AREsp 2808404 - DECISAO
Conhecido o agravo para não conhecer do recurso especial porque subsiste fundamento autônomo e suficiente no acórdão recorrido (não incidência da Lei n. 8.009/1990 diante da alienação fiduciária e consolidação da propriedade) que não foi impugnado, nos termos da Súmula 283/STF; ademais, a pretensão exigiria...
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- Parties
- Agravante/recorrente: THALIA FERNANDA GONZAGA; Agravada/recorrida: Cooperativa de Crédito Rural de Abelardo Luz - Sulcredi; Mutuário: Mauro Mariano da Silva Júnior
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Bem De Família, Outorga Uxória, Admissibilidade De Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial, Honorários Advocatícios
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Parties
THALIA FERNANDA GONZAGA
Agravante/recorrente
Cooperativa de Crédito Rural de Abelardo Luz - Sulcredi
Agravada/recorrida
Mauro Mariano da Silva Júnior
Mutuário
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Necessidade de outorga uxória em alienação fiduciária quando há união estável pré-existente
- 2 Aplicabilidade da Lei n. 8.009/1990 (impenhorabilidade do bem de família) à hipótese de alienação fiduciária e consolidação da propriedade em favor da instituição financeira
- 3 Incidência da Súmula n. 283/STF por não impugnação de fundamento autônomo do acórdão recorrido
Ratio Decidendi
Conhecido o agravo para não conhecer do recurso especial porque subsiste fundamento autônomo e suficiente no acórdão recorrido (não incidência da Lei n. 8.009/1990 diante da alienação fiduciária e consolidação da propriedade) que não foi impugnado, nos termos da Súmula 283/STF; ademais, a pretensão exigiria revolvimento de matéria fático-probatória e reanálise de cláusulas contratuais, vedados pelas Súmulas 5 e 7 do STJ, e não houve demonstração do cotejo analítico necessário para configurar dissídio jurisprudencial.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
- Publique-se.
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DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por THALIA FERNANDA GONZAGA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ANULATÓRIA. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA DA PARTE AUTORA. IMÓVEL OFERTADO COMO GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. ASSINATURA DA PACTUAÇÃO QUE OCORREU ANTERIORMENTE À FORMALIZAÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL. ADEMAIS, MUTUÁRIO QUE SE DECLAROU SOLTEIRO NA AQUISIÇÃO DO IMÓVEL E NÃO CONVIVENTE EM UNIÃO ESTÁVEL. PRESCINDIBILIDADE DE OUTORGA UXÓRIA. ALEGADA IMPENHORABILIDADE POR SE TRATAR DE BEM DE FAMÍLIA. TESE RECHAÇADA. NÃO INCIDÊNCIA DA PROTEÇÃO CONFERIDA PELA LEI N. 8.009/90. INSTITUTO QUE SE TRATA DE CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE EM NOME DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DECISUM MANTIDO. HONORÁRIOS RECURSAIS. ART. 85, §§ 1º E 11, DO CPC/15. MAJORAÇÃO DEVIDA. CRITÉRIOS CUMULATIVOS PREENCHIDOS (STJ, EDCL NO AGINT NO RESP 1.573.573/RJ). RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 1.647, I, do Código Civil e do art. 1º da Lei n. 8.009/1990, no que concerne à necessidade de outorga uxória na alienação fiduciária do imóvel, pois a recorrente vivia em união estável com o devedor fiduciário à época da contratação, trazendo a seguinte argumentação: A recorrente, Thalia Fernanda Gonzaga, mãe dedicada e protetora, luta incansavelmente para manter suas duas filhas pequenas sob um teto seguro. Este teto, que é o único imóvel da família, está ameaçado devido a uma injusta consolidação de propriedade realizada pela recorrida, Cooperativa de Crédito Rural de Abelardo Luz - Sulcredi. A recorrente e suas filhas residem neste imóvel, que sempre foi, e é, o lar onde construíram suas vidas e cultivaram suas memórias mais preciosas. .. O acórdão recorrido violou o art. 1.647, I, do Código Civil, ao não reconhecer a necessidade de outorga uxória na alienação fiduciária do imóvel. A recorrente vivia em união estável com o devedor fiduciário à época da contratação, o que impunha a necessidade de sua anuência para a validade do negócio jurídico. A ausência dessa outorga implica, conforme doutrina majoritária e jurisprudência pacífica, na nulidade do ato jurídico. (fl. 493). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 283/STF, uma vez que a parte deixou de atacar fundamento autônomo e suficiente para manter o julgado, qual seja: Em seguimento, o art. 22 da Lei n. 9.514/1997 estabelece que a alienação fiduciária "é o negócio jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel", motivo pelo qual, uma vez constituída a garantia, mesmo sendo ofertada por terceiro, torna-se o fiduciante somente possuidor direto do bem. E, consoante jurisprudência desta Corte, "encontram-se fora do âmbito de incidência da Lei n. 8.009/90, que trata do bem de família, as hipóteses em que há alienação fiduciária do imóvel, restando inaplicável, portanto, a tese de impenhorabilidade do aludido bem, tendo em vista se tratar de consolidação da propriedade em nome da instituição financeira" (Agravo de Instrumento n. 0157948-74.2014.8.24.0000, rel. Des. Robson Luz Varella, j. em 16.2.2017).