AREsp 2983416 - DECISAO
Nega-se provimento ao agravo porque a matéria relativa aos juros remuneratórios foi tratada à luz de entendimento repetitivo (Tema 27) e parte das questões invocadas (prova pericial) não foram objeto de debate no acórdão recorrido, configurando aplicação das Súmulas n.282 do STF e n.211 do STJ; o pedido de efeito...
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- Parties
- Agravante: CREFISA S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Denegatória
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial; julgo prejudicado o pedido de concessão de efeito suspensivo; majoro os honorários advocatícios em 10% nos termos do §11 do art.85 do CPC.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Revisional De Contrato Bancário, Juros Remuneratórios, Súmula N. 211 Do STJ, Tema N. 27 Do STJ, Prova Pericial, Efeito Suspensivo, Honorários Advocatícios
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Parties
CREFISA S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial quanto à matéria dos juros remuneratórios
- 2 alegação de cerceamento de defesa por não produção de prova pericial
- 3 pedido de concessão de efeito suspensivo ao recurso especial
Ratio Decidendi
Nega-se provimento ao agravo porque a matéria relativa aos juros remuneratórios foi tratada à luz de entendimento repetitivo (Tema 27) e parte das questões invocadas (prova pericial) não foram objeto de debate no acórdão recorrido, configurando aplicação das Súmulas n.282 do STF e n.211 do STJ; o pedido de efeito suspensivo foi julgado prejudicado em face de manifestação superveniente; por fim, houve majoração em 10% dos honorários conforme art.85, §11, CPC.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial; julgo prejudicado o pedido de concessão de efeito suspensivo; majoro os honorários advocatícios em 10% nos termos do §11 do art.85 do CPC.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial
- Julgo prejudicado o pedido de concessão de efeito suspensivo
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por CREFISA S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS contra a decisão que inadmitiu o recurso especial com fundamento na Súmula n. 211 do STJ e negou-lhe seguimento em razão do Tema n. 27 do STJ (juros remuneratórios). Alega a agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. Aduz que a questão, cujo seguimento foi negado em razão da aplicação de entendimento firmado em julgamento de recurso especial repetitivo, foi impugnada devidamente por agravo interno no Tribunal de origem e que, por isso, o agravo em recurso especial restringe-se à impugnação da questão que é de competência do Superior Tribunal de Justiça. O recurso especial com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, foi interposto contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia em apelação nos autos de ação revisional de contrato bancário. O julgado foi assim ementado (fls. 388-389): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE EMPRÉSTIMOS NÃO CONSIGNADOS. PRESCRIÇÃO. DECENAL. PRECEDENTES DO STJ. JUROS REMUNERATÓRIOS. TAXAS DE JUROS. ABUSIVIDADE NO CASO CONCRETO. ANORMALIDADE OU RISCO DO CLIENTE. PROVAS INEXISTENTES. REVISÃO. NECESSIDADE. SENTENÇA MANTIDA. APELO NÃO PROVIDO. O pedido de revisão de cláusulas de contrato de empréstimo possui natureza pessoal, de modo que se aplica o prazo decenal do art. 205, CC. Precedentes do STJ. Em sede de recurso especial repetitivo, o STJ firmou o entendimento de que é possível a revisão das taxas de juros incidentes em contrato sempre que, no caso concreto, haja abusividade do percentual contratado quando comparado com a prática média de mercado. Caso em que as taxas de juros aplicadas pela instituição financeira destoam significativamente daquelas praticas pelo mercado à época, sem provas de anormalidade econômica e social ou risco do cliente a justificar a incidência. Sentença mantida. Apelo conhecido e, após rejeitada a prejudicial de mérito, não provido. Os embargos de declaração foram rejeitados. No recurso especial, a parte recorrente aponta violação dos seguintes artigos: a) 355, I e II, e 356, I e II, do CPC, porque houve cerceamento de defesa ao não se permitir a produção de prova pericial para demonstrar o perfil de risco do cliente, tendo em vista as particularidades da operação de crédito concedido à parte autora; e b) 421 do CC e 927 do CPC, visto que a liberdade contratual deve ser exercida nos limites da função social do contrato, sendo a revisão contratual uma exceção, razão pela qual deve ser utilizada apenas em casos de comprovação de abusividade, o que não ocorreu no caso concreto. Sustenta que os contratos são plenamente válidos, tratando-se de atos jurídicos perfeitos, por isso constituem lei entre as partes, razão pela qual é descabida sua invalidação. Argumenta que o Tribunal de origem reconheceu a abusividade dos juros remuneratórios mediante simples cotejo com a taxa média de mercado publicada pelo Bacen, ausente análise individualizada das peculiaridades do caso concreto, contrariamente ao decidido no REsp n. 1.061.530/RS. Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo ao recurso especial para que seja evitada a prática de atos executórios, ao argumento de que a pretensão recursal é plausível e de que a imediata produção de efeitos da decisão recorrida representa risco de prejuízo de difícil reparação. Requer o provimento do recurso e a inversão dos ônus de sucumbência caso a demanda seja provida. É o relatório. Decido. O recurso não merece prosperar. A controvérsia diz respeito a ação de revisão de contrato bancário em que o valor da causa foi fixado em R$ 9.404,40. A controvérsia está assentada na forma de aferição da abusividade dos juros remuneratórios. Inicialmente, em relação à parte do recurso que teve seguimento negado (juros remuneratórios), considerando as disposições do art. 1.030, I, b, c/c o § 2º, é importante esclarecer que o conhecimento do apelo extremo pelo STJ fica restrito à análise da matéria inadmitida pelo Tribunal de origem. Em conformidade com a jurisprudência do STJ, é possível o juízo de admissibilidade adentrar o mérito do recurso, porquanto o exame da admissibilidade pela alínea a, em razão dos pressupostos constitucionais, envolve o próprio mérito da controvérsia (REsp n. 1.664.818/DF, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 21/6/2022, DJe de 30/6/2022; AgInt no AREsp n. 1.760.002/PR, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 9/5/2022, DJe de 11/5/2022; e AgRg no AREsp n. 2.032.402/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 3/5/2022, DJe de 6/5/2022). I - Violação dos arts. 355, I e II, e 356, I e II, do CPC A recorrente afirma que houve cerceamento de defesa ao não se permitir a produção de prova pericial para demonstrar o perfil de risco do cliente, tendo em vista as particularidades da operação do crédito concedido à parte autora. Contudo, as questões referentes ao pedido de prova pericial contábil, sob a alegação de violação dos arts. 355, I e II, e 356, I e II, do CPC, não foram objeto de debate no acórdão recorrido, tampouco no aresto que julgou os embargos de declaração - caso de aplicação das Súmulas n. 282 do STF e 211 do STJ. Para viabilizar o conhecimento do recurso especial, caberia à parte recorrente alegar ofensa ao art. 1.022 do CPC. II - Pedido de concessão de efeito suspensivo Conforme entendimento do STJ, "havendo manifestação superveniente do órgão julgador sobre o tema, não subsiste o pedido de tutela provisória que pretendia conceder efeito suspensivo ao recurso já julgado" (AgInt no AREsp n. 2.298.991/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 4/9/2023, DJe de 6/9/2023). III - Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Julgo prejudicado o pedido de concessão de efeito suspensivo. Nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, majoro, em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, os honorários advocatícios em desfavor da parte ora recorrente, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos no § 2º do referido artigo e ressalvada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA