AREsp 2485268 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e suficiente a integralidade da fundamentação da decisão agravada, não afrontando especificamente o óbice apontado (Súmula 284/STF) nem demonstrando, com transcrição, os pontos do recurso especial que teriam sido omitidos, incorrendo em...
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- Parties
- Agravante: PEDRO BORETTI NETO; Agravado: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Agravo não conhecido
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Inadmissão De Recurso Especial, Préclusão, Súmula 284/stf, Princípio Da Dialeticidade Recursal
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Parties
PEDRO BORETTI NETO
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 preclusão pela ausência de agravo interno no tópico de negado seguimento
- 2 inadmissão do agravo por impugnação genérica de fundamento da decisão de inadmissão
- 3 aplicação da Súmula 284/STF por fundamentação deficiente
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e suficiente a integralidade da fundamentação da decisão agravada, não afrontando especificamente o óbice apontado (Súmula 284/STF) nem demonstrando, com transcrição, os pontos do recurso especial que teriam sido omitidos, incorrendo em violação do princípio da dialeticidade recursal (art. 932, III, CPC) e na inobservância dos requisitos de fundamentação exigidos para o processamento do agravo ao STJ.
Court Disposition
Agravo não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial (arts. 932, III, do CPC/2015, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ)
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por PEDRO BORETTI NETO contra a decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que inadmitiu recurso especial dirigido contra o acórdão prolatado na Apelação Criminal n. 0005748-27.2010.8.26.0272. O Ministério Público Federal apresentou parecer opinando pelo desprovimento do recurso (fls.1.335/1.339). É o relatório. A decisão agravada ostenta conteúdo híbrido, de modo que, no tópico em que foi negado seguimento ao recurso, seria adequada a interposição de agravo interno no Tribunal a quo, o que não ocorreu no caso, circunstância que atrai a incidência do princípio da preclusão, especificamente na parte em que se verificou a negativa de seguimento. Nesse sentido, confiram-se AgInt no RE nos EDcl no AgInt no AREsp n. 1.866.098/PR, Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, DJe 25/3/2022; e AgInt no REsp n. 1.920.307/PR, Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 15/12/2021. Quanto aos tópicos em que se verificou a inadmissão do recurso especial, afigura-se adequada a interposição de agravo dirigido a esta Corte (art. 1.030, § 1º, c/c o art. 1.042, ambos do CPC), sendo o reclamo, no entanto, inadmissível. Ora, a decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018). No caso, da leitura das razões do agravo, verifica-se que o agravante não impugnou suficientemente um dos fundamento do decisum, qual seja, a Súmula 284/STF. Veja-se que, ao obstar o recurso no tocante à tese de violação dos arts. 381, III, e 619, ambos do Código de Processo Penal, a Corte de origem firmou que o reclamo padecia de fundamentação deficiente (Súmula 284/STF), ante a ausência de especificação, nas razões recursais, dos pontos em que teria sido verificada omissão no provimento jurisdicional (fl. 1.231 - grifo nosso): .. No mais, o reclamo foi interposto sem a fundamentação necessária, apta a autorizar o seu processamento, deixando, assim, consoante determina o artigo 1.029 do Código de Processo Civil, de indicar precisamente as razões da vulneração, uma vez que suscitou afronta aos artigos 381, III, e 619, ambos do Código de Processo Penal, sem, no entanto, esclarecer no que consistiu o negativo posicionamento do órgão jurisdicional em relação ao qual teria persistido omissão. Nessa linha, vale transcrever a ementa lançada em julgamento do Superior Tribunal de Justiça que, em caso símile, consignou que " .. A tese defensiva de violação aos artigos 619 do CPP e 1.025, do Código de Processo Civil (omissão por parte do Tribunal a quo) está deficiente, na medida em que não foram esclarecidos que pontos deixaram de ser solucionados pelo Tribunal de Justiça, o que acarreta a incidência da Súmula n. 284/STF " .. : Nesse cenário, para infirmar esse fundamento, incumbia ao agravante demonstrar que, nas razões do recurso especial, teria indicado os pontos tidos como objeto de omissão, inclusive transcrevendo excerto pertinente daquele recurso, o que não verificou nas razões do agravo, já que o agravante se limitou a negar genericamente o óbice em referência (fls. 1.250/1.251), sem demonstrar em que trecho do recurso especial constam explicitamente as alegações tidas como objeto de omissão. Logo, o agravo é inadmissível (arts. 932, III, do CPC/2015, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ), pois não impugnou, de forma adequada e suficiente, a íntegra da fundamentação lançada na decisão agravada. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial (arts. 932, III, do CPC/2015, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ). Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA QUE OSTENTA CONTEÚDO HÍBRIDO. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TÓPICO EM QUE FOI NEGADO SEGUIMENTO AO RECURSO. PRECLUSÃO. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO (ART. 1.042 DO CPC) CONTRA OS TÓPICOS EM QUE O RECLAMO FOI INADMITIDO. ADEQUAÇÃO. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA DE UM DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO. INADMISSIBILIDADE. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL (ART. 932, III, DO CPC). Agravo não conhecido.