(fls. 482-483). Nesse sentido: "A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do aresto impugnado impõe o não-conhecimento da pretensão recursal, a teor do entendimento disposto na Súmula n. 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"". (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.317.285/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de19/12/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.572.038/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1.157.074/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 5/8/2020; AgInt no REsp 1.389.204/MG, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no REsp 1.842.047/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; e AgRg nos EAREsp 447.251/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe de 20/5/2016. Para além do que já foi dito, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Compulsando os autos originários, observa-se que o "Instrumento Particular de Contrato de União Estável" foi firmado na data de 12-11-2021 (Evento 1, DECL4), ou seja, em momento posterior à emissão da Cédula de Crédito Bancário em 05-03-2021 (Evento 1, DOCUMENTACAO8). Ademais, extrai-se dos autos que Mauro Mariano da Silva Junior adquiriu individualmente o aludido imóvel em 10-03-2020, qualificando-se, na ocasião, como "solteiro" (Evento 20, MATRIMÓVEL3). Verifica-se, também, que na data da averbação do título supracitado na matrícula do bem (31-03-2021), o devedor fiduciário manteve o estado civil divulgado anteriormente. Além disso, ao contrário do narrado pela recorrente, inexiste qualquer documento nos autos que comprove que a existência de união estável antes da assinatura da Cédula de Crédito Bancário, uma vez que a recorrente apenas colacionou "Termo de adesão ao contrato de Prestação de Serviço de Comunicação Multimídia", o qual sequer faz menção ao seu companheiro (Evento 1, DOCUMENTACAO9). .. Assim, a recorrente não juntou aos autos nenhum documento hábil a fim de comprovar que, no momento da contratação da Cédula de Crédito Bancária de n. 00084236, já possuía união estável com Mauro Mariano da Silva Júnior, sobretudo porque o mutuário se declarou solteiro na aquisição do imóvel e não convivente em união estável. (fls. 482-483). Assim, incidem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ, porquanto a pretensão recursal demanda reexame de cláusulas contratuais e reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Portanto, "a pretensão de alterar tal entendimento, considerando as circunstâncias do caso concreto, demandaria o revolvimento de matéria fático-probatória e reanálise de cláusulas contratuais, o que é inviável em sede de recurso especial, conforme dispõem as Súmulas 5 e 7, ambas do STJ" (AgInt no AREsp 1.227.134/SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 9.10.2019). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp 1.716.876/SP, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 3.10.2019; AgInt no AREsp 1.165.518/DF, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 4.10.2019; AgInt no AREsp 481.971/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 25.9.2019; AgInt no REsp 1.815.585/DF, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 23.9.2019; e AgInt no AREsp 1.480.197/MG, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 25.9.2019. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório" (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5.4.2019). Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal" (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021). Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, Rel. Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.8.2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13.8.2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3.6.2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.5.2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28.4.2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 5.5.2021. Além disso, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a", que, por sua vez, foi obstaculizada pela ausência de impugnação específica dos fundamentos do acórdão recorrido (Súmula 283/STF). Assim, quando remanesce incólume fundamento capaz por si só de manter o acórdão recorrido, impõe-se o reconhecimento da inexistência de identidade jurídica entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c". Por fim, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a incidência da Súmula 7/STJ também impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido". (AgInt no AREsp 1.402.598/RS, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22.5.2019). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.521.181/MT, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 19.12.2019; AgInt no AgInt no REsp 1.731.585/SC, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 26.9.2018; e AgInt no AREsp 1.149.255/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 13.4.2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA