MS 30471 - DECISAO
A ordem foi denegada por ausência de direito líquido e certo, visto que o impetrante não demonstrou vício no procedimento de revisão administrativa; a intervenção judicial não se justifica sem demonstração da ilegalidade do ato apontado como coator, em consonância com o entendimento do STF e da Primeira Seção do STJ.
Source-derived case information.
- Parties
- Impetrante: JOSÉ SALES DE OLIVEIRA; Coator: Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 September 2024
- Procedural Posture
- Mandado De Segurança / Decisão Denegatória
- Outcome
- Ordem denegada
- Legal Topics
- Anistia Política, Revisão Administrativa, Decadência, Devido Processo Legal, Proteção Ao Idoso, Dignidade Da Pessoa Humana
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JOSÉ SALES DE OLIVEIRA
Impetrante
Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania
Coator
Procedural Posture
Mandado De Segurança / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 Ilegalidade do ato de anulação da anistia
- 2 Aplicabilidade da decadência à revisão de anistia
- 3 Exercício de autotutela da Administração Pública
Ratio Decidendi
A ordem foi denegada por ausência de direito líquido e certo, visto que o impetrante não demonstrou vício no procedimento de revisão administrativa; a intervenção judicial não se justifica sem demonstração da ilegalidade do ato apontado como coator, em consonância com o entendimento do STF e da Primeira Seção do STJ.
Court Disposition
Ordem denegada
Orders
- Denego a ordem
- Prejudicado o agravo interno de fls. 55/65
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se mandado de segurança impetrado por JOSÉ SALES DE OLIVEIRA, com pedido de liminar, contra ato praticado pelo Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania consubstanciado na anulação do ato declaratório de sua anistia política por meio da Portaria nº 313, de 22 de abril de 2024. Sustenta a impetração que o cancelamento de sua anistia política ofende o princípio da dignidade e da proteção ao idoso. Requer, pois, a concessão da ordem para que seja declarado nulo o ato apontado como coator. Liminar indeferida pelo então relator Ministro Herman Benjamin (fls. 45/46). É o relatório. Extrai-se dos autos que a impetração limita-se a afirmar que a anulação da anistia viola os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da proteção ao idoso sem, contudo, apontar qualquer vício no processo de revisão. Nesse cenário, não se verifica o direito líquido e certo do impetrante a ensejar a concessão da ordem, notadamente porque a Primeira Seção desta Corte se posicionou no sentido de que não deve haver intervenção jurisdicional quando não evidenciada a ilegalidade do ato apontado como coator. Sobre o tema, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. ANISTIA POLÍTICA. REVISÃO. EXERCÍCIO DE AUTOTUTELA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 839/STF ACÓRDÃO DO STJ QUE DIVERGE DA CONCLUSÃO DO STF. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC. RETRATAÇÃO EFETUADA. NULIDADE DO PROCEDIMENTO POR OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA NÃO COMPROVADA. ORDEM DENEGADA. 1. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 839 em repercussão geral, emitiu a tese de que, "no exercício de seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica relativos à Portaria 1.104, editada pelo Ministro de Estado da Aeronáutica, em 12 de outubro de 1964 quando se comprovar a ausência de ato com motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento administrativo, o devido processo legal e a não devolução das verbas já recebidas" (RE 817.338/DF, relator Ministro Dias Toffoli, Plenário, DJe de 30/7/2020). 2. No julgado, a Corte Suprema lançou a diretriz de que "o decurso do lapso temporal de 5 (cinco) anos não é causa impeditiva bastante para inibir a Administração Pública de revisar determinado ato, haja vista que a ressalva da parte final da cabeça do art. 54 da Lei nº 9.784/99 autoriza a anulação do ato a qualquer tempo, uma vez demonstrada, no âmbito do procedimento administrativo, com observância do devido processo legal, a má-fé do beneficiário". 3. Ao que se verifica do cotejo das razões de decidir do Tema 839/STF com o acórdão ora submetido a juízo de retratação, há conclusões divergentes, pois, enquanto a tese de repercussão adota o entendimento de que o lapso temporal de 5 anos não impede a revisão do ato quando se apurar eventual má-fé, o aresto aplica a decadência ao caso concreto. 4. Quanto ao pedido remanescente, a Primeira Seção desta Corte, com base no entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no RE n. 817.338/DF, ao analisar os procedimentos de revisão das anistias concedidas com base na Portaria n. 1.104/GM-3/1964, "entendeu que tais processos não podem cercear a defesa do interessado, não bastando, contudo, a alegação genérica de nulidade, devendo ser demonstrada a condução irregular pela administração" (MS 18.682/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, julgado em 14/6/2023, DJe de 20/6/2023). 5. Juízo de retratação efetuado. Decadência afastada. Denegação da ordem quanto à pretensão remanescente. (MS n. 18.914/DF, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Seção, julgado em 28/2/2024, DJe de 4/3/2024.) Ante o exposto, denego a ordem. Prejudicado o agravo interno de fls. 55/65 interposto contra a decisão liminar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA MANDADO DE SEGURANÇA. ANISTIA POLÍTICA. REVISÃO DO ATO. ILEGALIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. ORDEM DENEGADA.