AREsp 2752489 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ: a mera ultrapassagem da taxa média divulgada pelo Banco Central não caracteriza automaticamente abusividade dos juros remuneratórios, exigindo demonstração cabal no caso concreto; no caso concreto o...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: GENESSI DA COSTA; Órgão Julgador Do Acórdão Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial E Negou Provimento Ao Agravo Interno
- Outcome
- Nego provimento ao agravo interno/ao presente recurso
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Revisão Contratual, Juros Remuneratórios, Tarifas E Encargos Bancários, Seguimento De Recurso Especial, Súmula 83/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GENESSI DA COSTA
Recorrente
Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul
Órgão Julgador Do Acórdão Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial E Negou Provimento Ao Agravo Interno
Legal Issues
- 1 caráter abusivo dos juros remuneratórios
- 2 uso da taxa média do Banco Central como parâmetro
- 3 possibilidade de revisão de encargos e tarifas bancárias
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do STJ: a mera ultrapassagem da taxa média divulgada pelo Banco Central não caracteriza automaticamente abusividade dos juros remuneratórios, exigindo demonstração cabal no caso concreto; no caso concreto o Tribunal de origem considerou a taxa pactuada não abusiva (40,76% a.a. vs 29,05% a.a.) dentro dos parâmetros aceitáveis, razão pela qual aplica-se a Súmula 83/STJ e impede-se o conhecimento do recurso por divergência jurisprudencial.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo interno/ao presente recurso
Orders
- Nego provimento ao agravo interno
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão que negou seguimento ao recurso especial manejado por GENESSI DA COSTA, com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, em desfavor de acórdão proferido pelo Eg. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. AÇÃO ORDINÁRIA. REVISÃO DE CONTRATO. 1. Os negócios jurídicos bancários estão sujeitos às normas inscritas no Código de Defesa do Consumidor (Súmula 297 do STJ), com consequente relativização do ato jurídico perfeito e do princípio pacta sunt servanda. 2. Os juros remuneratórios devem ser compatíveis com a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, podendo ser revisados quando cabalmente demonstrada a sua abusividade (STJ, R Esp n. 1.061.530/RS, Temas 24 a 27). 3. No julgamento do R Esp n. 1.251.331/RS, submetido ao regime dos recursos repetitivos, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento a respeito da cobrança das tarifas administrativas (de abertura de crédito, de emissão de carnê e de cadastro), admitindo a cobrança de tais encargos até 30/04/2008. Após tal data, resta autorizada a cobrança da tarifa de cadastro tão somente na primeira relação negocial entre a consumidora e a instituição financeira, limitada, quando abusiva, à média de mercado. 4. Nos termos definidos pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do R Esp n. 1.639.320/SP, submetido ao regime dos recursos repetitivos, a estipulação de seguro, em contratos bancários, deve garantir à parte consumidora, além da opção de contratar ou não o seguro, a possibilidade de escolher a instituição com a qual contratar, sob pena de configurar venda casada, prática abusiva nos termos do artigo 39, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor. Alteração de entendimento do Relator. 5. Não constatada a existência de abusividade relativamente ao período de normalidade contratual, inviável a descaracterização da mora debendi (STJ, R Esp n. 1.061.530/RS, Temas 28 e 29) e, por conseguinte, o deferimento dos pedidos de proibição da inscrição do nome da consumidora em rol de inadimplentes e de manutenção da posse do veículo objeto de financiamento (STJ, Tema 32). 6. Restando demonstrada a cobrança de encargos abusivos, deve ser admitida a compensação e, acaso constatado saldo em favor da mutuária, a repetição simples dos valores pagos a maior à instituição financeira, sob pena de enriquecimento sem causa, consoante previsto no artigo 884, caput, do Código Civil. 7. Ônus sucumbenciais redistribuídos e redimensionados. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. Nas razões do recurso especial, a parte recorrente aponta, além de divergência jurisprudencial, violação dos art. 51, IV e § 1º, III, e 39, I, todos do Código de Defesa do Consumidor; e 884 do Código Civil, insurgindo-se contra a manutenção, pelo acórdão recorrido, dos juros remuneratórios contratualmente firmados, pugnando por sua limitação e a consequente descaracterização da mora. É o relatório. Decido. Inicialmente, quanto aos juros remuneratórios, cabe averiguar se o tão só fato de extrapolarem a taxa média praticada pelo mercado financeiro em operações de mesma espécie, no período de celebração do pacto, indicaria a existência de cobrança abusiva. Ao julgar o recurso representativo da controvérsia que pacificou a questão acerca da índole abusiva dos juros remuneratórios (REsp 1.061.530/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, DJe de 10.3.2009), a em. Min. relatora consignou, no que toca ao parâmetro a ser considerado para inferir se os juros contratados são abusivos ou não, o seguinte critério: "Descartados índices ou taxas fixos, é razoável que os instrumentos para aferição da abusividade sejam buscados no próprio mercado financeiro. Assim, a análise da abusividade ganhou muito quando o Banco Central do Brasil passou, em outubro de 1999, a divulgar as taxas médias, ponderadas segundo o volume de crédito concedido, para os juros praticados pelas instituições financeiras nas operações de crédito realizadas com recursos livres (conf. Circular nº 2957, de 30.12.1999). (..) A taxa média apresenta vantagens porque é calculada segundo as informações prestadas por diversas instituições financeiras e, por isso, representa as forças do mercado. Ademais, traz embutida em si o custo médio das instituições financeiras e seu lucro médio, ou seja, um "spread" médio. É certo, ainda, que o cálculo da taxa média não é completo, na medida em que não abrange todas as modalidades de concessão de crédito, mas, sem dúvida, presta-se como parâmetro de tendência das taxas de juros. Assim, dentro do universo regulatório atual, a taxa média constitui o melhor parâmetro para a elaboração de um juízo sobre abusividade. Como média, não se pode exigir que todos os empréstimos sejam feitos segundo essa taxa. Se isto ocorresse, a taxa média deixaria de ser o que é, para ser um valor fixo. Há, portanto, que se admitir uma faixa razoável para a variação dos juros. A jurisprudência, conforme registrado anteriormente, tem considerado abusivas taxas superiores a uma vez e meia (voto proferido pelo Min. Ari Pargendler no REsp 271.214/RS, Rel. p. Acórdão Min. Menezes Direito, DJ de 04.08.2003), ao dobro (Resp 1.036.818, Terceira Turma, minha relatoria, DJe de 20.06.2008) ou ao triplo (REsp 971.853/RS, Quarta Turma, Min. Pádua Ribeiro, DJ de 24.09.2007) da média. Todavia, esta perquirição acerca da abusividade não é estanque, o que impossibilita a adoção de critérios genéricos e universais. A taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central, constitui um valioso referencial, mas cabe somente ao juiz, no exame das peculiaridades do caso concreto, avaliar se os juros contratados foram ou não abusivos." Vê-se, assim, que a circunstância de a taxa de juros remuneratórios, praticada pela instituição financeira, exceder a taxa média de mercado, não induz, por si só, à conclusão de cobrança abusiva, consistindo a referida taxa em um referencial a ser considerado, e não em limite que deva ser necessariamente observado pelas instituições financeiras. Portanto, para serem considerados aviltantes os juros remuneratórios praticados, é imprescindível que se proceda à demonstração cabal de sua natureza abusiva, em cada caso específico. Na hipótese dos autos, segundo os fatos definitivamente delineados no acórdão recorrido, o Tribunal de origem concluiu pela não configuração de índole abusiva quando da análise entre a taxa pactuada e a taxa média de mercado para operações da mesma espécie, considerando-se as peculiaridades envolvidas (e-STJ, fl. 200): "No caso do contrato em exame (Contrato 9 do Evento 1), os juros remuneratórios foram pactuados em 40,76% ano, índice que, embora superior, se coaduna com a média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil à época da contratação (29,05% ao ano - janeiro de 2023), não denotando abusividade. Note-se que, diante das particularidades da operação de financiamento em debate - aquisição de veículo, com garantia de alienação fiduciária, contratado por pessoa física -, consideradas circunstâncias tais como o risco envolvido na operação - que, tendo em vista a existência de garantia real e o procedimento especial conferido pelo Decreto-Lei n. 911/1969 à retomada do respectivo bem móvel, não é particularmente alto - e o custo de captação dos recursos pelo banco credor no mercado, não se reputa abusiva a taxa pactuada em percentual até 50% superior à média apurada pelo BACEN à época da contratação, parâmetro observado no caso concreto. Assim, impositiva a confirmação da sentença que, no ponto, determinou a manutenção da taxa de juros remuneratórios contratada." Desse modo, constatada a conformidade do acórdão recorrido com a jurisprudência desta Corte, é inviável o provimento do recurso especial, nos termos da Súmula 83/STJ. Isso posto, em razão da incidência do enunciado sumular supramencionado, na análise das mesmas matérias postas, obsta-se o exame do recurso pela alínea "c" do art. 105, III, da Constituição Federal, ficando prejudicada a verificação do dissídio jurisprudencial: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO DANOS MATERIAIS E MORAIS. ATO ILÍCITO ADMINISTRATIVO. LAVRATURA DE PROCURAÇÃO PÚBLICA. TABELIÃO DE NOTAS. PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 206, §3º, V, DO CÓDIGO CIVIL. PRAZO TRIENAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83 DO STJ. TERMO INICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO ANULATÓRIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. (..) 5. A incidência do enunciado da Súmula 83/STJ obsta a análise do recurso pela alínea "c", ficando prejudicado o exame do dissídio jurisprudencial, conforme sinaliza a jurisprudência do STJ. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.156.511/SP, relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023.) Ante o exposto, nego provimento ao presente recurso. Publique-se. EMENTA