AREsp 2740643 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, verificando-se que o Tribunal de origem examinou e fundamentou a questão da tempestividade (concluindo pela intempestividade do agravo de instrumento), a pretensão de reforma exigiria reexame do acervo fático-probatório, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ; assim, não há...
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- Parties
- Agravante: WARREN CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS E CÂMBIO LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Julgamento
- Outcome
- CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Agravo De Instrumento, Tempestividade Recursal, Omissão (art. 1.022 Do Cpc), Reexame Fático Probatório, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
WARREN CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS E CÂMBIO LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Julgamento
Legal Issues
- 1 alegada omissão quanto à tempestividade do recurso (art. 1.022 do CPC)
- 2 alegada tempestividade do agravo de instrumento e violação dos arts. 550, §1º, 1.003, §5º e 1.015 II e VI do CPC
- 3 possibilidade de reexame de matéria fático-probatória diante da decisão recorrida
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, verificando-se que o Tribunal de origem examinou e fundamentou a questão da tempestividade (concluindo pela intempestividade do agravo de instrumento), a pretensão de reforma exigiria reexame do acervo fático-probatório, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ; assim, não há omissão e o recurso especial foi conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento.
Court Disposition
CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por WARREN CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS E CÂMBIO LTDA (WARREN) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial. O inconformismo, no entanto, não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alínea a, da CF, alegou (1) violação do art. 1.022 do CPC sustentando omissão em relação ao recurso de agravo de instrumento ser o único cabível contra a sentença na ação de exigir contas tendo sido interposto tempestivamente; e, (2) afronta aos arts. 550, § 1º, 1.003, § 5º e 1.015 II e VI do CPC aduzindo ser tempestivo o recurso interposto. (1) violação do art. 1.022 do NCPC Não merece respaldo a assertiva de que o v. acórdão não teria se manifestado sobre a tempestividade do recurso, uma vez que o Tribunal de origem consignou, expressamente, no julgamento dos aclaratórios: Na verdade, o que pretende a parte ora embargante é uma nova análise do recurso, com a consequente reversão do julgado, a fim de que lhe seja favorável. Ademais, constou expressamente na decisão embargada que: (..) É caso de não conhecimento do agravo de instrumento por intempestivo. Estatui o artigo 1.003 do Código de Processo Civil/2015: Art. 1.003. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão. (..) § 5o Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias. - Grifei. Conforme se observa, a parte agravante teve ciência da decisão que analisou as questões ventiladas no presente recurso - gratuidade, inépcia da inicial, falta de interesse de agir, prescrição e carência de ação por inadequação da via eleita - em 24/01/2023 (Evento 51 dos autor originários). Assim, iniciou-se o prazo recursal, sendo que o último dia para a interposição do recurso ocorreu em 13/02/203, considerando a contagem em dias úteis, na forma do artigo 219 do CPC1, conforme se verifica: (..) No caso, o recurso foi protocolado no dia 15/05/2023, conforme indica o evento nº 1 dos autos deste agravo de instrumento, ou seja, quando já escoado o prazo recursal de 15 (quinze) dias, sendo, portanto, evidente a sua intempestividade." (Grifei) e-STJ, fl. 86 - com destaque no original . Desta forma, não há que se falar em negativa de prestação jurisdicional, pois o tribunal de origem decidiu a matéria controvertida de forma fundamentada, ainda que contrariamente aos interesses da parte. Assim, constata-se que não há quaisquer dos vícios elencados no art. 1.022 do NCPC. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR. ART. 1.638 DO CC. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Não há falar em violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 quando a decisão está clara e suficientemente fundamentada, resolvendo integralmente a controvérsia. 3. A perda do poder familiar ocorrerá quando presentes quaisquer das hipóteses previstas no art. 1.638 do CC. 4. Para prevalecer a pretensão em sentido contrário à conclusão do tribunal de origem, que manteve a sentença que decretou a destituição do poder familiar, mister se faz a revisão do conjunto fático-probatório dos autos, procedimento inviabilizado, nesta instância superior, pelo óbice da Súmula nº 7/STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.237.833/MS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, j. 8/10/2018, DJe 15/10/2018 - sem destaque no original) (2) Do reexame fático-probatório Em relação a alegada violação dos arts. 550, § 1º, 1.003, § 5º e 1.015 II e VI do CPC, no que concerne a tempestividade do recurso interposto, o Tribunal local, com amparo no acervo fático-probatório dos autos, julgou nos seguintes termos: É caso de não conhecimento do agravo de instrumento por intempestivo. Estatui o artigo 1.003 do Código de Processo Civil/2015: Art. 1.003. