HC 963308 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus por supressão de instância, em razão da interposição inadequada contra decisão que indeferiu liminar; contudo, excepcionalmente e de ofício, determino que o juiz a quo intime o Ministério Público local para apresentação das alegações finais antes das defesas, com fundamento no art. 403,...
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- Parties
- Paciente: MARJORIE BASILIO; Decisor: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA; Órgão Ministerial: MINISTÉRIO PÚBLICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus por indevida supressão de instância; excepcionalmente concedo a ordem para determinar que o juiz a quo intime o Ministério Público para apresentação das alegações finais antes das defesas (art. 403, caput, do CPP).
- Legal Topics
- Alegações Finais, Art. 403 Do CPP, Inversão Da Ordem, Súmula 691 STF, Tema 1114 STJ, Liminar Em Habeas Corpus, Art. 400 Do CPP, Preclusão, Fumus Boni Juris, Periculum in Mora
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Parties
MARJORIE BASILIO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Decisor
MINISTÉRIO PÚBLICO
Órgão Ministerial
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 Cabimento de habeas corpus e de medida liminar contra decisão que indeferiu liminar em tribunal superior (Súmula 691/STF); possibilidade de determinar, em habeas corpus, a intimação do Ministério Público para apresentação das alegações finais antes das defesas, nos termos do art. 403, caput, do CPP
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus por supressão de instância, em razão da interposição inadequada contra decisão que indeferiu liminar; contudo, excepcionalmente e de ofício, determino que o juiz a quo intime o Ministério Público local para apresentação das alegações finais antes das defesas, com fundamento no art. 403, caput, do CPP, ultrapassando a limitação da Súmula n. 691 do STF para assegurar a ordem processual prevista no CPP.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus por indevida supressão de instância; excepcionalmente concedo a ordem para determinar que o juiz a quo intime o Ministério Público para apresentação das alegações finais antes das defesas (art. 403, caput, do CPP).
Orders
- Determinar que o juiz a quo intime o Ministério Público local para a apresentação das alegações finais antes das defesas (art. 403, caput, do CPP).
- Intime-se a origem com urgência para cumprimento.
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DECISÃO Trata -se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de MARJORIE BASILIO, em que aponta como ato coator decisão monocrática proferida por Des. do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (CORREIÇÃO PARCIAL CRIMINAL Nº 5073607-78.2024.8.24.0000/SC). Conta dos autos que a paciente foi denunciada pelo suposto crime tipificado no art. 2º, caput, da Lei n. 12.850/2013. Apresentada a correição parcial, teve o seu pedido de liminar indeferido. Neste writ, a impetrante sustenta a ocorrência de constrangimento ilegal na origem, pois, nos autos da ação penal n. 5039102-78.2023.8.24.0038, foi determinada a intimação dos réus para a apresentação de alegações finais, sem que tal ato processual tenha sido anteriormente praticado pelo MP. Assere, em síntese, que a inversão na ordem para a apresentação das alegações finais das partes contraria o disposto no art. 403, caput, do Código de Processo Penal. Requer, inclusive liminarmente, ultrapassar a redação da Súmula n. 691, STF para "determinar a suspensão do processo na origem (ação penal n. 5039102-78.2023.8.24.0038) até o julgamento de mérito do presente habeas corpus; ou, alternativamente, seja concedida a medida liminar para que seja intimado o Ministério Público para apresentação de alegações finais antes das defesas; b. no mérito, com fundamento no art. 403 e 563 do Código de Processo Penal, bem como no Tema 1114 do Superior Tribunal de Justiça, requer-se que seja concedida a ordem para o fim de que seja restabelecida a ordem de apresentação das alegações finais, primeiro a acusação e depois as defesas" (fl. 15, grifei). É o relatório. DECIDO. A controvérsia consiste em saber se poderia ser determinada a prática dos atos processuais na ordem do art. 403, caput, do CPP, em momento prévio à apresentação das alegações finais, embora em insurgência em face de decisão de liminar do TJ. Assim, pelo que se afere da exordial, o habeas corpus investe contra denegação de liminar. Ocorre que, ressalvadas hipóteses excepcionais, não é cabível a utilização do instrumento heroico em situação como a presente. A matéria, inclusive, encontra-se sumulada (Súmula n. 691, STF): Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar. No caso, embora não haja previsão legal, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem admitido a concessão excepcional de medida liminar em habeas corpus para cessar de imediato eventual coação, se verificadas a verossimilhança da ilegalidade do ato impugnado e o perigo decorrente da demora na prestação jurisdicional ordinária. Nesse sentido: .. A concessão de liminar em habeas corpus constitui medida excepcional, uma vez que somente pode ser deferida quando demonstrado, de modo claro e indiscutível, ilegalidade no ato judicial impugnado (AgRg no HC n. 625.326/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 18/3/2022). .. Por se tratar de medida que não encontra previsão legal, o pleito de liminar, em habeas corpus, deve ser deferido apenas em hipóteses excepcionalíssimas, de flagrante violação ou ameaça ao direito de locomoção do indivíduo, mediante demonstração da plausibilidade jurídica do direito tido como violado (fumus boni juris) e do perigo da demora na prestação jurisdicional invocada (periculum in mora), requisitos que não foram identificados na espécie (AgRg no HC n. 718.541/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 21/2/2022). Para ilustrar a matéria, trago o acórdão proferido no Tema n. 1114 por este STJ em sede de recurso repetitivo da controvérsia, que, por analogia, se aplica ao presente contexto: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. DIREITO PROCESSUAL PENAL. TEMA 1.114. INVERSÃO DA ORDEM NO INTERROGATÓRIO DO RÉU. ART. 400 DO CPP. NULIDADE QUE SE SUJEITA À PRECLUSÃO TEMPORAL. ART. 571, INCISO II E ART. 572, AMBOS DO CPP E À DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO À DEFESA - ART. 563 DO CPP. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E NESTA EXTENSÃO PROVIDO. I - Em que pese haver entendimento nesta Corte Superior admitindo o interrogatório quando pendente de cumprimento carta precatória expedida para oitiva de testemunhas e da vítima, a jurisprudência majoritária nas Cortes superiores vem evoluindo e se sedimentando no sentido de que há nulidade ocasionada pela inversão da ordem prevista no art. 400 do CPP, no entanto, a alegação está sujeita à preclusão e à demonstração do efetivo prejuízo. II - Os parâmetros em aparente oposição são, portanto, o artigo 222, § 1º, do CPP e o art. 400 do mesmo diploma legal. Ao que se pode enfeixar a controvérsia, coloca-se em ponderação os princípios da celeridade processual e do devido processo legal, especialmente na sua dimensão da ampla defesa. III - A audiência de instrução e julgamento é o principal ato do processo, momento no qual se produzirão as provas, sejam elas testemunhais, periciais ou documentais, ao fim da qual, a decisão será proferida. Por esta razão, o art. 400 determina que a oitiva da vítima, das testemunhas arroladas pela acusação e depois pela defesa, nesta ordem, eventuais esclarecimentos de peritos, acareações, ou reconhecimento de coisas ou pessoas e, por fim, o interrogatório. Tal artigo, introduzido no ordenamento pela Lei n. 11.719, de 2008, significou a consagração e maximização do devido processo legal, notadamente na dimensão da ampla defesa e do contraditório, ao deslocar o interrogatório para o final da instrução probatória. IV - Na moderna concepção do contraditório, segundo a qual, a defesa deve influenciar a decisão judicial, somente se mostra possível a referida influência quando a resposta da defesa se embasar no conhecimento pleno das provas produzidas pela acusação. Somente assim se pode afirmar a observância ao devido processo legal na sua face do contraditório. V - Sob outro enfoque, ao réu incumbe arguir a nulidade na própria audiência ou no primeiro momento oportuno, salvo situação extraordinária em que deverá argumentar a excepcionalidade no primeiro momento em que tiver conhecimento da inversão da ordem em questão. Cabe também à defesa a demonstração do prejuízo concreto sofrido pelo réu, uma vez que se extrai do ordenamento, a regra geral segundo a qual, as nulidades devem ser apontadas tão logo se tome conhecimento delas, ou no momento legalmente previsto, sob pena de preclusão, tal como dispõe o art. 572 e incisos, do CPP. VI - No caso concreto, observa-se que o primeiro momento em que a defesa apontou a nulidade pela violação do art. 400 do CPP foi em razões de apelação. Isso porque, ao que se observa nos autos, não é difícil notar a insuficiência da defesa exercida por advogado dativo. As nomeações de advogados dativos para o ato de interrogatório, bem como para a apresentação de defesa prévia e alegações finais (cujos termos são idênticos, conforme fls. 170/172 e 256/258, respectivamente) parecem não ter suprido minimamente o direito à defesa enunciado pela Constituição da República. VII - Em sendo assim, é possível se reconhecer que, no primeiro momento em que o réu estava sendo representado por um advogado, foi arguida a nulidade. Esta deve ser reconhecida, notadamente nesta hipótese em exame, em que a prova é exclusivamente oral, uma vez que os Laudo de Exame de Conjunção Carnal e de Exame de Ato Libidinoso não corroboram os fatos e tampouco o Relatório Psicológico é categórico sobre a veracidade da versão narrada pela vítima. Por tal razão, deve ser reconhecida a nulidade arguida, determinando-se que o réu seja novamente ouvido, em atenção ao art. 400, do CPP. VIII - Tese jurídica: "O interrogatório do réu é o último ato da instrução criminal. A inversão da ordem prevista no art. 400 do CPP tangencia somente à oitiva das testemunhas e não ao interrogatório. O eventual reconhecimento da nulidade se sujeita à preclusão, na forma do art. 571, I e II, do CPP, e à demonstração do prejuízo para o réu". Recurso parcialmente conhecido e nesta extensão provido para reconhecer a nulidade do interrogatório que, realizado antes da oitiva das testemunhas, violou a norma do art. 400 do CPP, razão pela qual os autos devem ser devolvidos para a realização de novo interrogatório. Prejudicados os demais pedidos recursais relativamente à ausência de prova da autoria delitiva. (REsp n. 1.933.759/PR, relator Ministro Messod Azulay Neto, Terceira Seção, julgado em 13/9/2023, DJe de 25/9/2023, grifei). Sobre o assunto, ainda, o art. 403, caput, do CPP: Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, ou sendo indeferido, serão oferecidas alegações finais orais por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela acusação e pela defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a seguir, sentença. .. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus, pela indevida supressão de instância. Concedo a ordem excepcionalmente, de ofício, para, ultrapassando a redação da Súmula n. 691, STF, determinar que o juiz a quo intime o Ministério Público local para a apresentação das alegações finais antes das defesas (art. 403, caput, do CPP). Intime-se a origem, com urgência, para o cumprimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA