AREsp 2552359 - DECISAO
O Tribunal adotou a tese do Tema 1.132/STJ segundo a qual basta a prova do envio da notificação extrajudicial, via postal com aviso de recebimento, ao endereço do devedor constante do contrato para comprovar a mora nos contratos garantidos por alienação fiduciária, dispensando-se a prova do recebimento; assim, o...
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- Parties
- Agravante: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Ação De Busca E Apreensão, Mora, Notificação Extrajudicial, Tema 1.132/stj, Súmula 72/stj
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Parties
BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interposto Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Quais os requisitos para comprovação da mora em contratos garantidos por alienação fiduciária
- 2 Se é suficiente a prova do envio da notificação extrajudicial ao endereço constante do contrato sem prova de recebimento
- 3 Se é exigível que o credor esgote meios para localizar o devedor antes de ajuizar a ação de busca e apreensão
Ratio Decidendi
O Tribunal adotou a tese do Tema 1.132/STJ segundo a qual basta a prova do envio da notificação extrajudicial, via postal com aviso de recebimento, ao endereço do devedor constante do contrato para comprovar a mora nos contratos garantidos por alienação fiduciária, dispensando-se a prova do recebimento; assim, o acórdão regional que exigiu exaurimento de diligências para localização do devedor e prova de recebimento foi afastado.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
Orders
- Conhecer do agravo
- Dar provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO cuja ementa guarda os seguintes termos (fls. 292-293): AGRAVO INTERNO - APELAÇÃO - AÇÃO DE BUSCA EAPREENSÃO DE VEÍCULO - ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA - NOTIFICAÇÃOEXTRAJUDICIAL DEVOLVIDA PELO MOTIVO "NÃOPROCURADO" - PROTESTO DO TÍTULO POR EDITAL -IMPOSSIBILIDADE - NÃO ESGOTAMENTO DOS MEIOS DELOCALIZAÇÃO - MORA NÃO COMPROVADA - REQUISITO INDISPENSÁVEL AO AJUIZAMENTO DA LIDE - SÚMULA 72 DO STJ -AGRAVO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE - APLICAÇÃO DEMULTA -RECURSO NÃO PROVIDO. Se a notificação extrajudicial não foi entregue no endereço fornecido no contrato de financiamento com cláusula de alienação fiduciária, não está caracterizada a mora, e a intimação mediante protesto por edital só é admissível quando provado que foram esgotados todos os meios para a localização do devedor. A comprovação da mora é imprescindível à propositura da Ação de Busca e Apreensão (Súmula 72 do STJ). Verificado que o Agravo Interno é manifestamente improcedente, aplica-se a multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC. No recurso especial, alega a parte recorrente violação dos arts. 2º, § 2º, e 3º do DL n, 911/69, sob o argumento de que, quando o devedor não é encontrado no endereço fornecido ao credor, deve ser considerada válida a notificação expedida no endereço do contrato para sua constituição em mora e consequente seguimento da ação de busca e apreensão. Sustenta que o acórdão afronta o Tema 1.132/STJ, pois a notificação foi enviada ao endereço indicado no contrato. Contrarrazões ao recurso especial manifestadas às fls. 350-366. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 367-374), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fl. 391-406). É, no essencial, o relatório. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. Com razão o recorrente. O acórdão recorrido está divergente da atual jurisprudência do STJ. A controvérsia versada neste recurso especial diz respeito aos requisitos necessários para comprovação da mora em ação de busca e apreensão decorrente de inadimplemento em contrato de financiamento garantido por alienação fiduciária. Nos termos do art. 2º, § 2º, do Decreto-Lei n. 911/1969, a mora nos contratos de alienação fiduciária "decorrerá do simples vencimento no prazo para pagamento e poderá ser comprovada por carta registrada com aviso de recebimento, não se exigindo que a assinatura constante do referido aviso seja a do próprio destinatário". Essa questão de