REsp 2186651 - DECISAO
Nego provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido está em conformidade com o entendimento consolidado no Tema 1.132/STJ: para constituir a mora em contratos com garantia de alienação fiduciária basta a prova do envio da notificação extrajudicial ao endereço constante do contrato, não sendo exigida a...
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- Parties
- Recorrente: LILIANE BATISTA DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Mérito
- Outcome
- Recurso especial improvido
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Busca E Apreensão, Constituição Em Mora, Notificação Extrajudicial, Telegrama Digital, Temas Repetitivos (tema 1.132)
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Parties
LILIANE BATISTA DE SOUZA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Mérito
Legal Issues
- 1 requisitos para comprovação da mora em ação de busca e apreensão decorrente de contrato com garantia de alienação fiduciária
- 2 validade da notificação extrajudicial por telegrama digital e necessidade (ou não) de prova do recebimento
Ratio Decidendi
Nego provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido está em conformidade com o entendimento consolidado no Tema 1.132/STJ: para constituir a mora em contratos com garantia de alienação fiduciária basta a prova do envio da notificação extrajudicial ao endereço constante do contrato, não sendo exigida a prova de recebimento, admitindo-se inclusive o envio por telegrama digital com certidão de entrega dos Correios.
Court Disposition
Recurso especial improvido
Orders
- Nego provimento ao recurso especial
- Majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 15% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, § 11, do CPC
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por LILIANE BATISTA DE SOUZA, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que julgou demanda relativa à comprovação da mora em ação de busca e apreensão. O julgado negou provimento ao recurso de apelação da recorrente nos termos da seguinte ementa (fl. 302): EMENTA: Alienação fiduciária - Busca e apreensão - Notificação enviada ao endereço consignado no contrato e lá recebida - Validade - Cerceamento de defesa não configurado - Inadimplemento incontroverso - Mora consubstanciada - Apelo improvido. Sem embargos de declaração. No recurso especial, alega a recorrente que o acórdão diverge da interpretação do STJ ao art. 2º, § 2º, do DL n. 911/1969, sustentando que não pode ser considerada válida a notificação por telegrama digital expedida ao endereço contratado para constituição em mora do devedor. Contrarrazões ao recurso especial (fls. 324-330). Sobreveio o juízo de admissibilidade positivo na instância de origem (fls. 331-332). É, no essencial, o relatório. A controvérsia versada neste recurso especial diz respeito aos requisitos necessários para comprovação da mora em ação de busca e apreensão decorrente de inadimplemento em contrato de financiamento garantido por alienação fiduciária. Nos termos do art. 2º, § 2º, do Decreto-Lei n. 911/1969, a mora nos contratos de alienação fiduciária "decorrerá do simples vencimento no prazo para pagamento e poderá ser comprovada por carta registrada com aviso de recebimento, não se exigindo que a assinatura constante do referido aviso seja a do próprio destinatário". Essa questão de direito foi afetada à Segunda Seção como representativa de controvérsia e julgada sob o rito do art. 1.036 do Código de Processo Civil, em 9/8/2023, conforme acórdãos proferidos nos Recursos Especiais n. 1.951.888/RS e 1.951.662/RS, fixando-se a seguinte tese: Tema 1.132: Para a comprovação da mora nos contratos garantidos por alienação fiduciária, é suficiente o envio de notificação extrajudicial ao devedor no endereço indicado no instrumento contratual, dispensando-se a prova do recebimento, quer seja pelo próprio destinatário, quer por terceiros. No referido julgamento, prevaleceu a tese proposta pelo Ministro João Otávio de Noronha, segundo a qual a formalidade que a lei exige do credor para ajuizamento da ação de busca e apreensão é, tão somente, a prova do envio da notificação, via postal e com aviso de recebimento, ao endereço do devedor indicado no contrato, sendo desnecessária a prova do recebimento. Dessa forma, comprovado o envio: .. não cabe perquirir se a notificação será recebida pelo próprio devedor ou por terceiros, porque essa situação é mero desdobramento do ato, já que a formalidade exigida pela lei é a prova do envio ao endereço constante do contrato. Assim, se o devedor pretender eximir-se do recebimento da notificação e, para tanto, ausentar-se, isso é igualmente indiferente. Na mesma linha, não é exigível que o credor se desdobre para localizar o novo endereço do devedor. Ao contrário, cabe ao devedor que mudar de endereço informar a alteração ao credor. Isso se dá porque, ao formalizar um contrato com garantia da alienação fiduciária, já tem o devedor plena consciência das regras e das consequências do não pagamento. Inclusive, ao dar a garantia, ele já sabe que, até o final do contrato, deixa de ter a efetiva propriedade do bem, pois transfere ao credor fiduciário, durante a vigência do contrato, a propriedade e até mesmo o direito de tomar posse do bem, caso ocorra o inadimplemento da obrigação. .. Essa conclusão abarca como consectário lógico situações outras igualmente submetidas à apreciação deste Tribunal, tais como quando a notificação enviada ao endereço do devedor retorna com aviso de "ausente", de "mudou-se", de "insuficiência do endereço do devedor" ou de "extravio do aviso de recebimento", reconhecendo-se que cumpre ao credor demonstrar tão somente o comprovante do envio da notificação com aviso de recebimento ao endereço do devedor indicado no contrato. No caso em análise, o Tribunal a quo consignou (fl. 232): In casu, reparo que, a mov. de nº 01, doc. 08, há a comprovação de encaminhamento de notificação ao endereço constante do contrato, bem como de seu efetivo recebimento pelo devedor, por carta (telegrama) remetida por intermédio dos Correios, satisfazendo todos os requisitos formais para validação da constituição em mora. Nesse cenário, verifica-se que o acórdão recorrido está em harmonia com a orientação firmada no Tema n. 1.132/STJ. Ademais, esta Corte admite a intimação por telegrama digital. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. CONSTITUIÇÃO EM MORA. TELEGRAMA DIGITAL. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. É admitida a notificação por meio de telegrama digital, com certidão de entrega expedida pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, com o fim de constituir o devedor em mora em contratos de alienação fiduciária. 2. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.045.190/PR, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023.) grifou-se AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO COM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. NOTIFICAÇÃO EXTRAJUDICIAL. TELEGRAMA DIGITAL. VALIDADE. RECURSO DESPROVIDO. 1. A mora decorre do simples vencimento, nos termos do art. 2º, § 2º, do Decreto-Lei n. 911/1969, estando condicionado o ajuizamento da ação de busca e apreensão pelo credor, apenas, à comprovação do envio da notificação extrajudicial para o endereço do devedor indicado no contrato, sendo prescindível que seja pessoal. 2. Embora a prática do ato seja demonstrada, costumeiramente, por meio de aviso de recebimento (AR) por via postal, considera-se cumprida a exigência pelo envio de telegrama digital, com certidão de entrega expedida pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, porquanto atingido o dever de informação, a fim de possibilitar que o devedor possa purgar a mora. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.821.119/PR, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 23/9/2019, DJe de 27/9/2019.) grifou-se Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial nos termos da fundamentação acima expendida. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 15% sobre o valor atualizado da causa, observada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO ESPECIAL. CIVIL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. COMPROVAÇÃO DA MORA. NOTIFICAÇÃO EXTRAJUDICIAL POR TELEGRAMA DIGITAL. POSSIBILIDADE. TEMA N. 1.132. NOTIFICAÇÃO. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO.