MS 19127 - DECISAO
Exercido o juízo de retratação pelo órgão prolator em conformidade com o entendimento vinculante do STF no Tema 839, afastou-se a decadência para revisão do ato de anistia; ademais reconheceu-se a incompetência do GTI para atuar em matérias de anistia em razão da competência não delegável da Comissão de Anistia,...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 October 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Juízo De Retratação Proferido; Recurso Extraordinário Prejudicado Por Perda Superveniente De Objeto
- Outcome
- Recurso extraordinário prejudicado por perda superveniente de objeto em razão do juízo de retratação e da conciliação do entendimento do STJ com o Tema 839/STF
- Legal Topics
- Anistia Política, Decadência, Autotutela Administrativa, Repercussão Geral (tema 839/stf), Juízo De Retratação
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Juízo De Retratação Proferido; Recurso Extraordinário Prejudicado Por Perda Superveniente De Objeto
Legal Issues
- 1 Se a revisão do ato de anistia está sujeita ao prazo decadencial previsto no art. 54 da Lei n. 9.784/1999
- 2 Competência do GTI para analisar questões relativas à anistia e delegabilidade da competência da Comissão de Anistia
- 3 Efeito vinculante do Tema 839 do STF sobre o entendimento do STJ
Ratio Decidendi
Exercido o juízo de retratação pelo órgão prolator em conformidade com o entendimento vinculante do STF no Tema 839, afastou-se a decadência para revisão do ato de anistia; ademais reconheceu-se a incompetência do GTI para atuar em matérias de anistia em razão da competência não delegável da Comissão de Anistia, mantendo-se a concessão da ordem e, por ter a parte obtido o resultado pretendido, o recurso extraordinário restou prejudicado por perda superveniente de objeto.
Court Disposition
Recurso extraordinário prejudicado por perda superveniente de objeto em razão do juízo de retratação e da conciliação do entendimento do STJ com o Tema 839/STF
Orders
- Fica prejudicado o recurso extraordinário de fls. 1.181-1.189 por perda superveniente de objeto
- Mantida a concessão da ordem (juízo de retratação), nos termos dos arts. 1.040, II, e 1.041, § 1º, do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário (fls. 1.181-1.189) interposto contra acórdão no qual foi estabelecido que a revisão do ato de anistia deve observar o prazo decadencial previsto no art. 54 da Lei n. 9.784/1999. Às fls. 1.206-1.209, o recurso foi sobrestado em razão do reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da repercussão geral acerca da matéria no Tema n. 839 do STF. Com a finalização do julgamento da controvérsia relativa ao Tema n. 839 do STF, foram os autos encaminhados ao órgão prolator do acórdão recorrido para eventual juízo de retratação, nos termos do art. 1.040, II, do CPC (fl. 1.215). O órgão julgador exerceu o juízo de retratação em acórdão assim ementado (fl. 1.266): DIREITO PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DESEGURANÇA. ANISTIA POLÍTICA. ANULAÇÃO. PODER DE AUTOTUTELA DA ADMINISTRAÇÃO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. TEMA 839/STF. INCOMPETÊNCIA DO GTI. PRECEDENTES. CONCESSÃO DA ORDEM. 1) No caso dos autos, o impetrante relata que foi declarado anistiado político por meio de Portaria do Ministro de Estado da Justiça, na qual foi concedida reparação econômica de caráter indenizatório, em prestação mensal, permanente e continuada, com fundamento na Lei 10.559/2002. Alega, em síntese, que ocorreu a decadência do prazo para a Administração rever o ato anistiador em razão do transcurso do prazo de cinco anos entre a concessão da anistia e a edição do ato coator impugnado no presente mandado de segurança, bem como a absoluta boa- fé do impetrante ao apresentar a declaração de perseguido político, nos termos dos art. 53 e 54 da Lei 9.784/99. 2) A Primeira Seção do STJ havia concedido a ordem sob o fundamento de que houve decadência da autotutela administrativa para revisar a concessão de anistias a militares afastados com base na Portaria n. 1.104-GM2/1964. 3) A interposição recurso extraordinário, o qual ficou - ao fim e ao cabo - sobrestado até o final de 2022, motivou a determinação da Vice-Presidência do STJ pelo retorno dos autos à Primeira Seção para eventual juízo de retratação. 4) O acórdão antes proferido pela Primeira Seção deve ser reformado, pois seus fundamentos divergem do entendimento vinculante do Supremo Tribunal Federal pela não ocorrência de decadência. Ademais, em razão da definição da jurisprudência do STF, o STJ está adequando o seu entendimento à orientação agora de vinculante. Desse modo, a decadência deve ser afastada. Precedentes. 5) Porém, entre as causas de pedir do mandado de segurança está a alegação de incompetência do GTI para analisar questões afetas à anistia, a qual deve ser acolhida. Com efeito, a competência da Comissão de Anistia, nos termos do art. 11 e 13, III, da Lei n. 9.784/1999, não é delegável a outros órgãos da Administração Pública. 6) Mantida a concessão da ordem, em juízo de retratação, nos termos dos arts. 1.040, II, e 1.041, § 1º, ambos do CPC/2015. É o relatório. 2. Conforme se verifica dos autos, com o exercício do juízo de retratação, o entendimento do órgão recorrido encontra-se em consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. 3. Ante o exposto, tendo em vista que a parte recorrente alcançou seu objetivo e não versando o recurso outras questões, fica prejudicado o recurso extraordinário de fls. 1.181-1.189 , em razão da perda superveniente de objeto. Publique. Intimem-se. EMENTA