AREsp 2622647 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e conheceu-se em parte do recurso especial, mas negou-se provimento ao recurso especial por ausência de prequestionamento sobre o parcelamento e o prazo de carência e por não restar demonstrada omissão do Tribunal de origem quanto à Súmula nº 543 do STJ, incidindo por analogia o óbice da Súmula...
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- Parties
- Agravante / Recorrente Especial: CIDADE JARDIM I DOURADOS EMPREENDIMENTOS SPE LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Resolução Contratual, Restituição De Valores, Omissão, Prequestionamento, Parcelamento, Carência, Súmula 282 STF, Súmula 543 STJ
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
CIDADE JARDIM I DOURADOS EMPREENDIMENTOS SPE LTDA.
Agravante / Recorrente Especial
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 omissão quanto à aplicabilidade da Súmula nº 543 do STJ
- 2 necessidade de parcelamento da restituição e prazo de carência previsto no art. 32-A, §1º, da Lei nº 13.786/18
- 3 falta de prequestionamento como óbice ao exame pelo STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e conheceu-se em parte do recurso especial, mas negou-se provimento ao recurso especial por ausência de prequestionamento sobre o parcelamento e o prazo de carência e por não restar demonstrada omissão do Tribunal de origem quanto à Súmula nº 543 do STJ, incidindo por analogia o óbice da Súmula nº 282 do STF ao conhecimento da matéria.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento
Orders
- Conheço do agravo
- Conhecer em parte do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por CIDADE JARDIM I DOURADOS EMPREENDIMENTOS SPE LTDA. (CIDADE JARDIM I) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Não foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alíneas a e c, da CF, CIDADE JARDIM I alegou a violação dos arts. 926, 1.022 do CPC, 32-A, §1º, da Lei nº 13.786/18, bem como dissídio jurisprudencial, aduzindo que (1) o acórdão recorrido foi omisso quanto à aplicabilidade da Súmula nº 543 do STJ unicamente aos contratos firmados antes da Lei nº 13.786/18; e (2) os valores pagos devem ser restituídos em doze parcelas, após o prazo de carência de doze meses, nos termos do art. 32-A, §1º, II, da Lei nº 13.786/18 (e-STJ, fls. 330/347). (1) Da omissão Do exame dos aclaratórios opostos às e-STJ, fls. 285/288, constata-se que CIDADE JARDIM I não suscitou omissão no que se refere à alegada impossibilidade de aplicação da Súmula nº 543 do STJ, nem quanto à necessidade de parcelamento da restituição após prazo de carência. Assim, não é possível concluir que o Tribunal estadual tenha sido omisso quanto a ponto sobre o qual não foi instado a se manifestar. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - EMBARGOS DE TERCEIRO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA, DE PLANO, NÃO CONHECER DO APELO NOBRE. INSURGÊNCIA DA PARTE AUTORA. 1. As razões da decisão monocrática que não foram objeto de irresignação, no agravo interno, ficam atingidas pela preclusão consumativa. 2. Não há que se falar em omissão, nos termos do art. 1.022 do CPC, em relação à tese que representa nítida inovação recursal, porquanto não suscitada em sede de apelação, tampouco em embargos de declaração, mas apenas nas razões do recurso especial. 2.1. De acordo com a jurisprudência desta E. Corte, o reconhecimento de negativa de prestação jurisdicional pressupõe o preenchimento dos seguintes requisitos: (a) que a questão tenha sido levantada oportunamente ou, ainda, trate de matéria de ordem pública, que possa conhecida a qualquer tempo pelas instâncias ordinárias; (b) a oposição de aclaratórios apontando, em específico, a omissão, contradição, obscuridade ou erro material; (c) a relevância da tese supostamente omitida, ou seja, que sua análise possa modificar a conclusão do julgamento; e (d) a inexistência de fundamento autônomo suficiente para manter o acórdão. 2.2. "A alegação de que seriam matérias de ordem pública ou traduziriam nulidade absoluta não constitui fórmula mágica que obrigaria as Cortes a se manifestar acerca de temas que não foram oportunamente arguidos ou em relação aos quais o recurso não preenche os pressupostos de admissibilidade" (REsp 1439866/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 24/04/2014, DJe 6/5/2014).2.3. A ausência de enfrentamento da matéria objeto da controvérsia pelo Tribunal de origem impede o acesso à instância especial, já que não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, exigido inclusive para as matérias de ordem pública. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.344.775/SC, relator Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, j. em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024.) Portanto, não se configura a suposta violação do art. 1.022 do CPC. (2) Do parcelamento e do prazo de carência Verifica-se que o Tribunal estadual não emitiu pronunciamento sobre a necessidade de parcelamento e de prazo de carência e não foram opostos embargos de declaração para sanar a omissão. Vale ressaltar que, embora tenha colacionado a Súmula nº 543 do STJ, o acórdão vergastado apenas o fez com o fim de debater a possibilidade ou não de retenção de valores quando rescindido o contrato por fato imputável ao comprador, não havendo naquela instância debate acerca do momento da restituição. Aliás, do exame dos autos, constata-se que o tema não foi discutido na apelação interposta pela parte adversa, nem foi suscitado em contrarrazões à apelação, o que corrobora o entendimento de que a matéria não foi efetivamente examinada pelo Tribunal estadual. Assim, não há como ser analisada a tese trazida no recurso especial, em virtude da falta de prequestionamento. Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. 2. AÇÃO RESCISÓRIA COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. 3. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA N. 283/STF. 4. OFENSA AOS ARTS. 4º, 5º, 9 E 10 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. 5. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE DE EXAME PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 6. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. Esta Corte Superior possui entendimento de que a ação rescisória não pode ser utilizada como sucedâneo recursal, com vistas a corrigir suposta injustiça na interpretação dos fatos. Precedentes. 3. A manutenção de argumento que, por si só, sustenta o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do recurso especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. No tocante à aventada violação aos arts. 4º, 5º, 9º e 10 do CPC/2015, verifica-se que os conteúdos normativos dos citados dispositivos não foram objeto de apreciação pelo Tribunal de origem. Portanto, ausente o prequestionamento, entendido como a necessidade de ter o tema objeto do recurso sido examinado na decisão atacada, o que atrai a incidência das Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 4.1. Segundo a orientação deste Superior Tribunal, mesmo as questões de ordem pública devem ser prequestionadas para serem examinadas em recurso especial. 5. É inviável a apreciação de ofensa a eventual violação de dispositivos constitucionais, sob pena de usurpação da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102 da Constituição Federal. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.413.313/RJ, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023.) Incide, quanto ao ponto, o óbice da Súmula nº 282 do STF, por analogia. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESOLUÇÃO CONTRATUAL. RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. PARCELAMENTO DA RESTITUIÇÃO. CARÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282 DO STF. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO.