AREsp 1869379 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, reconheceu-se que o recurso especial estava regularmente preparado, considerou-se que o acórdão recorrido estava suficientemente fundamentado (não houve violação do art. 489 do CPC/15), mas verificou-se a ausência de intimação pessoal do devedor sobre a data do leilão, entendimento consolidado...
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- Parties
- Agravante: MICHEL DE FREITAS FEIJO; Ré: CEF
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo (artigo 1.042 Do Cpc/15) / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido e parcialmente provido; recurso especial parcialmente provido.
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Leilão Extrajudicial, Intimação Pessoal, Purgação Da Mora, Nulidade De Atos Processuais
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Parties
MICHEL DE FREITAS FEIJO
Agravante
CEF
Ré
Procedural Posture
Agravo (artigo 1.042 Do Cpc/15) / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 preparo do recurso
- 2 fundamentação do acórdão (art. 489 CPC)
- 3 necessidade de intimação pessoal do devedor sobre a data do leilão extrajudicial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, reconheceu-se que o recurso especial estava regularmente preparado, considerou-se que o acórdão recorrido estava suficientemente fundamentado (não houve violação do art. 489 do CPC/15), mas verificou-se a ausência de intimação pessoal do devedor sobre a data do leilão, entendimento consolidado no STJ; por isso declarou-se a nulidade do leilão extrajudicial e de todos os atos posteriores e determinou-se a renovação do ato com notificação pessoal do devedor acerca da hora, data e local do novo leilão.
Court Disposition
Agravo conhecido e parcialmente provido; recurso especial parcialmente provido.
Orders
- Reconhecer a nulidade do leilão extrajudicial e de todos os atos posteriores.
- Determinar a renovação do ato com notificação pessoal do devedor acerca da hora, data e local do novo leilão.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (artigo 1.042 do CPC/15), interposto por MICHEL DE FREITAS FEIJO, em face de decisão acostada às fls. 557-558, e-STJ, que, em juízo prévio de admissibilidade, negou seguimento ao recuso especial manejado pelo ora agravante. O apelo extremo, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, fora deduzido em desafio ao acórdão de fls. 446-455, e-STJ, proferido pelo TribunalRegional Federal da 4ª Região, assim ementado(fl. 446, e-STJ): CONTRATO BANCÁRIO. FINANCIAMENTO COM GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. INADIMPLÊNCIA. INTIMAÇÃO PESSOAL DO MUTUÁRIO DA DATA DO LEILÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Ao contratar empréstimo com garantia por alienação fiduciária do imóvel, o devedor fiduciante assume o risco de, em caso de inadimplência, possibilitar a consolidação da propriedade do imóvel em favor do credor fiduciário. Havendo notificação para purgação da mora pelo cartório de registro de imóveis e consolidando-se a propriedade fiduciária em favor da ré, não há ilegalidade no procedimento adotado pela CEF quanto aos leilões extrajudiciais realizados antes da vigência da Lei 13.465/2017. Os embargos de declaração opostos (fls. 462-467 e 499-505, e-STJ), foram acolhidos para o fim de prequestionamento (fls. 482-492 e 516-527, e-STJ). Em suas razões de recurso especial (fls. 535-544, e-STJ), o recorrente aponta, além dodissídio jurisprudencial, violação aos artigos489, §1º, 489, §1º, V e VI, do Código de Processo Civil e 26 §§ 3º e 4º da Lei nº 9.514/1997. Sustenta, em suma: i) que o acórdão carece de fundamentação; ii)a necessidade de intimação pessoal acerca da realização do leilão extrajudicial. Semcontrarrazões. Em juízo prévio de admissibilidade (fls. 557-558, e-STJ), a Corte de origem negou seguimento ao apelo nobre, ante a alegação defalta de preparo. Inconformado, interpôs o presente agravo (artigo 1.042 do CPC/15), cuja minuta está acosta às fls. 566-570, e-STJ, por meio do qual pretende ver admitido o recurso especial. Sem contraminuta. É o relatório. Decide-se. A irresignação merece parcial provimento. Inicialmente, esclareça-se que o recurso especial foi devidamente preparado, conforme se verifica da guia de recolhimento e comprovante de pagamento devidamente acostados às fls. 545-547, e-STJ. 1.Consoante a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Saliente-se, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. Assim, a apontada violação ao artigo489do CPC/15não se efetivou no caso dos autos, uma vez que não se vislumbra omissão, obscuridade ou contradição, tampouco carência de fundamentação no acórdão recorrido capaz de tornar nula a decisão impugnada no especial, porquanto a Corte de origem apreciou a demanda de modo suficiente, havendo se pronunciado acerca de todas as questões relevantes. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. OFENSA AOS ARTS. 165, 458, II, E 535, I E II, DO CPC DE 1973. IMPROCEDÊNCIA DA ARGUIÇÃO. ACIDENTE AMBIENTAL. CONTAMINAÇÃO DO SOLO E DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS. DOENÇA GRAVE. PRAZO PRESCRICIONAL. TERMO A QUO. CIÊNCIA INEQUÍVOCA DOS EFEITOS DANOSOS À SAÚDE. SÚMULA N. 83/STJ. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Improcede a arguição de ofensa aos arts. 165, 458, II, e 535, I e II, do CPC de 1973, quando o Tribunal de origem se pronuncia, de forma motivada e suficiente, sobre as questões relevantes e necessárias ao deslinde do litígio. .. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1478280/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 08/08/2017, DJe 15/08/2017) 2.Por outro lado, da leitura do acórdão recorrido, verifica-se não ter havido a intimação pessoal do devedor quanto à data da alienação, retirando-lhe o direito de purgar a mora até a assinatura do auto de arrematação. Confira-se (fl. 454, e-STJ): No que se refere a alegação de nulidade da arrematação por ausência de intimação do mutuário acerca da data do leilão, descabida a insurgência, porquanto a única previsão de notificação pessoal dos mutuários diz respeito àquela voltada à purga da mora, inexistindo exigência, na Lei 9.514/97, de intimação pessoal do mutuário acerca do leilão. No tocante a esse aspecto, o acórdão recorrido divergiu do entendimento do STJ, que garante ao devedor inadimplente o direito de ser intimadopessoalmente acerca da data do leilão extrajudicial. Nesse sentido, precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CONSIGNATÓRIA CUMULADA COM ANULATÓRIA DE ATO DE CONSOLIDAÇÃO DE PROPRIEDADE. LEI Nº 9.514/1997. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE COISA IMÓVEL. LEILÃO EXTRAJUDICIAL. DEVEDOR FIDUCIANTE. NOTIFICAÇÃO PESSOAL. NECESSIDADE. CREDOR FIDUCIÁRIO. CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE. PURGAÇÃO DA MORA. POSSIBILIDADE. DECRETO-LEI Nº 70/1966. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2.A teor do que dispõe o artigo 39 da Lei nº 9.514/1997, aplicam-se as disposições dos artigos 29 a 41 do Decreto-Lei nº 70/1966 às operações de financiamento imobiliário em geral a que se refere a Lei nº 9.514/1997. 3. No âmbito do Decreto-Lei nº 70/1966, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça há muito se encontra consolidada no sentido da necessidade de intimação pessoal do devedor acerca da data da realização do leilão extrajudicial, entendimento que se aplica aos contratos regidos pela Lei nº 9.514/1997. 4. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de ser possível a purga da mora em contrato de alienação fiduciária de bem imóvel (Lei nº 9.514/1997) quando já consolidada a propriedade em nome do credor fiduciário. A purgação da mora é cabível até a assinatura do auto de arrematação, desde que cumpridas todas as exigências previstas no art. 34 do Decreto-Lei nº 70/1966. 5. Rever as conclusões do acórdão recorrido de que a intimação pessoal do devedor acerca da data da realização do leilão extrajudicial não foi comprovada e que houve a purgação da mora antes do auto de arrematação demandaria o reexame de matéria fática e a interpretação de cláusula contratual, procedimentos vedados pelas Súmulas nºs 5 e 7/STJ. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1286812 / SP, TERCEIRA TURMA, Rel. Min. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, julgado em 10/12/2018, Dje 14/12/2018) grifo PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE ANULAÇÃO DE LEILÃO EXTRAJUDICIAL E REVISÃO DE CLÁUSULAS DE CONTRATO DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE IMÓVEL REGIDO PELA LEI Nº 9.514/97. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. PEDIDO LIMINAR. VEROSSIMILHANÇA. NECESSIDADE DE NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR DA DATA DA ALIENAÇÃO EXTRAJUDICIAL DO BEM. PRECEDENTES. RECURSO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. INCIDÊNCIA DA MULTA DO ART. 1.021, § 4º, DO NCPC. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O presente agravo interno foi interposto contra decisão publicada na vigência do NCPC, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Caso não exista necessidade de reexame de provas, limitando-se a solução da controvérsia à qualificação jurídica dos fatos expressamente delineados no acórdão recorrido, não há falar em incidência da Súmula nº 7 do STJ. 3.Nos contratos de alienação fiduciária regidos pela Lei nº 9.514/97, ainda que realizada a regular notificação do devedor para a purgação da mora, é indispensável a sua renovação por ocasião da alienação em hasta extrajudicial. Precedentes do STJ. 4. O agravante não apresentou argumento novo capaz de modificar a conclusão adotada, que se apoiou em entendimento aqui consolidado para dar provimento ao recurso especial manejado pela consumidora. 5. Em virtude do não provimento do presente recurso, e da anterior advertência quanto a aplicação do NCPC, incide ao caso a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do NCPC, no percentual de 3% sobre o valor atualizado da causa, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito da respectiva quantia, nos termos do § 5º daquele artigo de lei. 6. Agravo interno não provido, com imposição de multa. (AgInt no AREsp 1032835/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/08/2018, DJe 29/08/2018) grifo AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE ARREMATAÇÃO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE COISA IMÓVEL. LEI 9.514/97. LEILÃO EXTRAJUDICIAL. FACULDADE DE PURGAÇÃO DA MORA. NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR FIDUCIANTE. NECESSIDADE. PRECEDENTES ESPECÍFICOS. 1.Em julgados relativos ao tema, o Superior Tribunal de Justiça asseverou ser necessária a intimação do devedor acerca da data da realização do leilão extrajudicial, prevista no Decreto-Lei 70/66, mesmo nos casos dos contratos regidos pela Lei 9.514/97. 2. Falta de precedente específico desta Quarta Turma. Relevância do tema. Conversão do agravo em recurso especial. 3. Agravo interno provido, determinando-se a conversão em recurso especial. (AgRg no REsp 1481211 / SP, QUARTA TURMA, Rel. Min. LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), julgado em 19/10/2017, Dje 08/11/2017) grifo Logo, no ponto, o aresto recorrido merece ser reformado. 3.Ante o exposto, conheço do agravo para, de plano, dar parcialprovimentoao recurso especial para reconhecer a nulidade do leilão extrajudicial e de todos os atos posteriores, determinando que seja renovado o ato com a notificação pessoal dodevedoracerca da hora, data e local do novo leilão. Publique-se. Intimem-se.