AREsp 2547757 - DECISAO
O Tribunal de origem observou que não houve comprovação do esgotamento das diligências para localizar os devedores nem prova de intimação pessoal ou por carta com aviso de recebimento, de modo que a intimação por edital foi indevida, tornando nulos tal ato e os posteriores; por sua vez, o Superior Tribunal de...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: BANCO BRADESCO S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Constituição Em Mora, Intimação Por Edital, Purgação Da Mora, Súmula 7/stj, Reexame De Provas
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Parties
BANCO BRADESCO S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Preenchimento dos requisitos para purgação da mora nos termos do art. 26 da Lei n. 9.514/1997
- 2 Validade da intimação por edital na alienação fiduciária quando não comprovado o esgotamento das diligências para localização do devedor
- 3 Admissibilidade do recurso especial diante do óbice da Súmula 7/STJ por exigir reexame do conjunto fático-probatório
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem observou que não houve comprovação do esgotamento das diligências para localizar os devedores nem prova de intimação pessoal ou por carta com aviso de recebimento, de modo que a intimação por edital foi indevida, tornando nulos tal ato e os posteriores; por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça conheceu do agravo mas não conheceu do recurso especial porque o exame da matéria exigiria revolver o contexto fático-probatório, impedido pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito poderá ensejar a imposição das multas previstas nos arts. 1.021, §4º, e 1.026, §2º, do CPC/2015.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto po r BANCO BRADESCO S.A. contra decisão que não admitiu recurso especial, manejado em desfavor do acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás assim ementado (e-STJ, fl. 873): APELAÇÃO CÍVEL. PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO AO RECURSO. VIAINADEQUADA. AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO JURÍDICO C/C PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. CLÁUSULA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. INADIMPLEMENTO. APLICAÇÃO DALEI Nº 9.514/97. AUSÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO EM MORA DOS DEVEDORES. NULIDADE DECRETADA. SENTENÇA REFORMADA. 1. O pleito de concessão de efeito suspensivo deve ser dirigido ao Tribunal por petição autônoma, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição ou ao relator se já distribuído o recurso, providência não observada pelo recorrente, razão pela qual impositivo o não conhecimento do requerimento formulado na via inadequada. 2. A intimação por edital para fins de purgação da mora em procedimento de alienação fiduciária de imóvel é medida excepcional, devendo ser realizada após o esgotamento de todas as diligências possíveis para localizar o devedor. 3. Não restando comprovada no caso vertente que foram esgotadas as diligências para a localização dos devedores, não há que se falar em intimação por edital, prevista no §4º, do artigo26, da Lei 9.514/97. 4. Não observado o procedimento estatuído pela Lei 9.514/97para consolidação da propriedade do bem imóvel em nome do credor fiduciante, deve a sentença ser reformada para julgar procedente a pretensão inicial e anular a notificação extrajudicial dos autores/apelantes, bem como os atos posteriores, tais como a consolidação da propriedade em poder do credor e a designação de leilão. De consequência, devem ser invertidos os ônus da sucumbência. APELAÇÃO CÍVEL PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESTA PARTE, PROVIDA. Nas razões do recurso especial, o recorrente alegou a ofensa ao art. 26, §§ 3º e 4º, da Lei n. 9.514/1997, sustentando, em síntese, que todos os requisitos necessários à purgação da mora foram preenchidos, não havendo falar em qualquer nulidade. O Tribunal de origem não admitiu o processamento do recurso especial, o que levou o insurgente à interposição de agravo. O agravante impugna os fundamentos da decisão denegatória do recurso especial (e-STJ, fls. 917-921). Contraminuta apresentada (e-STJ, fls. 926-939 ). Brevemente relatado, decido. A controvérsia refere-se, em síntese, ao preenchimento, ou não, dos requisitos necessários à purgação da mora. O Tribunal de origem, ao dirimir a questão posta nos autos, assim consignou (e-STJ, fls. 879-882; sem grifo no original): No compulso dos autos, observo que as partes celebraram contrato de compra e venda de imóvel com alienação fiduciária, tendo sido o bem (Casa residencial de nº02, do "Residencial Mares do Guajá", lt. 24, qd.36, na Rua do Guajá, no Jardim Atlântico, nesta cidade de Goiânia/GO) dado em garantia (mov. 91, arquivos 03 e 04). Consta que, diante do inadimplemento dos devedores, o banco recorrente deu início aos procedimentos previstos na legislação de regência. Neste contexto, é sabido que a alienação fiduciária de bens imóveis é regulada pela Lei Federal nº 9.514/97 que, à época dos fatos ora discutidos, assim dispunha: .. Da leitura da legislação transcrita, extrai-se que o devedor fiduciante, ao não adimplir as parcelas contratuais, deve ser constituído em mora pelo oficial de registro de imóveis, que o intima pessoalmente para satisfazer o débito das prestações vencidas e as que vencerem até a data do pagamento, ou pelo correio, com aviso de recebimento. Entretanto, quando o devedor se encontrar em lugar incerto e não sabido, a intimação poderá ser feita por edital. Da análise do caderno processual, constata-se que, visando comprovar o não cumprimento do disposto na Lei nº 9.514/97, os recorrentes juntaram as certidões expedidas pelo Cartório de Registro de Imóveis da comarca de Goiânia. Do teor das certidões, se extrai que o Oficial do Cartório compareceu três vezes no endereço do contrato e em mais outros dois endereços diferentes, contudo não conseguiu efetuar a intimação dos autores/apelante em razão da ausência destes nos locais. Diante disso, foi realizada a intimação por edital, conforme se da certidão inserta na mov. 91, arquivo 08. Observa-se dos autos que, apesar das diligências empreendidas pelo Oficial do Cartório, a instituição financeira não demonstrou que houve o esgotamento das tentativas de localização dos devedores antes de ser realizada a intimação por edital e sequer tentou promover a intimação pessoal por meio de correspondência, com aviso de recebimento. Importante ressaltar que a mera ausência do devedor no seu domicílio não é suficiente para concluir que se encontra em local incerto ou não sabido. Assim, não tendo a instituição financeira esgotado todos as diligências possíveis para encontrar os devedores, entendo que a etapa que envolve a intimação pessoal dos autores para purgar a mora, no prazo de quinze dias, conforme art. 26 da Lei Federal nº 9.514/97, não foi devidamente cumprida, devendo por isto ser reconhecida a nulidade desse ato e dos posteriores, visto estar espúria pelo vício na sua realização. Com efeito, vislumbra-se que a irresignação do agravante não merece prosperar, haja vista que a questão foi resolvida com base nos elementos fáticos que permearam a demanda. Dessa forma, percebe-se que rever os fundamentos do acórdão recorrido quanto à ausência da constituição em mora dos devedores, exigiria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, providência que encontra óbice na Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. Guardadas as particularidades do caso, confiram-se (sem grifo no original): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO APTA A CONSTITUIR EM MORA O DEVEDOR. REFORMA DO ACÓRDÃO QUE DEMANDA REEXAME DE PROVAS. ÓBICE DA SÚMULA N. 7/STJ. OPOSIÇÃO AO JULGAMENTO VIRTUAL. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que se faz necessária a comprovação do efetivo recebimento da notificação para a constituição em mora do devedor. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que o documento de notificação não chegou a ser entregue. 2. A reforma das conclusões a que chegou a instância de origem demandaria nova incursão no conjunto fático-probatório, esbarrando no óbice da Súmula n. 7/STJ. 3. Embora seja facultada à parte o direito de se opor ao julgamento virtual, é preciso que demonstre, de forma fundamentada, a necessidade do julgamento do recurso presencialmente, o que não ocorreu no caso dos autos. Precedentes. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.418.048/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024.) DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BUSCA E APREENSÃO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. CONSTITUIÇÃO EM MORA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. SÚMULAS N. 7 E 83 DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. DECISÃO MANTIDA. 1. Inexiste afronta ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 2. É assente nesta Corte o entendimento de que "a notificação apresentada não tem validade para constituição em mora se não foi entregue no endereço do devedor, não podendo ser presumida sua má-fé por encontrar-se ausente no momento da entrega" (AgInt no REsp n. 1.929.336/RS, Rel. Ministra MARIAISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 29/11/2021, DJe 1º/12/2021 ). 3. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). 4. No caso concreto, o Tribunal de origem analisou as provas dos autos para concluir pela ausência de constituição em mora do devedor. Alterar tal conclusão é inviável em recurso especial. 5. O conhecimento do recurso especial interposto com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional exige a demonstração da similitude fática entre os acórdãos confrontados. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.155.694/RR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 15/12/2022.) Assim, melhor sorte não socorre ao agravante. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA DE EXECUÇÃO EXTRAJUDICIAL DE IMÓVEL COM PEDIDO DE CONTINUIDADE DO CONTRATO. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. CLÁUSULA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. INADIMPLEMENTO. AUSÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO EM MORA DOS DEVEDORES. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.