AREsp 3208016 - DECISAO
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por VITO TRANSPORTES LIMITADA, contra decisão que negou seguimento a recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em Recurso especial interposto em: 4/2/2026. Concluso ao gabinete em: 13/5/2026. Ação: indenizatória,...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: VITO TRANSPORTES LIMITADA; Agravada: ARCELORMITTAL BIOFLORESTAS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (ação Indenizatória) / Decisão Colegiada Agravo Conhecido; Recurso Especial Conhecido Em Parte E Não Provido
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Recurso Especial, Ação Indenizatória, Sucessão Empresarial, Direito De Regresso, Responsabilidade Contratual, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Reexame De Fatos E Provas, Fundamentação Judicial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
VITO TRANSPORTES LIMITADA
Agravante
ARCELORMITTAL BIOFLORESTAS LTDA.
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (ação Indenizatória) / Decisão Colegiada Agravo Conhecido; Recurso Especial Conhecido Em Parte E Não Provido
Legal Issues
- 1 ilegitimidade ativa/sucessão empresarial
- 2 direito de regresso (art. 934 CC)
- 3 omissão/contradição/obscuridade e art. 489 do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por VITO TRANSPORTES LIMITADA, contra decisão que negou seguimento a recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em Recurso especial interposto em: 4/2/2026. Concluso ao gabinete em: 13/5/2026. Ação: indenizatória, ajuizada por ARCELORMITTAL BIOFLORESTAS LTDA., em face de VITO TRANSPORTES LIMITADA. Sentença: julgou parcialmente procedente o pedido inicial, para condenar a parte agravante a ressarcir à parte agravada todos os valores por ela despendidos em decorrência da condenação no processo trabalhista nº 0000375-94.2011.5.03.0102, sem prejuízo dos valores que vier a despender, a título de direito de regresso, valores que deverão ser apurados em liquidação de sentença, bem como para condenar a parte agravante a pagar à parte agravada a multa contratual prevista na cláusula 13.2 do contrato, no valor de 5% sobre o valor do último faturamento da parte agravante, a ser apurado em liquidação de sentença, além de condenar a parte agravante ao pagamento das custas e dos honorários, que foram arbitrados em 10% sobre o valor atualizado da condenação. Acórdão: rejeitou as preliminares arguidas e negou provimento à Apelação interposta pela parte agravante, nos termos da seguinte ementa: "APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE ATIVA AFASTADA - SUCESSÃO EMPRESARIAL RECONHECIDA - JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS ADMITIDA - CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM CLÁUSULAS EXPRESSAS DE TRANSFERÊNCIA DE RISCOS - ACIDENTE DE TRABALHO - RESPONSABILIDADE CONTRATUAL DA CONTRATADA - DIREITO DE REGRESSO NA VIA CÍVEL (ART. 934 DO CC) - COMPROVADO DESEMBOLSO - SENTENÇA MANTIDA. - Reconhecida a sucessão empresarial, resta legitimada a atuação processual da empresa sucessora. - Admite-se a juntada posterior de documentos quando destinada à comprovação de fatos supervenientes ou à complementação de prova de alegações já formuladas, desde que respeitado o contraditório e ausente prejuízo à parte adversa. - O contrato firmado entre as partes contém cláusulas expressas que transferem integralmente à contratada a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da execução dos serviços, inclusive quanto a terceiros por ela subcontratados. - Mesmo diante de condenação solidária na esfera trabalhista, o descumprimento de cláusula contratual de transferência de riscos legitima o exercício do direito de regresso na via cível, nos termos do art. 934 do Código Civil. - Demonstrado o efetivo desembolso de valores pela parte autora, impõe-se o reconhecimento da obrigação de ressarcimento." (e-STJ fl. 2926) Embargos de Declaração: opostos, pela parte agravante, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts. 17, 18, 373, 489, § 1º, IV, 502, 508, 927, 1.022, II, CPC, 421, 480, CC, bem como dissídio jurisprudencial. Além de negativa de prestação jurisdicional, sustenta que: i) não poderia a parte recorrida pleitear direito oriundo de contrato do qual não fez parte; e, ii) a mera circunstância de a parte recorrida estar arcando com os pagamentos/condenações na Justiça do Trabalho não lhe confere, por si só, o direito de ajuizar e, principalmente, de se beneficiar de um direito previsto em um contrato civil do qual não fez parte; e, iii) independentemente da relação contratual existente entre as partes, a responsabilidade objetiva e subjetiva da parte recorrida pelo infortúnio foi determinada e fundamentada em função da atividade de risco dela e do grau de culpa, por isso não se pode imputar os efeitos da condenação à parte recorrente, sob pena de violação dos arts. 502, 508, 927, CPC; e, iv) a parte recorrida era a real e principal beneficiária econômica do empreendimento, auferindo lucros substanciais e é inadmissível que, em nome de uma suposta liberdade contratual, se exima de qualquer risco, transferindo-o integralmente para a parte recorrente, uma empresa de menor porte e capacidade econômica; e, v) a manutenção da responsabilidade integral da parte recorrente, conforme a decisão do TJ/MG, configura uma onerosidade excessiva que desvirtua a comutatividade contratual e exige a intervenção judicial para restabelecer o equilíbrio. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da violação do art. 1.022 do CPC É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese, soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC, Terceira Turma, DJe de 2/2/2018 e AgInt no AREsp 1.089.677/AM, Quarta Turma, DJe de 16/2/2018. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente acerca da legitimidade ativa da parte agravada, bem como acerca da questão já definitivamente resolvida na Justiça do Trabalho, a qual reconheceu a responsabilidade solidária da parte agravante e da parte agravada, além do fato de que a relação jurídica entre as partes é regida pelo contrato de prestação de serviços de colheita mecanizada de madeira de eucalipto, firmado em 2 de janeiro de 2008 (ordens 6 a 8), de maneira que os embargos de declaração opostos pela parte agravante, de fato, não comportavam acolhimento. Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC. - Da violação do art. 489 do CPC Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado suficientemente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. - Da fundamentação deficiente Os argumentos invocados pela parte agravante não demonstram como o acórdão recorrido violou os arts. 17, 18, 373, CPC, o que importa na inviabilidade do recurso especial ante a incidência da Súmula 284/STF. - Da ausência de prequestionamento O acórdão recorrido não decidiu acerca dos arts. 502, 508, 927, CPC, 421, 480, CC, indicados como violados, apesar da oposição de embargos de declaração. Por isso, o julgamento do recurso especial é inadmissível. Aplica-se, na hipótese, a Súmula 211/STJ. - Do reexame de fatos e provas e da interpretação de cláusulas contratuais Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere ao fato de que "a ilegitimidade ativa da parte agravada, foi corretamente afastada na origem, diante da comprovação documental da sucessão empresarial e os autos demonstram a assunção, pela parte agravada, da titularidade dos direitos e obrigações decorrentes da relação contratual, além da responsabilidade pelo adimplemento das condenações trabalhistas", bem como de que "o contrato em análise contempla cláusulas que impõem à parte agravante obrigações amplas, incluindo a assunção de responsabilidade por eventuais indenizações decorrentes de atos praticados por seus prepostos e terceiros envolvidos na execução do objeto contratual (cláusulas 6.2, incisos V, XI e XX)", assim também de que "o distrato celebrado entre as partes (ordem 9) reforça tal responsabilidade ao estabelecer, em sua cláusula 4ª, o reconhecimento, por parte da agravante, da condição de única responsável por eventuais ações judiciais - inclusive trabalhistas - ajuizadas por terceiros contra a parte agravada", além de que "a parte agravada comprovou o efetivo desembolso de valores para cumprimento parcial da condenação imposta na Justiça do Trabalho (ordens 61/64, 68/72, 78/84 e 88/92), circunstância que atrai a incidência do art. 934 do Código Civil", ao entendimento de que "uma vez demonstrados o vínculo contratual entre as partes, a existência de cláusulas expressas de transferência de responsabilidade, o inadimplemento da obrigação contratual pela parte agravante e o efetivo desembolso de valores pela parte agravada, impõe- se o reconhecimento do direito de regresso formulado na exordial", exige o reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7, ambas do STJ. - Da divergência jurisprudencial Entre os acórdãos trazidos à colação, não há o necessário cotejo analítico nem a comprovação da similitude fática, elementos indispensáveis à demonstração da divergência. Assim, a análise da existência do dissídio é inviável, porque foram descumpridos os arts. 1.029, § 1º do CPC/2015 e 255, § 1º, do RISTJ. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, IV, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte agravada em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em 15% sobre o valor atualizado da condenação (e-STJ fl. 2935) para 20%. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. AUSENTE. DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. 1. Ação indenizatória. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. 4. A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema. 5. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a oposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 6. O reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 7. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 8. Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, não provido.