AREsp 2991905 - ACORDAO
O acórdão recorrido analisou e decidiu suficientemente a lide ao fundamentar a improcedência na ausência de nexo de causalidade entre a conduta da credenciadora e os danos, não havendo omissão apta a configurar violação do art. 1.022, II, do CPC; os dispositivos da Lei 9.613/98 e da Lei 12.865/2013 apontados não...
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- Parties
- Agravante: BANCO ITAUCARD S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Admissibilidade Agravo Não Conhecido
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Ação De Regresso, Fraude Bancária, Responsabilidade Civil Da Credenciadora, Nexo De Causalidade, Prequestionamento, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 7/stj, Súmula 282/stf, Súmula 284/stf
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Parties
BANCO ITAUCARD S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Admissibilidade Agravo Não Conhecido
Legal Issues
- 1 se o recurso especial deveria ser admitido
- 2 ofensa ao artigo 1.022, II, do CPC por omissão
- 3 prequestionamento de dispositivos (Lei 9.613/98 e Lei 12.865/2013)
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido analisou e decidiu suficientemente a lide ao fundamentar a improcedência na ausência de nexo de causalidade entre a conduta da credenciadora e os danos, não havendo omissão apta a configurar violação do art. 1.022, II, do CPC; os dispositivos da Lei 9.613/98 e da Lei 12.865/2013 apontados não foram debatidos na origem, inexistindo prequestionamento (Súmula 282/STF); e as demais alegações demandariam reexame do contexto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ, de modo que o agravo não foi conhecido.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Agravo em recurso especial não conhecido.
- Honorários recursais não majorados.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 21/10/2025 a 27/10/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REGRESSO. FRAUDE BANCÁRIA. RESPONSABILIDADE DA CREDENCIADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO. NEXO DE CAUSALIDADE. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULAS 7/STJ E 282/STF. AGRAVO NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal. 2. A parte agravante alegou violação ao artigo 1.022, II, do CPC, por ausência de enfrentamento de matéria essencial ao julgamento da lide, além de violação aos artigos 14 e 18 do Código de Defesa do Consumidor, 927 do Código Civil, 10, I a V, da Lei 9.613/98, 7º, V, da Lei 12.865/2013 e 373, II, do CPC. 3. A decisão de inadmissibilidade entendeu que: (i) não houve ofensa ao artigo 1.022, II, do CPC, pois as questões foram suficientemente decididas e fundamentadas; (ii) as razões apresentadas foram genéricas, atraindo a incidência da Súmula 284/STF; e (iii) a análise da alegada vulneração exigiria o reexame de provas, atraindo o óbice da Súmula 7/STJ. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o recurso especial deveria ser admitido, considerando que a parte agravante opõe: (i) ter havido a violação ao artigo 1.022, II, do CPC, por ausência de enfrentamento de matéria essencial; (ii) que existiu a exposição de argumentação suficiente sobre a violação aos dispositivos legais invocados; (iii) a desnecessidade de reexame de fatos e provas, pois bastaria a matéria fática estabilizada pelo Acórdão. III. Razões de decidir 5. O Acórdão recorrido se fundamentou na ausência de nexo causal entre a conduta da recorrida e os danos experimentados reflexamente pela parte recorrente. Assim, a lide, que versava sobre responsabilidade civil, foi suficientemente analisada e decidida, afastando a alegada violação ao artigo 1.022, II, do CPC. 6. Como o Acórdão se baseou, exclusivamente, na análise do nexo de causalidade para manter a improcedência dos pedidos, a análise do teor do acórdão recorrido indica que os artigos 10, inc. I a V, da Lei 9.613/98 e 7º, cabeça e inciso V, da Lei 12.865/2013 não foram debatidos pela Corte de origem, não havendo, sequer, prequestionamento implícito. Incidência da Súmula n. 282/STF. 7. A análise das alegações de violação aos artigos 14 e 18 do Código de Defesa do Consumidor, 927 do Código Civil e 373, II, do CPC demandaria o reexame de fatos e provas, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. IV. Dispositivo 8. Agravo em recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de Agravo em Recurso Especial interposto por BANCO ITAUCARD S.A. contra decisão que inadmitiu o recurso especial. O Recurso Especial foi interposto com fundamento no artigo 105, inc. III, alínea "a", da Constituição Federal. A parte recorrente alegou que o Acórdão recorrido violara o artigo 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil por não ter enfrentado matéria essencial ao julgamento da lide (exigência de um único documento para abertura de conta, obtenção de lucro, atribuições legais da credenciadora e ônus da prova). Sustentou também a violação aos artigos 14 e 18 do Código de Defesa do Consumidor e 927 do Código Civil, em virtude do não reconhecimento da responsabilidade solidária da recorrida pela fraude bancária. Invocou os deveres da recorrida, na qualidade de credenciadora, perante o sistema de pagamentos, asseverando que o Acórdão afrontara os artigos 10, inc. I a V, da Lei 9.613/98 e 7º, cabeça e inciso V, da Lei 12.865/2013. Por fim, argumentou ter havido a violação ao artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil, pois competiria à recorrida a demonstração de que cumpriu os deveres de vigilância e monitoramento. A Presidência da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo não admitiu o recurso especial por entender que (I) não houve ofensa ao artigo 1.022, inc. II, do CPC, visto que as questões foram suficientemente decididas e fundamentadas; (II) em relação aos demais dispositivos, as razões foram apresentadas de forma genérica, pois não basta a alusão a dispositivos, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF; (III) a análise da alegada vulneração exige o reexame de provas, atraindo o óbice da Súmula n. 7/STJ. No Agravo em Recurso Especial, a parte agravante contrapôs que os pontos omitidos pelo Tribunal de origem são essenciais para a devida composição do litígio e já haviam sido alegados no recurso de apelação; que o recurso está vastamente fundamentado, não incidindo a Súmula n. 284/STF; e, por fim, que inaplicável a Súmula n. 7/STJ, uma vez que o contexto fático-probatório está materializado no próprio Acórdão recorrido. Intimada nos termos do art. 1.042, § 3º, do Código de Processo Civil, a parte agravada opôs, ao conhecimento do recurso, o óbice da Súmula n. 182/STJ. No mérito, sustentou o acerto da decisão recorrida. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REGRESSO. FRAUDE BANCÁRIA. RESPONSABILIDADE DA CREDENCIADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO. NEXO DE CAUSALIDADE. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULAS 7/STJ E 282/STF. AGRAVO NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal. 2. A parte agravante alegou violação ao artigo 1.022, II, do CPC, por ausência de enfrentamento de matéria essencial ao julgamento da lide, além de violação aos artigos 14 e 18 do Código de Defesa do Consumidor, 927 do Código Civil, 10, I a V, da Lei 9.613/98, 7º, V, da Lei 12.865/2013 e 373, II, do CPC. 3. A decisão de inadmissibilidade entendeu que: (i) não houve ofensa ao artigo 1.022, II, do CPC, pois as questões foram suficientemente decididas e fundamentadas; (ii) as razões apresentadas foram genéricas, atraindo a incidência da Súmula 284/STF; e (iii) a análise da alegada vulneração exigiria o reexame de provas, atraindo o óbice da Súmula 7/STJ. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o recurso especial deveria ser admitido, considerando que a parte agravante opõe: (i) ter havido a violação ao artigo 1.022, II, do CPC, por ausência de enfrentamento de matéria essencial; (ii) que existiu a exposição de argumentação suficiente sobre a violação aos dispositivos legais invocados; (iii) a desnecessidade de reexame de fatos e provas, pois bastaria a matéria fática estabilizada pelo Acórdão. III. Razões de decidir 5. O Acórdão recorrido se fundamentou na ausência de nexo causal entre a conduta da recorrida e os danos experimentados reflexamente pela parte recorrente. Assim, a lide, que versava sobre responsabilidade civil, foi suficientemente analisada e decidida, afastando a alegada violação ao artigo 1.022, II, do CPC. 6. Como o Acórdão se baseou, exclusivamente, na análise do nexo de causalidade para manter a improcedência dos pedidos, a análise do teor do acórdão recorrido indica que os artigos 10, inc. I a V, da Lei 9.613/98 e 7º, cabeça e inciso V, da Lei 12.865/2013 não foram debatidos pela Corte de origem, não havendo, sequer, prequestionamento implícito. Incidência da Súmula n. 282/STF. 7. A análise das alegações de violação aos artigos 14 e 18 do Código de Defesa do Consumidor, 927 do Código Civil e 373, II, do CPC demandaria o reexame de fatos e provas, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. IV. Dispositivo 8. Agravo em recurso especial não conhecido. VOTO O agravo é tempestivo, nos termos do art. 1.003, § 5º, do Código de Processo Civil. A análise dos argumentos recursais não indica, contudo, a existência de fundamentos que sustentem a reforma da decisão recorrida, cujos fundamentos transcrevo para que passem a fazer parte da presente decisão: "(..) II. O recurso não reúne condições de admissibilidade. Fundamentação da decisão: Não se verifica a pretendida ofensa ao art. 1.022, II, do CPC, porquanto as questões trazidas à baila foram todas apreciadas pelo V. Acórdão atacado, naquilo que à D. Turma Julgadora pareceu pertinente à apreciação do recurso, com análise e avaliação dos elementos de convicção carreados para os autos. Nesse sentido: "Se as questões trazidas à discussão foram dirimidas, pelo Tribunal de origem, de forma suficientemente ampla, fundamentada e sem omissões, obscuridades ou contradições, devem ser afastadas as alegadas ofensas ao artigo 1022 do Código de Processo Civil de 2015" (agravo interno no agravo em recurso especial 1297677/PA, Relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, in DJe de 26.06.2020). Ofensa aos arts. 14 e 18 do CDC; 927, parágrafo único, do CC; 10, I a V, da Lei 9.613/1998; 7º, V, da Lei 12.865/2013 e 373, II, do CPC: Não ficou demonstrada a alegada vulneração aos dispositivos arrolados, pois as exigências legais na solução das questões de fato e de direito da lide foram atendidas pelo V. Acórdão ao declinar as premissas nas quais assentada a decisão. Nesse sentido, o E. Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que "a simples alusão a dispositivos, desacompanhada da necessária argumentação que sustente a alegada ofensa à lei federal, não se mostra suficiente para o conhecimento do recurso especial" (Agravo em Recurso Especial 1871253/DF, Relator Ministro Marco Buzzi, in DJe de 09.08.2022). Além disso, ao decidir da forma impugnada, a D. Turma Julgadora o fez diante das provas e das circunstâncias fáticas próprias do processo sub judice, certo que as razões do recurso ativeram-se a uma perspectiva de reexame desses elementos. Mas isso é vedado pelo enunciado na Súmula 7 do E. Superior Tribunal de Justiça. III. Pelo exposto, INADMITO o recurso especial, com base no art. 1.030, V, do CPC." No presente processo, a parte agravante afirma, em suma, que estão presentes os requisitos para o conhecimento e provimento de seu recurso. Ocorre, contudo, que a questão já foi enfrentada pela decisão recorrida, que analisou detidamente todas as questões jurídicas postas. De saída, no que tange à alegação de afronta aos artigos 1.022 e 489 do Código de Processo Civil, certo é que "Afasta-se a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, pois não se constatam omissão, obscuridade ou contradição nos acórdãos recorridos capazes de torná-los nulos. O colegiado originário apreciou a demanda de forma clara e precisa, deixando bem delineados os fundamentos dos julgados. " (AgInt no AREsp n. 2.441.987/DF, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 17/2/2025, DJEN de 20/2/2025.) Efetivamente, em consulta os autos, colhe-se que a Corte de origem, embora de modo sucinto, analisou e decidiu fundamentadamente a lide, sendo certo que a ausência de menção a um outro argumento invocado pela defesa não macula o comando decisório se, bem fundamentado, apresenta razões capazes de se sustentar por si. Isso, porque o Acórdão se assenta na premissa corriqueira de que a ausência de nexo de causalidade é suficiente para impedir a imposição do dever de indenizar. Por tal razão, limitou-se a afirmar, tal qual na Sentença, que não houve nexo de causalidade entre a atividade da recorrida de credenciadora no mercado de cartões de crédito e a fraude bancária perpetrada contra consumidor e que culminou na responsabilização da recorrente. Eis o respectivo trecho do Acórdão: "Ademais, não há demonstração de qualquer falha na prestação do serviço pela empresa intermediadora. O fato de ser a parte ré a intermediadora do pagamento realizado pelo terceiro de má-fé com o cartão fraudado não a torna responsável pela fraude, que só foi possível em razão da falha na prestação de serviços da requerente, ao permitir a transação fraudulenta no valor de R$ 1.569,00, ante a inobservância dos padrões de segurança para tanto, ao autorizar compra que fugia ao perfil do consumidor. O nexo causal imediato, portanto, é atribuível à parte autora, e não à requerida. Vê-se que a parte autora pretende transferir à parte ré o prejuízo que amargou em razão de fraude para a qual ela em nada contribuiu, nem tampouco foi beneficiada pelo recebimento dos valores objeto do estelionato. (..) Inexistente, assim, nexo causal entre os danos experimentados pela vítima e a conduta atribuída à empresa intermediadora de pagamento. Não podendo a instituição bancária atribuir à empresa intermediadora os danos suportados por sua própria falha na prestação de serviços, não há que se acolher a postulação deduzida na inicial.". Assim, "Não procede a arguição de ofensa ao 1.022 do CPC, quando o Tribunal Estadual se pronuncia, de forma motivada e suficiente, sobre os pontos relevantes e necessários ao deslinde da controvérsia." (AgInt no REsp n. 1.899.000/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 21/8/2023, DJe de 23/8/2023.) Ressalte-se que não se pode confundir decisão desfavorável aos interesses da parte com negativa de prestação jurisdicional, tampouco fundamentação concisa com ausência de fundamentação. Nesse sentido, destaca-se o seguinte precedente: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. MULTA DIÁRIA. REVISÃO DA NECESSIDADE E DO VALOR FIXADO DEMANDA O REVOLVIMENTO DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7/STJ. 1. "Não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp n. 1.907.401/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 29/8/2022). (AgInt no AREsp n. 2.746.371/PE, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 17/3/2025, DJEN de 20/3/2025.) Portanto, constatado que o Acórdão está suficientemente fundamentado (a ausência de um dos elementos da responsabilidade civil - no caso, o nexo causal - impede a imputação do dever de indenizar), não há a alegada violação ao artigo 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil. Como o Acórdão se baseou, exclusivamente, na análise do nexo de causalidade (concluindo pela ausência) para manter a improcedência dos pedidos, a análise do teor do acórdão recorrido indica que os artigos 10, inc. I a V, da Lei 9.613/98 e 7º, cabeça e inciso V, da Lei 12.865/2013 não foram debatidos pela Corte de origem, não havendo, sequer, prequestionamento implícito. Por força constitucional (art. 105, III, da CRFB/88), ao Superior Tribunal de Justiça somente é dado o julgamento em recurso especial "das causas decididas, em única ou última instância", uma vez que, presente a finalidade revisional da insurgência recursal, não se mostra viável o pronunciamento originário a respeito de matérias ainda não discutidas na origem. Destarte, "a falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial impede seu conhecimento, a teor da Súmula nº 282/STF." (AgInt no AREsp n. 2.582.153/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 26/8/2024, DJe de 29/8/2024.) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1022 DO CPC/15. INOCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356/STF. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. DECISÃO MANTIDA. (..) 5. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados e dos argumentos invocados pelo recorrente impede o conhecimento do recurso especial (súmulas 282 e 356/STF). 6. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado - quando suficiente para a manutenção de suas conclusões - impede a apreciação do recurso especial. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.228.031/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 30/8/2023.) DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OPERAÇÃO ENTERPRISE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BEM QUE AINDA INTERESSA AO PROCESSO. POSSIBILIDADE DE PERDIMENTO. INVIABILIDADE DO REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7, STJ. TESE DE VIOLAÇÃO AO ART. 49-A, CC. FATOS CRIMINOSOS ATRIBUÍDOS AO ADMINISTRADOR DA EMPRESA. POSSIBILIDADE DE CONSTRIÇÃO DE BENS DE PESSOA JURÍDICA SUPOSTAMENTE UTILIZADA NA LAVAGEM DE CAPITAIS. PRECEDENTES. VIOLAÇÃO AO ART. 156, CPP. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282, STF. I - É inviável o reexame de fatos e provas para afastar as conclusões do Tribunal a quo de que há fortes indícios de que foram utilizados recursos decorrentes de atividades criminosas para adquirir o veículo sobre o qual versa o pedido de restituição. Incidência da Súmula n. 7, STJ. II - Segundo a jurisprudência desta Corte, é possível determinar a constrição de bens de pessoas jurídicas quando houver indícios de que elas tenham sido utilizadas para a prática delitiva ou para ocultar ativos decorrentes de atividades ilícitas. Precedentes. III - Para que se configure o prequestionamento, há que se extrair do acórdão recorrido pronunciamento sobre as teses jurídicas em torno do dispositivo legal tido como violado, a fim de que se possa, na instância especial, abrir discussão sobre a correta aplicação da lei federal. IV - No caso sob exame, não se verificou, a partir da leitura dos acórdãos recorridos, discussão efetiva acerca do ônus da prova e do art. 156 do Código de Processo Penal, de modo que deve ser mantido o óbice da Súmula n. 282, STF. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 2333928 / PR, RELATOR Ministro MESSOD AZULAY NETO, QUINTA TURMA, DATA DO JULGAMENTO 04/06/2024, DATA DA PUBLICAÇÃO/FONTE DJe 07/06/2024) Dessa forma, "para que se tenha por satisfeito o requisito do prequestionamento, "há que se extrair do acórdão recorrido pronunciamento sobre as teses jurídicas em torno dos dispositivos legais tidos como violados, a fim de que se possa, na instância especial, abrir discussão sobre determinada questão de direito, definindo-se, por conseguinte, a correta interpretação da legislação federal" (AgInt no AREsp 1.487.935/SP, 4ª Turma, DJe 04/02/2020)." (AgInt no REsp n. 1.815.548/AM, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 4/5/2020, DJe de 7/5/2020.) É certo que: "Esta Corte admite o prequestionamento implícito dos dispositivos tidos por violados, desde que os temas correspondentes tenham sido expressamente discutidos no Tribunal local (..)" (AgInt no AREsp n. 2.423.648/PE, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 13/11/2024.) Entretanto, para que se considere ocorrido o prequestionamento implícito, há de se ter presente, no caso concreto, a discussão da temática fático-jurídica que se pretende ver revisada nesta Corte, não se podendo cogitar de pronunciamento inaugural a respeito do enfoque pretendido pela parte recorrente em sede especial. Daí porque, tem-se reiterado neste colegiado que "não basta ao cumprimento do requisito do prequestionamento a mera oposição de embargos de declaração na origem." (AgInt no REsp n. 1.815.548/AM, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 4/5/2020, DJe de 7/5/2020.) No presente feito, o Acórdão recorrido não se debruçou para os demais elementos da responsabilidade civil, fixando-se, tão somente, no nexo causal, de modo que não tratou dos artigos 10, inc. I a V, da Lei 9.613/98 e 7º, cabeça e inciso V, da Lei 12.865/2013, ou mesmo da respectiva tese jurídica ora trazida a esta Corte, de modo que "Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, de dispositivos apontados como violados no recurso especial, incide o disposto na Súmula nº 282/STF. " (AgInt no AREsp n. 1.701.763/SC, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 6/12/2021, DJe de 13/12/2021.) Por fim, em relação à violação aos artigos 14 e 18 do Código de Defesa do Consumidor, 927 do Código Civil e 373, inciso II, do Código de Processo Civil, de fato, a avaliação de sua ocorrência demandaria a análise do contexto fático-probatório para além dos fatos estabilizados pelo Acórdão recorrido. Logo, para conhecer da controvérsia apresentada neste recurso, mostra-se necessário o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento incompatível com o entendimento firmado pela Súmula nº 7 deste Superior Tribunal de Justiça, que estabelece que: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." Presente a função uniformizadora do Recurso Especial, não se pode cogitar de seu emprego para a realização de rejulgamento do contexto fático-probatório, em atitude típica de revisão promovida por nova instância. Diante disso, é reiterada a jurisprudência desta Corte que assenta que "o reexame de fatos e provas (é) vedado em recurso especial pela Súmula nº 7 do STJ."(AgInt no REsp n. 2.151.760/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 9/12/2024, DJEN de 12/12/2024.) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL CUMULADA COM RESTITUIÇÃO DE VALORES E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RESTITUIÇÃO DE QUANTIA PAGA. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. RESOLUÇÃO POR CULPA DA CONSTRUTORA/VENDEDORA. DEVOLUÇÃO DA COMISSÃO DE CORRETAGEM. PRESCRIÇÃO. PRAZO TRIENAL. INAPLICABILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. Ação de rescisão contratual cumulada com restituição de valores e indenização por danos morais e materiais. 2. Alterar o decidido no acórdão impugnado no que se refere às teses atinentes à alegada ilegitimidade passiva dos recorrentes no tocante à relação jurídica havida entre as partes e à delimitação de suposta responsabilidade, envolve o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. (..) (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.627.058/MG, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 13/11/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 283 DO STF, POR ANALOGIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. REFORMA DO JULGADO. ANÁLISE DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. NÃO CABIMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. TEMA NÃO DEBATIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 282 DO STF. PREQUESTIONAENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NECESSIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A falta de impugnação a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido acarreta o não conhecimento do recurso. Inteligência da Súmula n.º 283 do STF, aplicável, por analogia, ao recurso especial. 2. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n.º 7 do STJ. (..) (AgInt no AREsp n. 2.662.287/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/10/2024, DJe de 30/10/2024.) Não há, portanto, dúvida acerca da inaptidão do recurso especial para promover a revisão do quadro fático-probatório, viabilizando reformar da compreensão firmada pela Corte de origem acima do tema. Não se quer dizer, contudo, que o debate do quadro fático não possa ser revisado nesta instância especial. Ao revés, é também pacífico o entendimento de que: "a revaloração jurídica de fatos e provas incontroversos delineados no acórdão impugnado afasta a aplicação da Súmula nº 7 do STJ na espécie." (AgInt no AREsp n. 1.742.678/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 8/6/2021, DJe de 11/6/2021.) Cuida-se, contudo, de ônus imputado à parte recorrente, que não pode se limitar a afirmar que sua pretensão demanda apenas o reenquadramento fático à moldura legal pretendida, devendo, isto sim, evidenciar, objetivamente, que a análise fática estabilizada melhor se enquadra em outra forma jurídica. Daí porque este colegiado também tem afirmado, reiteradamente, que "No tocante às Súmulas nºs 5 e 7/STJ, não basta a parte sustentar genericamente a não aplicação dos óbices, sem explicitar, à luz do contexto fático delineado no acórdão e da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame fático-probatório ou da análise das cláusulas contratuais." (AgInt no AREsp n. 2.250.305/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 6/10/2023.) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA A TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, DO NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo n.º 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/73), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (incidência das Súmulas n.ºs 5 e 7 do STJ e 284 do STF). 3. Não basta para considerar "especificamente impugnados" os fundamentos da decisão recorrida a mera transcrição de súmulas ou reprodução de dispositivos legais violados. Necessário, além das indicações expressas e claras, a sua vinculação aos fatos tal como analisados pelo acórdão ou decisão para então, mediante enfrentamento dialético desse conjunto de permissivos constitucionais em face do exame soberano do material de cognição pela Corte estadual, se chegar ao almejado entendimento de que a classificação jurídica concluída não espelha o melhor direito ao caso. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.925.017/SC, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 5/9/2022, DJe de 8/9/2022.) No presente feito, o acolhimento da tese recursal atinente à verificação de conduta capaz de produzir os resultados danosos que atingiram reflexamente o patrimônio da recorrente demandaria inevitável revisão do quadro fático-probatório estabelecido na instância de origem, providência que, como visto, é inviável nesta sede. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Deixo de majorar os honorários recursais, posto que a providência é incabível na espécie, já que fixados no patamar máximo pelas instâncias ordinárias. É o voto.