AREsp 2776793 - ACORDAO
Não conhecer dos agravos porque a parte agravante não impugnou de forma específica e adequada os fundamentos da Corte de origem (incidência da Súmula n. 7 do STJ e falta de cotejo analítico para demonstrar divergência), configurando a incidência da Súmula n. 182 do STJ e a violação ao princípio da dialeticidade, de...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Não Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- NÃO CONHEÇO dos agravos em recurso especial.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Improbidade Administrativa, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Cotejo Analítico, Dolo Específico, Reexame Do Conjunto Fático Probatório, Princípio Da Dialeticidade
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Não Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula n. 7 do STJ por demandar reexame de prova
- 2 ausência de cotejo analítico para demonstrar divergência jurisprudencial
- 3 falta de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada (Súmula n. 182 do STJ)
Ratio Decidendi
Não conhecer dos agravos porque a parte agravante não impugnou de forma específica e adequada os fundamentos da Corte de origem (incidência da Súmula n. 7 do STJ e falta de cotejo analítico para demonstrar divergência), configurando a incidência da Súmula n. 182 do STJ e a violação ao princípio da dialeticidade, de modo que não é possível o exame do recurso sem reexame probatório ou demonstração comparativa concreta dos precedentes.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO dos agravos em recurso especial.
Orders
- NÃO CONHEÇO dos agravos em recurso especial.
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 14/08/2025 a 20/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CONTRATAÇÃO FRAUDULENTA DE FUNCIONÁRIO. PRESENÇA DE DOLO ESPECÍFICO CONSTATADA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. FALTA DE COTEJO ANALÍTICO NO TOCANTE À ALEGADA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. A mera reiteração das razões recursais, sem a impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, inviabiliza o exame do recurso. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula n. 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 3. Consoante entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, a parte deve proceder ao cotejo analítico entre os arestos confrontados e transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio jurisprudencial, sendo insuficiente, para tanto, a mera transcrição de ementas. 5. Agravo em recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Cuida-se de agravos (fls. 3129/3136; 3138/3144; e 3146/3152) contra decisões do Presidente da Seção de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (fls. 3118/3120; 3121/3123; e 3124/3126), que inadmitiram os recursos especiais dos agravantes. Na origem, trata-se de ação de improbidade administrativa. Narra a inicial, que entre agosto de 2017 e julho de 2018, três dos requeridos, valendo-se de sua função pública junto à Santa Casa de Panorama-SP, contrataram o quarto requerido por serviços que nunca foram efetivamente prestados, visto que seu verdadeiro vínculo empregatício era mantido com empresa pertencente a um deles. Informa, ainda, que a instituição de saúde é mantida por recursos públicos e que a remuneração percebida pelo referido "funcionário fantasma" era em parte repassada diretamente ao corréu ou à sua empresa. O juízo de primeiro grau julgou parcialmente a ação, com fundamento no art. 10, incisos I, XII, c/c art. 11, inciso I, ambos da Lei n. 8.429/92. Interpuseram-se apelações. O Tribunal de Justiça prolatou acórdão assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL - Improbidade administrativa - Contratação fraudulenta de funcionário para a Santa Casa de Panorama - Sentença de procedência, em parte - Insurgência dos réus - Não cabimento - Verificados atos dolosos de improbidade administrativa por enriquecimento ilícito e lesão ao erário - Funcionário "fantasma" - Ausência de efetivo exercício do cargo pelo nomeado - Remuneração repartida entre os facilitadores da contratação ("rachadinha") - Transferências bancárias sistemáticas - Dolo específico configurado - Precedentes - Sanções impugnadas bem fixadas, nos termos do art. 12, Lei nº 8.492/1992 - Sentença mantida - Recursos não providos. O recurso especial funda-se no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, por suposta violação ao art. 1º, §§ 1º, 2º e 3º, da Lei n. 8.429/1992, com redação dada pela Lei n. 14.230/2021, bem como divergência jurisprudencial. A Corte de origem inadmitiu o recurso especial com base em dois fundamentos: (i) Aplicação da Súmula n. 7 do STJ, ao considerar que a análise das alegações quanto à ausência de dolo e de prejuízo ao erário demandaria reexame do conjunto fático-probatório; (ii) Ausência de cotejo analítico e demonstração de similitude fática, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC e art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, no que tange à alegada divergência jurisprudencial. Sobrevieram os presentes agravos (fls. 3129/3136; 3138/3144; e 3146/3152), acompanhados de contraminutas (fls. 3156/3161; 3163/1369; e 3171/3176). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CONTRATAÇÃO FRAUDULENTA DE FUNCIONÁRIO. PRESENÇA DE DOLO ESPECÍFICO CONSTATADA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. FALTA DE COTEJO ANALÍTICO NO TOCANTE À ALEGADA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. A mera reiteração das razões recursais, sem a impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, inviabiliza o exame do recurso. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula n. 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 3. Consoante entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, a parte deve proceder ao cotejo analítico entre os arestos confrontados e transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio jurisprudencial, sendo insuficiente, para tanto, a mera transcrição de ementas. 5. Agravo em recurso especial não conhecido. VOTO Verifico que parte agravante não impugnou de maneira específica e adequada os dois fundamentos sustentados pela Corte de origem para negar seguimento ao recurso especial. Quanto à incidência da Súmula n. 7, limitou-se a parte agravante a sustentar genericamente que a questão seria de direito e que o STJ poderia apreciá-la, sem, contudo, indicar os trechos do acórdão recorrido que comprovariam a existência de fatos incontroversos, nem demonstrar como a análise pretendida poderia prescindir do reexame probatório. Tal argumentação genérica não é suficiente para afastar a aplicação da súmula impeditiva, conforme norteia a jurisprudência consolidada desta Corte. Assim vem decidindo este Superior Tribunal de Justiça: .. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial. 5. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AR Esp n. 1.770.082 /SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF-5ª Região), Primeira Turma, julgado em , DJe de 26/4/2021 30/4/2021) Assim, o recorrente não se desincumbiu do ônus de demonstrar, de maneira efetiva e concreta, a forma pela qual, a partir dos fatos e provas não controvertidos mencionados no acórdão recorrido, independentemente de aprofundado reexame dos elementos probantes que integram o caderno processual, seria exequível examinar as teses recursais, o que configura desobediência ao princípio da dialeticidade (art. 932, inciso III, CPC/2015). A propósito: .. Para afastar o óbice do Enunciado 7 da Súmula do STJ, caberia à parte agravante desenvolver argumentos que demonstrassem como seria possível modificar o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias sem rever o acervo fático-probatório, esclarecendo especificamente quais fatos foram devidamente consignados no acórdão proferido e como se dá a subsunção das normas que entende violadas a eles. (AgInt no AREsp n. 2.498.984/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20/5/2024, DJe de 4/6/2024.) .. A impugnação da Súmula n. 7/STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica que lhe foi conferida e a apreciação jurídica que lhe deveria ter sido efetivamente atribuída. O recurso daí proveniente deveria se esmerar em demonstrar efetivamente que a referida súmula não se aplica ao caso concreto, e não simplesmente reiterar o recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.790.197/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 1º/7/2021). (AgInt no AREsp n. 1.795.402/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 13/4/2023.) Em relação ao fundamento referente à ausência de cotejo analítico, a agravante não transcreveu os acórdãos paradigmas, tampouco demonstrou a similitude fática ou divergência interpretativa de forma concreta e comparativa, limitando-se a afirmar que teria havido dissídio jurisprudencial. O vício de fundamentação é claro e não se prestou ao enfrentamento específico da inadmissão baseada na alínea "c" do permissivo constitucional. Nesse sentido, destaco: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HABILITAÇÃO DOS HERDEIROS. LEVANTAMENTO DOS VALORES EM DEPÓSITO JUDICIAL. PRÉVIA PARTILHA DOS BENS. CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DO STJ. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. PROVIMENTO NEGADO. 1. (..) 2. Consoante entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, a parte deve proceder ao cotejo analítico entre os arestos confrontados e transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio jurisprudencial, sendo insuficiente, para tanto, a mera transcrição de ementas. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.304.077/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 3/6/2024, DJe de 7/6/2024.) Assim, não tendo sido enfrentados, de maneira específica e fundamentada, todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, incide, no caso, a Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." Neste sentido, também o art. 932, inciso III, do CPC/2015 prevê que o relator não conhecerá do agravo que não impugna especificamente os fundamentos da decisão agravada. Destarte, verifica-se que deixou de ser observada a dialeticidade recursal exigida pelo art. 932, inciso III, do CPC/2015. Por conseguinte, o agravo em recurso especial carece do indispensável pressuposto de admissibilidade atinente à impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte a quo para não admitir o recurso especial, a atrair a incidência da Súmula n. 182 do STJ. Nesse sentido, confira-se: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AR Esp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 19/12/2022, D Je de 15/12/2022 .) Por fim, esclareço que a Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que o provimento judicial que não admite o recurso especial não é constituído por capítulos autônomos, mas, sim, por dispositivo único. Dessa forma, nas hipóteses tais como a presente, nas quais a parte Agravante não se insurge contra qualquer um dos fundamentos que alicerçam a inadmissibilidade, é inviável conhecer do agravo em recurso especial na integralidade. Colaciono ainda: .. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão caput, do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAR Esp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, D Je de 30/11/2018.) Ante o exposto, NÃO CONHEÇO dos agravos em recurso especial. É o voto.