AREsp 2426955 - DECISAO
O Tribunal concluiu que não houve omissão ou violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC; que o crédito decorrente de alienação fiduciária tem natureza extraconcursal nos termos do art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005; que havia acordo reconhecendo a não submissão do crédito à recuperação e que, encerrada...
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- Parties
- Agravante: BENDERTEC SOLUÇÕES EM AÇO LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL); Agravado: banco agravado
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Execução De Título Extrajudicial, Extraconcursalidade, Súmula N. 83/stj, Interesse De Agir, Consolidação Da Propriedade Fiduciária
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Parties
BENDERTEC SOLUÇÕES EM AÇO LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL)
Agravante
banco agravado
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento De Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC
- 2 incidência da Súmula n. 83 do STJ
- 3 aplicação do art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que não houve omissão ou violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC; que o crédito decorrente de alienação fiduciária tem natureza extraconcursal nos termos do art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005; que havia acordo reconhecendo a não submissão do crédito à recuperação e que, encerrada a recuperação, é legítima a continuidade da execução de título extrajudicial, cabendo ao credor optar por essa via, razão pela qual se negou provimento ao agravo em recurso especial.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por BENDERTEC SOLUÇÕES EM AÇO LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL) contra a decisão que inadmitiu o recurso especial com base nos seguintes fundamentos: a) não demonstração de violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC; e b) incidência da Súmula n. 83 do STJ. Em suas razões, a parte sustenta a inaplicabilidade do referido óbice sumular, bem como a ocorrência de omissão no acórdão recorrido. O recurso especial foi interposto com fundamento na alínea a do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná assim ementado (fl. 104): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. DECISÃO QUE RECONHECEU A POSSIBILIDADE DE O CREDOR FIDUCIÁRIO OPTAR PELA TUTELA ESPECÍFICA DA GARANTIA OU PELA EXECUÇÃO DO TÍTULO. EXISTÊNCIA DE ACORDO ENTRE AS PARTES, HOMOLOGADO NOS AUTOS DE IMPUGNAÇÃOAO CRÉDITO, RECONHECENDO QUE O CRÉDITO DECORRENTE DO TÍTULO NÃO SE SUJEITA À RECUPERAÇÃO JUDICIAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL EXTINTA POR SENTENÇA. PARTICULARIDADES DO CASO CONCRETO QUE JUSTIFICAM A MANUTENÇÃO DA EXECUÇÃO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Os embargos de declaração foram rejeitados nos termos do acórdão de fls. 138-141. No recurso especial, a parte ora agravante alega violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC, uma vez que não houve pronunciamento a respeito dos seguintes pontos: "(a) extraconcursalidade do crédito; (b) ausência de interesse de agir na modalidade adequação; (c) procedimento típico para consolidação da propriedade fiduciára" (fl. 151). Sustenta ainda que falta interesse de agir da parte agravada, na medida em que, estando em curso o processo de recuperação judicial, não poderia o credor promover a execução de título extrajudicial, mas sim a consolidação da propriedade fiduciária em procedimento próprio, conforme preconiza o art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005. Afirma que, diferentemente do decidido no acórdão, a existência de acordo acerca dos efeitos da recuperação judicial não interfere no modo de satisfação do crédito do agravado e que a controvérsia posta nos autos não diz respeito à habilitação de crédito, mas sim à observância da sua extraconcursalidade, haja vista tratar-se de garantia em alienação fiduciária que somente poderia ser executada em rito próprio. Por fim, aduz que a execução de título extrajudicial não é o meio cabível para satisfação do direito material perseguido - efetivação da consolidação da propriedade fiduciária -, o que caracteriza falta de interesse de agir para prosseguir no feito. Nesse contexto, o crédito garantido fiduciariamente deve ser perseguido pela via própria, que não se confunde com a execução promovida na origem. Requer, portanto, o conhecimento do presente agravo a fim de se conhecer do recurso especial para ser provido, reformando-se o acórdão proferido na origem e reconhecendo-se a violação do art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005. É o relatório. Decido. O recurso não reúne condições de prosperar. De início, afasta-se a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC, visto que a Corte de