AREsp 2701899 - ACORDAO
Conhecimento do agravo para, por unanimidade, não conhecer do recurso especial, por entender que a fundamentação recursal é deficiente: o dispositivo indicado (art. 509 do CPC) não possui comando normativo suficiente para infirmar o acórdão recorrido, sendo aplicável, por analogia, a Súmula nº 284/STF.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: COMPANHIA DE HABITAÇÃO POPULAR DE BAURU
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual) Decisão Sobre Admissibilidade E Conhecimento
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Agravo De Instrumento, Fundamentação Deficiente, Súmula Nº 284/stf, Reintegração De Posse, Cumprimento De Sentença, Honorários Sucumbenciais
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Parties
COMPANHIA DE HABITAÇÃO POPULAR DE BAURU
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual) Decisão Sobre Admissibilidade E Conhecimento
Legal Issues
- 1 fundamentação deficiente do recurso especial
- 2 incidência, por analogia, da Súmula nº 284/STF
- 3 alegação de violação do art. 509 do Código de Processo Civil
Ratio Decidendi
Conhecimento do agravo para, por unanimidade, não conhecer do recurso especial, por entender que a fundamentação recursal é deficiente: o dispositivo indicado (art. 509 do CPC) não possui comando normativo suficiente para infirmar o acórdão recorrido, sendo aplicável, por analogia, a Súmula nº 284/STF.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido.
Orders
- Não conhecer do recurso especial.
- Deixa-se de majorar os honorários sucumbenciais, nos termos do artigo 85, § 11, do CPC, por não terem sido arbitrados na origem.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 10/06/2025 a 16/06/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. 1. Considera-se deficiente de fundamentação o recurso especial que, apesar de apontar o preceito legal tido por violado, não demonstra, de forma clara e precisa, de que modo o acórdão recorrido o teria contrariado, circunstância que atrai, por analogia, a Súmula nº 284/STF. 2. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interposto por COMPANHIA DE HABITAÇÃO POPULAR DE BAURU contra a decisão que inadmitiu seu recurso especial. O apelo e xtremo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da Constituição Federal, impugna acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE -CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - DECISÃO AGRAVADA QUE INDEFERIU A IMEDIATA REINTEGRAÇÃO DE POSSE DO BEM - CARÁTER SINALAGMÁTICO DA OBRIGAÇÃO - NECESSIDADE DE LIQUIDAÇÃO DO VALOR A SER RESTITUÍDO AOS RECORRIDOS - DECISÃO MANTIDA - RECURSO NÃO PROVIDO" (e-STJ fl. 21) . Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fl. 32). No recurso especial, a agravante aponta violação do artigo 509 do Código de Processo Civil . Afirma, em síntese, que as benfeitorias não foram realizadas, de modo que não há valor a ser restituído. Sem as contrarrazões (e-STJ fl. 62), o recurso especial foi inadmitido na origem, daí o presente agravo. É o relatório. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. 1. Considera-se deficiente de fundamentação o recurso especial que, apesar de apontar o preceito legal tido por violado, não demonstra, de forma clara e precisa, de que modo o acórdão recorrido o teria contrariado, circunstância que atrai, por analogia, a Súmula nº 284/STF. 2. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial. VOTO Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A irresignação não merece prosperar. Verifica-se que o dispositivo legal indicado como malferido não tem comando normativo suficiente para infirmar os fundamentos do acórdão recorrido, tampouco para sustentar a tese defendida pela parte agravante, situação em que a jurisprudência desta Corte Superior considera deficiente a fundamentação recursal, incidindo, por analogia, o óbice contido na Súmula nº 284/STF. Confiram-se: "AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ERRO GROSSEIRO NA INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. OMISSÃO. NÃO CONFIGURADA. ACÓRDÃO EM CONFORMIDADE COM ENTENDIMENTO DESTA CORTE. ARGUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AGRAVO NÃO PROVIDO. (..) 3. É deficiente a argumentação do recurso especial quando o dispositivo de lei apontado como violado não possui comando normativo para sustentar a tese defendida pela parte recorrente. Incidência da Súmula n. 284 do STF. 4. Agravo interno a que se nega provimento" (AgInt nos EDcl no AREsp 2.212.697/RJ, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 15/12/2023). "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL. DANO M ORAL CONFIGURADO. REVISÃO DO JULGAMENTO IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N.º 7/STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 944 DO CC. AUSÊNCIA DE COMANDO NORMATIVO PARA AMPARAR A TESE DA APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA DESPROPROCIONAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 284/STF. (..) 4. O apontado art. 944 do CC não têm comando normativo para amparar a tese de juros, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. (..) 6. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO" (AgInt no AREsp 2.059.944/MG, Relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Terceira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 13/12/2022). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Deixa-se de majorar os honorários sucumbenciais, nos termos do artigo 85, § 11, do CPC, tendo em vista que não foram arbitrados na origem. É o voto.