outcome
- CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Ação De Procedimento Comum, Inexistência De Débito, Cerceamento De Defesa, Julgamento Antecipado Da Lide, Reexame De Provas (súmula Nº 7 Do Stj), Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
PAULO COLETA DE OLIVEIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 alegação de cerceamento de defesa
- 2 necessidade de produção de prova
- 3 prequestionamento de matéria constitucional
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque não houve cerceamento de defesa: o julgamento foi fundamentado diante da suficiência documental dos autos, o apelante concordou com o julgamento antecipado e juntou documento do INSS que demonstrava a aposentadoria por invalidez, e qualquer análise adicional implicaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula nº 7 do STJ.
Court Disposition
CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.
Orders
- MAJORO em 5% o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em desfavor do PAULO, limitados a 20%, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, devendo ser observada a concessão da justiça gratuita.
- Previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por PAULO COLETA DE OLIVEIRA (PAULO) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alínea a, da CF, PAULO alegou a violação dos arts. 5º, LV da CF e 369 do CPC, ao sustentar, em síntese, cerceamento de defesa, diante da necessidade da produção de prova requerida. Inicialmente, a jurisprudência deste Tribunal Superior expõe que não cabe a ele a apreciação de suposta ofensa à matéria constitucional, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de invasão da competência do Supremo Tribunal Federal. A propósito, veja-se o precedente: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. TEMPESTIVIDADE COMPROVADA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. .. 3. Aplicam-se os óbices previstos nas Súmulas n. 282 e 356/STF quando as questões suscitadas no recurso especial não tenham sido debatidas no acórdão recorrido nem, a respeito, tenham sido opostos embargos declaratórios. 4. O recurso especial não é sede própria para o exame de matéria constitucional. 5. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, do qual se conhece para negar-lhe provimento. (EDcl no AREsp 168.842/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Terceira Turma, julgado 16/9/2014, DJe 22/9/2014). Do cerceamento de defesa. Nas razões do presente recurso, PAULO apontou cerceamento de defesa, diante da necessidade da produção de prova requerida. Todavia, não configura cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide, devidamente fundamentado, sem a produção de provas pretendidas pela parte, uma vez que cabe ao magistrado dirigir a instrução e deferir a produção probatória que considerar necessária à formação do seu convencimento. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. .. . .. 2. Não há cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide que, de forma fundamentada, resolve a causa sem a produção da prova requerida pela parte em virtude da suficiência dos documentos dos autos. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1.863.135/RS, Rel. Min. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, DJe 17/8/2021 - sem destaque no original) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. .. . CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. .. . AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não configura cerceamento de defesa o julgamento da causa sem a produção da prova requerida pela parte, quando devidamente demonstrado pelas instâncias de origem que o feito se encontrava suficientemente instruído. .. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.749.748/SP, Rel. Min. RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, DJe 5/8/2021 - sem destaque no original) Portanto, escorreito o entendimento do TJMG ao asseverar que Como sabido, o juiz é destinatário final das provas. Por seu poder instrutório, compete-lhe de ofício ou a requerimento da parte determinar as provas necessárias à instrução do processo, indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias (artigo 370 do Código de Processo Civil). O artigo 355 do Código de Processo Civil autoriza o juiz julgar antecipadamente o pedido, proferindo sentença, quando não houver necessidade de produção de outras provas. Em outras palavras, quando dos autos constarem todos os elementos de prova para o julgamento da causa, como ocorre aqui no caso em exame, o julgamento antecipado da lide se impõe como dever do juiz. A jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça assinala: "não ocorre cerceamento de defesa por julgamento antecipado da lide, quando o julgador ordinário considera suficiente a instrução do processo." (REsp 1.252.341/SP, AgRg no AREsp 299.482/MG e AgRg no REsp 1149920/MT). O apelante pretende provar ser portador de esquizofrenia e, para tanto, requereu a "expedição de ofício ao INSS para que traga aos autos o motivo da aposentadoria o autor" (ordem 30). No caso dos autos, o MM. Juiz de Direito indeferiu a expedição de ofício justificando que "a própria parte deverá diligenciar e trazer o documento aos autos" (ordem 34). Demais disso, o apelante assim se manifestou: "trata-se o caso de prova meramente documental e assim requer o julgamento antecipado da lide" (ordem 30). Com efeito, "não pode alegar cerceamento de defesa quem concordou com o julgamento antecipado da lide e teve a sentença contrária desfavorável " (RTJ 118/550). Vale ressaltar que o apelante juntou documento do INSS demonstrando sua aposentadoria por invalidez com Cid f209 (esquizofrenia) (ordem 37). Com efeito, a documentação que instrui o processo é suficiente para o deslinde da controvérsia, como adiante será fundamentado (e-STJ, fls. 267/268, sem destaque no original). Além do mais, qualquer outra análise acerca da necessidade da produção de prova, da forma como trazida no apelo nobre, esbarraria no reexame fáticoprobatório, o que é inviável nesta via, por força do óbice da Súmula nº 7 do STJ. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. MAJORO em 5% o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em desfavor do PAULO limitados a 20%, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, devendo ser observada a concessão da justiça gratuita. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE PROCEDIMENTO COMUM. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.