CC 211473 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque os bens penhorados pertencem a terceiros garantidores e tiveram sua propriedade consolidada em favor do exequente (BNDES), de modo que, nos termos da Súmula 581/STJ e dos precedentes citados, a recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento da...
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- Parties
- Agravante: NOBRE PATRIMONIAL ADMINISTRAÇÃO E CONSULTORIA LTDA; Agravantes: OUTROS; Exequente: BNDES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Conflito De Competência / Acórdão Sessão Virtual Da Segunda Seção De 04/09/2025 a 10/09/2025 (julgamento Que Negou Provimento)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Consolidação Da Propriedade, Competência Do Juízo Da Execução Individual, Efeitos Da Recuperação Judicial, Súmula 581/stj
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Parties
NOBRE PATRIMONIAL ADMINISTRAÇÃO E CONSULTORIA LTDA
Agravante
OUTROS
Agravantes
BNDES
Exequente
Procedural Posture
Agravo Interno No Conflito De Competência / Acórdão Sessão Virtual Da Segunda Seção De 04/09/2025 a 10/09/2025 (julgamento Que Negou Provimento)
Legal Issues
- 1 Se a recuperação judicial do devedor principal impede o prosseguimento da execução contra terceiros garantidores
- 2 Se bem consolidado em favor do exequente, o crédito titular da posição de proprietário fiduciário é afetado pelos efeitos da recuperação judicial
- 3 Qual é o juízo competente para prosseguir com atos de execução sobre imóveis penhorados
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque os bens penhorados pertencem a terceiros garantidores e tiveram sua propriedade consolidada em favor do exequente (BNDES), de modo que, nos termos da Súmula 581/STJ e dos precedentes citados, a recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento da execução contra terceiros nem alcança créditos na posição de proprietário fiduciário, razão pela qual a competência para prosseguir com os atos executórios é do Juízo Federal.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão que declarou a competência da Justiça Federal para prosseguir com os atos de execução
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/09/2025 a 10/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto da Sra. Ministra Nancy Andrighi. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Marco Buzzi. EMENTA AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL E JUSTIÇA FEDERAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE. EXPROPRIAÇÃO DE IMÓVEIS PENHORADOS PELA JUSTIÇA FEDERAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO INDIVIDUAL. 1. Nos termos da Súmula 581/STJ, "A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória". 2. O STJ assentou o entendimento, quando do julgamento do CC 191.533/MT (Segunda Seção, DJe 26/4/2024) de que, "Com o advento da Lei n. 14.112/2020, tem-se não mais haver espaço - diante de seus termos resolutivos - para a interpretação que confere ao Juízo da recuperação judicial o status de competente universal para deliberar sobre toda e qualquer constrição judicial efetivada no âmbito das execuções de crédito extraconcursal, a pretexto de sua essencialidade ao desenvolvimento de sua atividade, principalmente em momento posterior ao decurso do "stay period". 3. "O crédito de titular da posição de proprietário fiduciário de bens imóveis ou móveis estão excluídos dos efeitos da recuperação judicial, ainda que a fidúcia tenha sido concedida por terceiro" (AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp 1.875.972/SP, Quarta Turma, DJe 3/3/2022). 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Cuida-se de agravo interno interposto por NOBRE PATRIMONIAL ADMINISTRAÇÃO E CONSULTORIA LTDA e OUTROS contra decisão que declarou a competência da Justiça Federal. Em suas razões, alegam que "Os imóveis foram penhorados sem o devido contraditório, e há ação autônoma discutindo o domínio desses bens, o que afasta o alcance direto da Súmula 581/STJ" (e-STJ fl. 232). Afirma que compete ao juízo onde tramita a recuperação judicial apreciar os atos de expropriação de bens litigiosos. Aduz que são os legítimos possuidores de tais imóveis. Argumenta que "A existência de relação jurídica prévia entre os imóveis em questão e as empresas em recuperação judicial obsta a continuidade do leilão judicial determinado pelo Juízo Federal" (e-STJ fl. 234). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL E JUSTIÇA FEDERAL. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE. EXPROPRIAÇÃO DE IMÓVEIS PENHORADOS PELA JUSTIÇA FEDERAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO INDIVIDUAL. 1. Nos termos da Súmula 581/STJ, "A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória". 2. O STJ assentou o entendimento, quando do julgamento do CC 191.533/MT (Segunda Seção, DJe 26/4/2024) de que, "Com o advento da Lei n. 14.112/2020, tem-se não mais haver espaço - diante de seus termos resolutivos - para a interpretação que confere ao Juízo da recuperação judicial o status de competente universal para deliberar sobre toda e qualquer constrição judicial efetivada no âmbito das execuções de crédito extraconcursal, a pretexto de sua essencialidade ao desenvolvimento de sua atividade, principalmente em momento posterior ao decurso do "stay period". 3. "O crédito de titular da posição de proprietário fiduciário de bens imóveis ou móveis estão excluídos dos efeitos da recuperação judicial, ainda que a fidúcia tenha sido concedida por terceiro" (AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp 1.875.972/SP, Quarta Turma, DJe 3/3/2022). 4. Agravo interno não provido. VOTO A despeito dos argumentos invocados pelos agravantes em suas razões recursais, inexiste razão jurídica apta a conduzir à reforma da decisão impugnada. Verifica-se das informações prestadas pelo Juízo Federal que os bens constritos na execução que lá tramita não integram o patrimônio das sociedades recuperandas, mas de "terceiros garantidores do contrato que se executa" (e-STJ fl. 65). Também se pode depreender, a partir da manifestação do Juízo Estadual, que, em razão do inadimplemento contratual, houve a consolidação da propriedade de referidos bens - que foram objeto de alienação fiduciária - em favor da parte exequente (BNDES) (e-STJ fl. 78). Nesse contexto, considerando-se o entendimento do STJ acerca da matéria, a competência para prosseguir com os atos de execução é, de fato, do Juízo Federal. Isso porque, nos termos da Súmula 581/STJ, "A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória". Além disso, conforme consignado na decisão agravada, é necessário lembrar que o STJ assentou o entendimento, quando do julgamento do CC 191.533/MT (Segunda Seção, DJe 26/4/2024) de que, "Com o advento da Lei n. 14.112/2020, tem-se não mais haver espaço - diante de seus termos resolutivos - para a interpretação que confere ao Juízo da recuperação judicial o status de competente universal para deliberar sobre toda e qualquer constrição judicial efetivada no âmbito das execuções de crédito extraconcursal, a pretexto de sua essencialidade ao desenvolvimento de sua atividade, principalmente em momento posterior ao decurso do "stay period". No particular, outrossim, cumpre destacar que "O crédito de titular da posição de proprietário fiduciário de bens imóveis ou móveis estão excluídos dos efeitos da recuperação judicial, ainda que a fidúcia tenha sido concedida por terceiro" (AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp 1.875.972/SP, Quarta Turma, DJe 3/3/2022). Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.