direito foi afetada à Segunda Seção como representativa de controvérsia e julgada sob o rito do art. 1.036 do Código de Processo Civil, em 9/8/2023, conforme acórdãos proferidos nos Recursos Especiais n. 1.951.888/RS e 1.951.662/RS, fixando-se a seguinte tese: Tema 1.132: Para a comprovação da mora nos contratos garantidos por alienação fiduciária, é suficiente o envio de notificação extrajudicial ao devedor no endereço indicado no instrumento contratual, dispensando-se a prova do recebimento, quer seja pelo próprio destinatário, quer por terceiros. No referido julgamento, prevaleceu a tese proposta pelo Ministro João Otávio de Noronha, segundo a qual a formalidade que a lei exige do credor para ajuizamento da ação de busca e apreensão é, tão somente, a prova do envio da notificação, via postal e com aviso de recebimento, ao endereço do devedor indicado no contrato, sendo desnecessária a prova do recebimento. Dessa forma, comprovado o envio: .. não cabe perquirir se a notificação será recebida pelo próprio devedor ou por terceiros, porque essa situação é mero desdobramento do ato, já que a formalidade exigida pela lei é a prova do envio ao endereço constante do contrato. Assim, se o devedor pretender eximir-se do recebimento da notificação e, para tanto, ausentar-se, isso é igualmente indiferente. Na mesma linha, não é exigível que o credor se desdobre para localizar o novo endereço do devedor. Ao contrário, cabe ao devedor que mudar de endereço informar a alteração ao credor. Isso se dá porque, ao formalizar um contrato com garantia da alienação fiduciária, já tem o devedor plena consciência das regras e das consequências do não pagamento. Inclusive, ao dar a garantia, ele já sabe que, até o final do contrato, deixa de ter a efetiva propriedade do bem, pois transfere ao credor fiduciário, durante a vigência do contrato, a propriedade e até mesmo o direito de tomar posse do bem, caso ocorra o inadimplemento da obrigação. .. Essa conclusão abarca como consectário lógico situações outras igualmente submetidas à apreciação deste Tribunal, tais como quando a notificação enviada ao endereço do devedor retorna com aviso de "ausente", de "mudou-se", de "insuficiência do endereço do devedor" ou de "extravio do aviso de recebimento", reconhecendo-se que cumpre ao credor demonstrar tão somente o comprovante do envio da notificação com aviso de recebimento ao endereço do devedor indicado no contrato. No caso em análise, o Tribunal a quo manteve a sentença que extinguiu a ação de busca e apreensão, sem resolução do mérito, considerando ineficaz, para comprovação da mora, a notificação enviada pelo recorrente ao endereço do recorrido indicado no contrato, por ter retornado com a informação "não procurado ", conforme se extrai do seguinte excerto (fls. 144-145): Conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, para a comprovação da mora a instituição financeira deve demonstrar o esgotamento de todos os meios para a localização da parte devedora e, se não encontrá-la, realizar o protesto do título com a intimação por edital. No caso concreto, a notificação foi enviada para o local assinalado na avença, porém devolvida pelo motivo "não procurado" (ID. 175825644), e em seguida foi efetuado o protesto por edital (ID. 175825645). Contudo, a comprovação da mora por essa via impunha o exaurimento das medidas para localizar o devedor, o que não aconteceu. Dessa maneira, não ficou demonstrado que houve a válida constituição em mora, que, segundo a Súmula 72 do STJ, é requisito essencial da Ação de Busca e Apreensão e condição de procedibilidade, devendo ocorrer no momento da propositura da lide. A expressão "não procurado" significa que o endereço foi localizado, mas, após três tentativas frustradas de entrega, o destinatário recebeu aviso para buscar sua correspondência na agência dos Correios mais próxima de sua residência. Nesse cenário, verifica-se que o acórdão recorrido está contrário à orientação firmada no Tema 1.132/STJ. Ante o exposto conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial nos termos da fundamentação acima expendida. Publique-se. Intimem-se. EMENTA