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão. (..) § 5o Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias. - Grifei. Conforme se observa, a parte agravante teve ciência da decisão que analisou as questões ventiladas no presente recurso - gratuidade, inépcia da inicial, falta de interesse de agir, prescrição e carência de ação por inadequação da via eleita - em 24/01/2023 (Evento 51 dos autor originários). Assim, iniciou-se o prazo recursal, sendo que o último dia para a interposição do recurso ocorreu em 13/02/203, considerando a contagem em dias úteis, na forma do artigo 219 do CPC1, conforme se verifica: .. No caso, o recurso foi protocolado no dia 15/05/2023, conforme indica o evento nº 1 dos autos deste agravo de instrumento, ou seja, quando já escoado o prazo recursal de 15 (quinze) dias, sendo, portanto, evidente a sua intempestividade (e-STJ, fl. 49 - com destaques no original). Desse modo, para se chegar à conclusão diversa da que chegou o eg. Tribunal local, seria inevitável o revolvimento do arcabouço fático-probatório, procedimento sabidamente inviável na instância especial por incidir a Súmula nº 7 do STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. A propósito: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. RECESSO FORENSE DE FINAL DE ANO. SUSPENSÃO DOS PRAZOS NO PERÍODO DE 20 DE DEZEMBRO A 20 DE JANEIRO. CÔMPUTO DO PRAZO PROCESSUAL. INÍCIO. PRIMEIRO DIA ÚTIL SUBSEQUENTE AO TÉRMINO DA SUSPENSÃO. INTEMPESTIVIDADE DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. PRORROGAÇÃO DO PRAZO PROCESSUAL INSUFICIENTE PARA AFASTAR A INTEMPESTIVIDADE. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O art. 220, caput, do CPC/2015 estabelece que a suspensão do curso do prazo processual no interregno de 20 de dezembro a 20 de janeiro não impede que publicações sejam realizadas, não sendo possível considerar esse período como dia não útil. Precedentes. 2. O Tribunal de origem, ao analisar o acervo fático-probatório dos autos, constatou que, publicada a decisão no período do recesso forense de final de ano, o início do prazo para a oposição dos embargos de declaração se deu em 21/01/2022 e foi finalizado em 28/01/2022, sendo a peça protocolizada apenas em 31/01/2022, fora do prazo de 5 (cinco) dias úteis previsto no art. 1.023 do CPC/2015. 3. Constatou-se que a prorrogação do prazo processual comprovada pela recorrente é insuficiente para afastar a intempestividade dos embargos de declaração opostos à decisão de primeiro grau. 4. Dessa forma, para reverter essa conclusão, é imprescindível o reexame dos elementos probatórios dos autos, o que se mostra impossível devido à natureza excepcional da via eleita, atraindo a aplicação da Súmula 7/STJ, que incide sobre ambas as alíneas do permissivo constitucional. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.507.727/GO, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 28/10/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARGUIÇÃO DE FALSIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. ILAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. TEMA NÃO DEBATIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 211 DO STJ. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TEMPESTIVIDADE. REVISÃO. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. ART. 1.018, §§ 2º E 3º, DO CPC/2015. DESCUMPRIMENTO DE ÔNUS PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. PRECEDENTES. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A alegada afronta à lei federal não foi demonstrada com clareza, caracterizando, dessa maneira, a ausência de fundamentação jurídica e legal, conforme previsto na Súmula n. 284 do STF. 2. A matéria referente aos arts. 374, II e III, 411, III, e 422, § 1º, do NCPC, 736 e 745, I e V, do CPC/1973 não foi objeto de debate prévio nas instâncias de origem. Ausente, portanto, o devido prequestionamento nos termos da Súmula n. 211 do STJ. 3. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 4. Nos termos da jurisprudência dessa Corte, não havendo prejuízo à parte agravada e tendo esta exercido o seu direito de defesa, não há falar em nulidade pelo descumprimento da regra prevista no artigo 1.018 do CPC/15. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.361.306/MG, de minha relatoria, Terceira Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 18/9/2024.) Nessas condições, CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Inaplicável ao caso a majoração de honorários advocatícios. Por fim, advirta-se que eventual recurso interposto contra este julgado estará sujeito às normas do NCPC, inclusive no que tange ao cabimento de multa (arts. 1.021, § 4º e 1.026, § 2º). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO NCPC. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TEMPESTIVIDADE. REVISÃO. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7, DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO, EM PARTE, E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.