AREsp 1870132 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para, com base na Súmula 283/STF, na Súmula 7/STJ e na insuficiência probatória quanto ao dissídio jurisprudencial, não conhecer do recurso especial, haja vista a existência de fundamento autônomo e suficiente não atacado (conhecimento do ato antes da realização do leilão), a ausência de...
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- Parties
- Agravante: JOSÉ AUGUSTO POLTRONIERI JÚNIOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Interno E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Leilão Extrajudicial, Intimação Pessoal, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 7/stj, Súmula 283/stf
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Parties
JOSÉ AUGUSTO POLTRONIERI JÚNIOR
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Interno E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação dos arts. 26, §§ 1º e 3º, e 27, § 2º-A, da Lei n. 9.514/97 quanto ao dever de notificação pessoal do devedor
- 2 Alegada divergência jurisprudencial (alínea c)
- 3 Incidência das Súmulas n. 283/STF e n. 7/STJ como óbices ao recurso
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para, com base na Súmula 283/STF, na Súmula 7/STJ e na insuficiência probatória quanto ao dissídio jurisprudencial, não conhecer do recurso especial, haja vista a existência de fundamento autônomo e suficiente não atacado (conhecimento do ato antes da realização do leilão), a ausência de demonstração de prejuízo e a impossibilidade de reexame do conjunto fático-probatório nas instâncias especiais.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por JOSÉ AUGUSTO POLTRONIERI JÚNIOR contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO INTERNO INTERPOSTO CONTRA O INDEFERIMENTO DE EFEITO SUSPENSIVO RECURSO PREJUDICADO AGRAVO DE INSTRUMENTO ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BEM IMÓVEL PEDIDO DE SUSPENSÃO DE LEILÕES AUTOR QUE EMBORA NÃO INTIMADO PESSOALMENTE ACERCA DA DATA DA REALIZAÇÃO DO LEILÃO EXTRAJUDICIAL TOMOU CONHECIMENTO DO ATO ANTES DA DATA DA SUA REALIZAÇÃO PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO INADIMPLEMENTO INCONTROVERSO RECURSO DESPROVIDO Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação dos arts. 26, §§ 1º e 3º, e 27, § 2º-A, da Lei n. 9.514/97, relativo ao dever de notificação pessoal do devedor acerca das datas de realização dos leilões extrajudiciais, trazendo os seguintes argumentos: Destaca-se que, diferentemente do entendimento do acórdão recorrido, a ausência de notificação para o pagamento da dívida é requisito para a validade da consolidação da propriedade, que deve ser pessoal, de forma que o ajuizamento da ação não supre tal exigência legal. .. No caso dos autos o recorrente não foi intimado para pagar a dívida, tampouco sobre a designação do leilão e, ainda, não foram exauridas as possibilidades de intimação pelo Oficial do Registro de Imóveis, o que, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgInt no AREsp 1344987, seria necessário para possibilitar a intimação por edital. (fls. 127-128). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, sustenta divergência jurisprudencial atinente à interpretação dos supracitados dispositivos legais, indicando como paradigmas arestos afins. É, no essencial, o relatório. Decido. No que concerne à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 283/STF, uma vez que a parte deixou de atacar fundamento autônomo e suficiente para manter o julgado, qual seja, o conhecimento do ato constritivo em data anterior à sua realização, inexistindo demonstração de prejuízo suportado pela parte ora recorrente (fls. 114/116). Nesse sentido: "A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do aresto impugnado impõe o não-conhecimento da pretensão recursal, a teor do entendimento disposto na Súmula n. 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"". (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.317.285/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de19/12/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.572.038/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1.157.074/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 5/8/2020; AgInt no REsp 1.389.204/MG, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no REsp 1.842.047/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; e AgRg nos EAREsp 447.251/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe de 20/5/2016. Ademais, tem-se que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos, o que é obstado pela Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"). Destarte: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) A propósito: AgInt no AREsp 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Quanto à segunda controvérsia, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, pois a mera transcrição de ementas não supre a necessidade de cotejo analítico, o qual exige a reprodução de trechos dos julgados confrontados, bem como a demonstração das circunstâncias identificadoras, com a indicação da existência de similitude fática e de identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados. Nessa linha: "A recorrente não se desincumbiu de demonstrar o dissídio de forma adequada, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC e do art. 255, § 1º, do RISTJ, tendo se limitado a transcrever e comparar trechos de ementas. Como é cediço, a simples transcrição de ementas com entendimento diverso, sem que se tenha verificado a identidade ou semelhança de situações, não revela dissídio, motivo pelo qual não é possível conhecer do recurso especial pela divergência". (AgRg no REsp 1.507.688/DF, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 27/5/2020.) Em consonância: REsp 1.874.545/CE, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 29/6/2020; AgInt no AREsp 1.595.985/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AgInt no AREsp 1.397.248/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 3/8/2020; e AgInt no REsp 1.851.352/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 13/4/2020. Ademais, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a", que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a incidência da Súmula 7/STJ também impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido". (AgInt no AREsp 1.402.598/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22/5/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.521.181/MT, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 19/12/2019; AgInt no AgInt no REsp 1.731.585/SC, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 26/9/2018; e AgInt no AREsp 1.149.255/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 13/4/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.