origem examinou e decidiu, de modo claro, objetivo e fundamentado, as questões que delimitam a controvérsia, não ocorrendo nenhum vício que possa nulificar o acórdão recorrido. Observa-se que o relator na origem enfrentou os pontos suscitados ao discorrer acerca da possibilidade de o agravado, na condição de credor fiduciário, promover execução de título extrajudicial para satisfazer seu crédito com a expropriação de bens diversos dos dados em garantia, sem que isso caracterize violação do procedimento da recuperação e do disposto no art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005. Assim, concluiu que o crédito decorrente da alienação fiduciária detém natureza extraconcursal; que houve acordo prévio entre as partes, reconhecendo que o referido crédito não estaria sujeito aos efeitos da recuperação; e que, concluído o processo de recuperação, é legítimo o prosseguimento da execução promovida de forma autônoma a respeito dos valores perseguidos pelo credor, não se cogitando da falta de interesse de agir (fls. 166-169). Esclareça-se que o órgão colegiado não está obrigado a repelir todas as alegações expendidas no recurso, pois basta que se atenha aos pontos relevantes e necessários ao deslinde do litígio e adote fundamentos que se mostrem cabíveis à prolação do julgado, ainda que, relativamente às conclusões, não haja a concordância das partes. No que diz respeito à violação do art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005, também não assiste razão ao agravante. Isso porque, como bem definido no acórdão, o crédito garantido pela alienação fiduciária não se submete à recuperação judicial, em atenção ao disposto no aludido artigo. A orientação acima está de acordo com a jurisprudência do STJ de que, "por força do art. 49, § 3º, da Lei 11.101/2005, não se submetem à recuperação judicial os créditos garantidos por cessão fiduciária" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.076.539/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023). Ademais, reforçou-se o descabimento da discussão a respeito da extraconcursalidade do crédito perseguido, seja porque havia acordo prévio entre as partes a respeito da não submissão ao processo de recuperação judicial, seja porque a recuperação judicial já se encerrara, o que, nos termos do acórdão, autorizaria a promoção de execução de título extrajudicial para a satisfação do crédito com expropriação de bens diversos daqueles dados em garantia (fl. 167). Nesse contexto, concluiu-se que o banco agravado não estava a perseguir a garantia fiduciária, mas o crédito decorrente do inadimplemento do contrato de financiamento, o que estava fazendo pela via da execução de título. Registre-se que o credor detém a prerrogativa de exercer ou não seu direito potestativo de reaver o crédito, o qual pode se dar pelo procedimento próprio da consolidação da propriedade fiduciária ou pela execução do título. No caso concreto, optou-se pela segunda via. Isso é permitido pelo fato de que não só o direito de propriedade garantido fiduciariamente está afastado dos efeitos da recuperação mas também o próprio contrato por ele garantido, permitindo-se ao credor optar pela execução contratual ou pela consolidação da propriedade. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA ÀS GARANTIAS FIDUCIÁRIAS. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. CRÉDITO NÃO SUJEITO AOS EFEITOS DA RECUPERAÇÃO DA DEVEDORA. ART. 49, § 3º, DA LEI N. 11.101/2005. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Consoante pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por força do art. 49, § 3º, da Lei 11.101/2005, não se submetem à recuperação judicial os créditos garantidos por cessão fiduciária. Precedentes. 1.1. Tem-se expressamente assegurado no comando legal (art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005) que "prevalecerão os direitos de propriedade sobre a coisa e as condições contratuais", afastando por completo não apenas o bem, mas o próprio contrato por ele garantido, dos efeitos da recuperação judicial. 2. Ademais, "a. renúncia à garantia fiduciária deve ser expressa, cabendo, excepcionalmente, a presunção da abdicação de tal direito (art. 66-B, § 5º, da Lei 4.728/1965 c/c art. 1.436 do CC/2002)" - (REsp 1338748/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 28/06/2016). 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.076.539/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023, destaquei.) Assim, o Tribunal de origem decidiu em consonância com a jurisprudência do STJ ao afirmar que existe interesse de agir do banco agravado ao perseguir o crédito por intermédio da execução autônoma do título, abdicando do procedimento próprio da consolidação da propriedade fiduciária. Caso, p ois, de aplicação da Súmula n. 83 do STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA