AREsp 2980536 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque não se referia ao mesmo réu, aos crimes ou ao processo de origem; além disso o recurso careceu de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada, incidindo a Súmula 182 do STJ; houve erro grosseiro ao manejar agravo regimental contra decisão colegiada...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JANCELIO NUNES PEREIRA; Réu Condenado: JOSEANY SOARES DA MOTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial E Decisão De Mérito Negando Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial; no mérito, nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Admissibilidade Recursal, Súmulas, Fungibilidade Recursal, Regime De Cumprimento De Pena, Reexame De Provas (súmula 7)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JANCELIO NUNES PEREIRA
Agravante
JOSEANY SOARES DA MOTA
Réu Condenado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial E Decisão De Mérito Negando Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 interposição de recurso por pessoa estranha aos autos
- 2 recurso referido a outro processo/número de processo
- 3 alegada violação aos arts. 158, 167 e 168 do Código de Processo Penal
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque não se referia ao mesmo réu, aos crimes ou ao processo de origem; além disso o recurso careceu de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada, incidindo a Súmula 182 do STJ; houve erro grosseiro ao manejar agravo regimental contra decisão colegiada e a pretensão defensiva demandaria reexame do conjunto probatório, vedado pela Súmula 7 do STJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial; no mérito, nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL interposto por JANCELIO NUNES PEREIRA (fls. 473/479), para impugnar a decisão proferida pelo Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, que não admitiu o recurso especial (fls. 465/467). Consta dos autos que JOSEANY SOARES DA MOTA foi condenado à pena de 01 (um) ano, 05 (cinco) meses e 15 (quize) dias de reclusão, 03 (três) anos, 01 (um) mês e 06 (seis) dias de detenção e 418 (quatrocentos e dezoito) dias-multa, em regime inicial fechado, pela prática dos crimes tipificados no art. 147-B do Código Penal c/c art. 7º, II da Lei 11.340/06, no art. 24-A da Lei 11.340/06 e no art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro, na forma do art. 69 do Código Penal. A defesa de JOSEANY SOARES DA MOTA interpôs recurso especial com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, por alegada violação ao art. 158 e ao art. 167, ambos do Código de Processo Penal (fls. 448/454). Não admitido o recurso especial (fls. 465/467), a defesa de JANCELIO NUNES PEREIRA (fls. 473/479) interpôs o presente agravo em recurso especial, tratando, assim, de interposição de recurso por pessoa estranha aos autos, e abordando crimes que não são objetos destes autos, e referenciando outro número de processo. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do agravo em recurso especial, por incidência da Súmula 182 do STJ, aduzindo a falta de impugnação a fundamentos da decisão agravada (fls. 538/540). É o relatório. DECIDO. Deixo de conhecer do agravo em recurso especial, por verificar que o recurso interposto não se refere à pessoa condenada nestes autos, nem aos crimes em questão, nem ao processo de origem. Além disso, no que concerne aos fundamentos deduzidos no recurso especial interposto, o Tribunal de origem, a partir de minuciosa fundamentação, reputou pela ausência de impugnação específica aos argumentos da decisão que não conheceu do agravo interno, ante a ocorrência de erro grosseiro, assim como pela ausência de demonstração precisa de como a transgressão ao art. 168 e ao art. 167 do CPP teria ocorrido. Colhem-se os seguintes trechos da fundamentação: "Inicialmente, verifica-se que a recorrente, em seu arrazoado, deixou de contestar os argumentos próprios da decisão do agravo interno, ou seja, o não conhecimento do agravo interno, ante a ocorrência de erro grosseiro, referindo-se apenas a questões de mérito atinentes a outros recursos, de forma que incidiu, neste apelo nobre, em violação ao princípio da dialeticidade, atraindo a incidência, por analogia, do enunciado sumular n. 284 do Supremo Tribunal Federal.. Ademais, com relação à citada violação aos arts. 158 e 167 do Código de Processo Penal, não houve demonstração precisa de como a transgressão da norma federal supostamente violada teria ocorrido, limitando-se a parte recorrente apenas em citar os dispositivos legais relacionados. Assim, incorreu em deficiência de fundamentação recursal. Já com relação a outros conteúdos mencionados nas razões recursais, constata-se que a parte recorrente não indicou, de forma específica e clara, quais dispositivos de lei federal foram supostamente violados pela decisão combatida, incorrendo, também, em deficiência de fundamentação recursal, que, da mesma forma, atrai o óbice sumular 284 do STF, aplicado analogicamente". Observa-se que o recurso especial interposto não enfrentou os fundamentos expostos no acórdão que não conheceu do agravo interno anteriormente interposto, limitando-se a alegar que o princípio da fungibilidade recursal deve ser aplicado quando a inadequação do recurso não decorre de má-fé ou negligência, mas sim de uma interpretação razoável e plausível dos fatos, e, no mérito, que busca a revisão da pena aplicada. Citou, ainda, que a parte ré é primária e de bons antecedentes, e que, indeferir um habeas corpus nesse caso, poderia ser interpretado como uma contrariedade à norma federal que garante o habeas corpus como instrumento de proteção ao direito de ir e vir. O art. 284 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba prevê que os despachos e decisões do relator e dos Presidentes do Tribunal, do Conselho da Magistratura e das Câmaras, que causarem prejuízo ao direito da parte, ou seja, cabe agravo interno contra despachos e decisões monocráticas, ou do relator ou dos Presidentes dos órgãos ali mencionados. Há, ainda, entendimento sumular do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba sobre a questão (Súmula 03): "Das decisões proferidas pelo Tribunal Pleno e órgãos fracionários não cabe agravo regimental". Na mesma esteira, o art. 258 e o art. 259 do Regimento do Superior Tribunal de Justiça dispõem que não cabe a interposição de agravo regimental contra decisão colegiada. Além disso, em suas decisões, o Superior Tribunal de Justiça caracteriza o manejo do agravo regimental contra decisão colegiada como erro grosseiro, insuscetível de aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Sendo assim, correta a decisão que não conheceu do agravo interno interposto contra o acórdão que julgou os embargos de declaração opostos contra o acórdão condenatório (fls. 443/444). No que toca à alegada violação ao art. 158 e ao art. 167 do Código de Processo Penal e ao direito de ir e vir de réu supostamente primário e com bons antecedentes, verifica-se que não houve por parte do agravante a devida contextualização e impugnação específica das razões explicitadas no acórdão condenatório. Portanto, o conhecimento do agravo encontra óbice na Súmula 182 do STJ. As alegações defensivas não se sustentam em breve análise da sentença e do acórdão condenatórios, nos quais se extrai que o réu não é primário e não ostenta bons antecedentes, uma vez que constam em relação a ele processos de execução de pena, um tombado pelo nº 9000181-77.2022.8.15.0131 e outros. Além disso, o réu foi preso em flagrante, enquanto se encontrava em cumprimento de outra pena, o que foi reconhecido pelo juiz sentenciante e pelo órgão julgador em Segunda Instância, como circunstância judicial desfavorável. Quanto ao tema, a Súmula 269 do Superior Tribunal de Justiça admite a adoção do regime fechado para os reincidentes se as circunstâncias judiciais não forem favoráveis, como no presente caso. Não há de se acolher, desse modo, a partir da fundamentação esposada pela instância inferior, a tese defensiva que, embora apresentada de forma extremamente confusa, parece pleitear a fixação de regime de pena menos gravoso. De rigor, portanto, invocar a Súmula nº 83 desta Corte Superior, segundo a qual "não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Isso porque "o agravante não demonstrou a inaplicabilidade da Súmula n. 83 do STJ, pois não apresentou precedentes contemporâneos que evidenciassem a desarmonia do julgado com o entendimento jurisprudencial do STJ" (AREsp 2714789 / BA, QUINTA TURMA, de minha relatoria, DJEN 17/02/2025). Ainda que assim não fosse, o acolhimento da pretensão defensiva depende da incursão no conjunto probatório dos autos, providência que não se coaduna com a via do recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do STJ (AgRg no HC n. 935.909/GO, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 26/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.419.600/DF, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 24/10/2023, DJe de 31/10/2023). Desse modo, "a pretensão de reexame de provas para modificar as conclusões das instâncias ordinárias encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ, que impede o recurso especial para simples reavaliação do conjunto fático-probatório" (AgRg no AREsp 2780228 / MS, QUINTA TURMA, de minha relatoria, DJEN 11/02/2025). Frise-se, ademais, ser intransponível o não conhecimento do agravo em recurso especial, porquanto tenha sido a referida impugnação realizada com referência a outro réu, a outros crimes e a outro processo de origem, de número 0803786-54.2022.8.15.0131 (enquanto o presente processo de origem tem numeração 0802867-65.2022.8.15.0131), totalmente distintos do caso em questão. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça; no mérito, nego provimento ao recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, "b", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA