AREsp 3126055 - ACORDAO
Não conhecimento do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica aos fundamentos que negaram seguimento ao recurso especial na origem; consequentemente, manter-se a decisão recorrida e negar provimento ao agravo interno.
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- Parties
- Apelante: Fazenda do Estado de São Paulo; Apelante: Massa Falida de Selecta Comércio e Indústria S.A.; Autora: Silvana Conceição dos Santos
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 June 2026
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Colegiada (segunda Turma) Agravo Interno Contra Não Conhecimento De Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Agravo interno improvido; mantida a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Agravo Interno, Admissibilidade Recursal, Responsabilidade Civil Do Estado, Impugnação De Fundamentos, Preclusão Consumativa, Súmula 7/stj
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Parties
Fazenda do Estado de São Paulo
Apelante
Massa Falida de Selecta Comércio e Indústria S.A.
Apelante
Silvana Conceição dos Santos
Autora
Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Colegiada (segunda Turma) Agravo Interno Contra Não Conhecimento De Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial que não ataca os fundamentos da decisão recorrida deve ser conhecido
- 2 Se a impugnação tardia dos fundamentos configura inovação recursal e está preclusa
- 3 Responsabilidade civil do Estado pela atuação da Polícia Militar em desocupação judicial
Ratio Decidendi
Não conhecimento do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica aos fundamentos que negaram seguimento ao recurso especial na origem; consequentemente, manter-se a decisão recorrida e negar provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno improvido; mantida a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica aos fundamentos de inadmissibilidade.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 21/05/2026 a 27/05/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Teodoro Silva Santos. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. DESOCUPAÇÃO DE ÁREA PELA PO LÍCIA MILITAR. NESTA CORTE NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I - A decisão considerou a presença dos seguintes óbices à admissibilidade do recurso especial: ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, ausência de afronta a dispositivo legal e súmula 7/STJ. II - A parte agravante, entretanto, deixou de impugnar os seguintes fundamentos na petição de agravo em recurso especial: ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, ausência de afronta a dispositivo legal e súmula 7/STJ. III - Incumbe à parte, no agravo em recurso especial, atacar os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso na origem. Não o fazendo, é correta a decisão que não conhece do agravo nos próprios autos. As alegações apresentadas são insuficientes, pela sua generalidade, para impugnar os fundamentos específicos da decisão que negou seguimento ao recurso especial na origem. Cabia à parte, em conformidade com a jurisprudência, trazer argumentos que confrontassem os fundamentos de negativa de seguimento ao recurso especial, e não fundamentos genéricos e sem nenhuma vinculação dialética com a matéria tratada nos autos. IV - Conforme a jurisprudência, a impugnação tardia dos fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso especial (somente por ocasião do manejo de agravo interno), além de caracterizar imprópria inovação recursal, não afasta o vício do agravo em recurso especial, ante a preclusão consumativa. Precedentes: AgInt no AREsp 888.241/ES, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 19/4/2017; AgInt no AREsp 1.036.445/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 4/4/2017, DJe 17/4/2017; AgInt no AREsp 1.006.712/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 9/3/2017, DJe 16/3/2017. V - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial por falta de impugnação de fundamentos de inadmissibilidade do recurso especial na origem. O recurso especial foi interposto contra acórdão com o seguinte resumo: DIREITO CIVIL. APELAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL. RECURSO PROVIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. L CASO EM EXAME 1. RECURSOS DE APELAÇÃO INTERPOSTOS PELA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO E PELA MASSA FALIDA DE SELECTA COMÉRCIO E INDÚSTRIA S.A. CONTRA SENTENÇA QUE JULGOU EXTINTA A RECONVENÇÃO E PROCEDENTE A AÇÁO DE RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANOS MATERIAIS E MORAIS AJUIZADA POR SILVANA CONCEIÇÃO DOS SANTOS. A SENTENÇA CONDENOU A FAZENDA A PAGAR INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E, JUNTAMENTE COM A MASSA FALIDA, POR DANOS MATERIAIS A SEREM APURADOS EM LIQUIDAÇÃO. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A QUESTÃO EM DISCUSSÃO CONSISTE EM: (I) A RESPONSABILIDADE CIVIL DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO PELA ATUAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR NA DESOCUPAÇÃO DA ÁREA; (II) A RESPONSABILIDADE DA MASSA FALIDA DE SELECTA COMÉRCIO E INDÚSTRIA S.A. COMO DEPOSITÁRIA DOS BENS DOS OCUPANTES; (III) A ADMISSIBILIDADE DA RECONVENÇÃO PROPOSTA PELA MASSA FALIDA. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. NÃO RESTOU COMPROVADA A ILICITUDE NA CONDUTA DOS PREPOSTOS DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO, QUE ATUARAM EM ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL DURANTE A DESOCUPAÇÃO. 4. INEXISTÊNCIA DE PROVA SUFICIENTE DO DEPÓSITO DOS BENS PELA MASSA FALIDA, NÃO SE PODENDO IMPUTAR RESPONSABILIDADE POR PRESUNÇÃO. A RECONVENÇÃO FOI CORRETAMENTE EXTINTA SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO POR FALTA DE INTERESSE DE AGIR. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. RECURSO DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO PROVIDO E RECURSO DA MASSA FALIDA DE SELECTA COMÉRCIO E INDÚSTRIA S.A. PARCIALMENTE PROVIDO. TESE DE JULGAMENTO: 1. A ATUAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR EM CUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL NÃO CONFIGURA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. 2. A AUSÊNCIA DE PROVA DO DEPÓSITO DOS BENS AFASTA A RESPONSABILIDADE DA MASSA FALIDA. LEGISLAÇÃO CITADA: CPC: ART. 485. VI; ART. 556; ART. 343; ART. 85, §1º, §8º: §11; ART. 98: §3º JURISPRUDÊNCIA CITADA: TJSP. APELAÇÃO CÍVEL 1000697-34.2014.8.26.0577. REI. SPOLADORE DOMINGUEZ: J. 13/12/2023. TJSP, APELAÇÃO / REMESSA NECESSÁRIA 0012404-84.2012.8.26.0577. REI. ANA LIARTE: 4A CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO, J. 23/09/2024. TJSP: APELAÇÃO REMESSA NECESSÁRIA 0044249-37.2012.8.26.0577, REI. JAYME DE OLIVEIRA, 4ª CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO, J. 07/10/2024. No agravo interno, alega a parte agravante que impugnou os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. DESOCUPAÇÃO DE ÁREA PELA PO LÍCIA MILITAR. NESTA CORTE NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I - A decisão considerou a presença dos seguintes óbices à admissibilidade do recurso especial: ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, ausência de afronta a dispositivo legal e súmula 7/STJ. II - A parte agravante, entretanto, deixou de impugnar os seguintes fundamentos na petição de agravo em recurso especial: ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, ausência de afronta a dispositivo legal e súmula 7/STJ. III - Incumbe à parte, no agravo em recurso especial, atacar os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso na origem. Não o fazendo, é correta a decisão que não conhece do agravo nos próprios autos. As alegações apresentadas são insuficientes, pela sua generalidade, para impugnar os fundamentos específicos da decisão que negou seguimento ao recurso especial na origem. Cabia à parte, em conformidade com a jurisprudência, trazer argumentos que confrontassem os fundamentos de negativa de seguimento ao recurso especial, e não fundamentos genéricos e sem nenhuma vinculação dialética com a matéria tratada nos autos. IV - Conforme a jurisprudência, a impugnação tardia dos fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso especial (somente por ocasião do manejo de agravo interno), além de caracterizar imprópria inovação recursal, não afasta o vício do agravo em recurso especial, ante a preclusão consumativa. Precedentes: AgInt no AREsp 888.241/ES, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 19/4/2017; AgInt no AREsp 1.036.445/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 4/4/2017, DJe 17/4/2017; AgInt no AREsp 1.006.712/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 9/3/2017, DJe 16/3/2017. V - Agravo interno improvido. VOTO O recurso não merece provimento, pois as alegações da parte agravante são insuficientes para modificar a decisão recorrida. Alega a parte agravante que realizou a impugnação ao fundamento referente aos óbices de: ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, ausência de afronta a dispositivo legal e súmula 7/STJ . Na sua petição de agravo em recurso especial, por sua vez, a parte agravante somente trouxe alegações genéricas a respeito do óbice. As afirmações encontradas no agravo em recurso especial, quanto à negativa de seguimento relativamente ao óbice de ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, ausência de afronta a dispositivo legal e súmula 7/STJ, são insuficientes, pela sua generalidade, para impugnar os fundamentos específicos da decisão que negou seguimento ao recurso especial na origem. Cabia à parte, em conformidade com a jurisprudência, trazer argumentos que confrontassem os fundamentos de negativa de seguimento ao recurso especial, e não fundamentos genéricos e sem nenhuma vinculação dialética com a matéria tratada nos autos. Nesse sentido é a jurisprudência: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015, C/C ART. 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO REGIMENTO INTERNO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. É ônus da parte agravante combater especificamente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao recurso especial. Não bastam alegações genéricas quanto à inaplicabilidade dos óbices, sob pena de não conhecimento do recurso. .. (AgInt no AREsp n. 1.110.243/RS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 5/12/2017, DJe 15/12/2017.) A afirmação de que "a matéria em debate claramente não demanda reexame dos elementos probatórios" revela-se como combate genérico e não específico, porque compete à parte agravante demonstrar de que forma a violação aos artigos suscitada nas razões recursais não depende de reanálise do conjunto fático-probatório - deixando claro, por exemplo, que todos os fatos estão devidamente consignados no acórdão recorrido. (Decisão monocrática no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL N. 944.910 - GO, RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES.) Acrescente-se, ainda, que "a simples menção a normas infraconstitucionais, feita de maneira esparsa e assistemática no corpo das razões do apelo nobre, não supre a exigência de fundamentação adequada do Recurso Especial." (AgRg no AREsp 546.084/MG, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 4/12/2014.) PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEBIMENTO COMO AGRAVO INTERNO. FUNGIBILIDADE. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. PRINCIPIO DA DIALETICIDADE. ART. 932, III, DO CPC DE 2.015. INSUFICIÊNCIA DE ALEGAÇÃO GENÉRICA. AGRAVO NÃO PROVIDO. .. 3. O agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para a negativa de seguimento do apelo extremo, consoante expressa previsão contida no art. 932, III, do CPC de 2.015 e art. 253, I, do RISTJ, ônus da qual não se desincumbiu a parte insurgente, sendo insuficiente alegações genéricas de não aplicabilidade do óbice invocado. .. (RCD no AREsp n. 1.166.221/MG, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 5/12/2017, DJe 12/12/2017.) Não existindo impugnação à decisão que inadmitiu o recurso especial, correta a aplicação do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, para não conhecer do agravo nos próprios autos. Se não se conhece do agravo em recurso especial, não é viável a análise de argumentos relacionados ao mérito do recurso especial. Nesse sentido, os seguintes precedentes: AgRg nos EREsp n. 1.387.734/RJ, Corte Especial, relator Ministro Jorge Mussi, DJe de 9/9/2014; e AgRg nos EDcl nos EAREsp n. 402.929/SC, Corte Especial, relator Ministro João Otávio de Noronha, DJe de 27/8/2014; AgInt no AREsp n. 880.709/PR, Segunda Turma, relator Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 17/6/2016; AgRg no AREsp n. 575.696/MG, Terceira Turma, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe de 13/5/2016; AgRg no AREsp n. 825.588/RJ, Quarta Turma, relator Ministro Luis Felipe Salomão, DJe de 12/4/2016; AgRg no REsp n. 1.575.325/SC, Quinta Turma, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 1º/6/2016; e, AgRg nos EDcl no AREsp n. 743.800/SC, Sexta Turma, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 13/6/2016. Conforme a jurisprudência, a impugnação tardia dos fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso especial (somente por ocasião do manejo de agravo interno), além de caracterizar imprópria inovação recursal, não afasta o vício do agravo em recurso especial, ante a preclusão consumativa. Precedentes: AgInt no AREsp 888.241/ES, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 19/4/2017; AgInt no AREsp 1.036.445/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 4/4/2017, DJe 17/4/2017; AgInt no AREsp 1.006.712/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 9/3/2017, DJe 16/3/2017. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.