ExeMS 13786 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a União não comprovou que notificou o interessado acerca do procedimento revisional administrativo instaurado; sem tal notificação não se justifica a suspensão da execução, não podendo o processo permanecer paralisado indefinidamente; ressalvou-se, porém, que caso seja...
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- Parties
- Agravante: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Execução Em Mandado De Segurança / Acórdão (julgamento Colegiado)
- Outcome
- Agravo interno improvido
- Legal Topics
- Anistia Política, Execução Em Mandado De Segurança, Precatório, Inexigibilidade Do Título Judicial, Procedimento Revisional Administrativo, IN N. 2/2021, IN N. 3/2021, Tema 839 (re 817.338/df)
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Parties
UNIÃO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Na Execução Em Mandado De Segurança / Acórdão (julgamento Colegiado)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de anulação da portaria anistiadora em face do entendimento do RE 817.338/DF (Tema 839)
- 2 Efeito de procedimento revisional administrativo sobre a exigibilidade do título judicial
- 3 Necessidade de notificação do interessado para afastar a exigibilidade e justificar suspensão da execução
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a União não comprovou que notificou o interessado acerca do procedimento revisional administrativo instaurado; sem tal notificação não se justifica a suspensão da execução, não podendo o processo permanecer paralisado indefinidamente; ressalvou-se, porém, que caso seja comprovada posteriormente a anulação da anistia, com observância das garantias processuais, deverá ser extinta a execução em curso e cancelado o precatório até o levantamento dos valores.
Court Disposition
Agravo interno improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão agravada que rejeitou, provisoriamente, a preliminar de inexigibilidade e determinou a expedição do precatório do valor incontroverso, nos termos do art. 535, § 4º, do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE DE ANULAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA À LUZ DA ORIENTAÇÃO ADOTADA NO JULGAMENTO DO RE 817.338/DF (TEMA 839). INSTAURAÇÃO DE NOVO PROCEDIMENTO REVISIONAL NOS TERMOS DA IN N. 2/2021 DO MMFDH. PRETENSÃO DE MANTER SUSPENSA A EXECUÇÃO. INVIABILIDADE. AUS"ENCIA DE NOTIFICAÇÃO DO INTERESSADO DA REVISÃO DEFLAGRADA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Aludindo à possibilidade de anulação da portaria anistiadora à luz da orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 817.338/DF (Tema 839), a UNIÃO informou que instaurara novo procedimento revisional, seguindo as diretrizes da IN n. 3/2021 do MMFDH e requereu fosse mantida suspensa a execução até que concluída a revisão deflagrada. 2. Em que pese a intenção de observar, com mais rigor, o devido processo legal, como exige o precedente emanado da Excelsa Corte, o ente público não se desincumbiu de comprovar que notificara o interessado do procedimento revisional instaurado, situação que não autoriza manter o sobrestamento do feito executivo. 3. Agravo interno improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Daniela Teixeira, Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT) e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Antonio Saldanha Palheiro.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno de fls. 638-642 interposto pela UNIÃO contra decisão monocrática que, em sede de execução em mandado de segurança, concluiu remanescer válida a portaria de anistia objeto do presente feito, tendo em vista que, embora se reporte à instauração de novo procedimento revisional, sequer comprovou a notificação do agravado. Em consequência, rejeitou, ao menos por ora, a preliminar de inexigibilidade do título judicial e determinou a expedição do precatório de valor incontroverso, nos termos do art. 535, § 4º, do CPC. A agravante alega, em síntese: (a) "a obrigação definida no título judicial em comento é de todo inexigível já no presente momento, tendo em vista a submissão da anistia a processo administrativo de revisão em curso"; (b) "não se pode afirmar que a inexigibilidade somente surja com a efetiva anulação da portaria de anistia, pois a sua submissão a processo administrativo de revisão é comprovadamente atual, o que por si só já subtrai a exigibilidade da obrigação nela definida, dada a possibilidade iminente de sua invalidação"; (c) "a totalidade dos valores executados ainda é controvertida e está sujeita a modificação via recurso na presente execução, na medida em que a União impugnou a integralidade do valor pleiteado, sustentando a inexigibilidade da obrigação definida na portaria de anistia"; e (d) "o título cujo cumprimento se requer não goza de exigibilidade, devendo-se aguardar o desfecho do processo de revisão de anistia". O agravado, por sua vez, pleiteia a manutenção da decisão argumentando: (a) a protelação não merece subsistir, visto que "a portaria de anistia .. é do ano de 2002, ou seja, há cerca de mais de 21 (vinte) anos atrás"; (b) "não assiste razão a União, o acórdão concessivo da segurança, proferido no âmbito do MS 13.786/DF, transitou em julgado momento anterior ao pronunciamento do STF (15/08/2018), em sede de repercussão geral, no julgamento do Tema 839, acerca da matéria, não sendo, portanto, inexigível como sustenta a União o título exequendo"; (c) "a inexigibilidade só ocorreria se o título judicial, nos moldes em que proferido, sobreviesse à decisão do STF", no tocante ao Tema 839, de forma que o trânsito em julgado no âmbito do execução "constitui óbice a tal pretensão"; e (d) "o título é exigível, mostrando-se correto o "decisum" impugnado que determinou o pagamento do precatório do valor incontroverso já deferido, não sendo o caso de se determinar nova suspensão do respectivo pagamento". É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE DE ANULAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA À LUZ DA ORIENTAÇÃO ADOTADA NO JULGAMENTO DO RE 817.338/DF (TEMA 839). INSTAURAÇÃO DE NOVO PROCEDIMENTO REVISIONAL NOS TERMOS DA IN N. 2/2021 DO MMFDH. PRETENSÃO DE MANTER SUSPENSA A EXECUÇÃO. INVIABILIDADE. AUS"ENCIA DE NOTIFICAÇÃO DO INTERESSADO DA REVISÃO DEFLAGRADA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Aludindo à possibilidade de anulação da portaria anistiadora à luz da orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 817.338/DF (Tema 839), a UNIÃO informou que instaurara novo procedimento revisional, seguindo as diretrizes da IN n. 3/2021 do MMFDH e requereu fosse mantida suspensa a execução até que concluída a revisão deflagrada. 2. Em que pese a intenção de observar, com mais rigor, o devido processo legal, como exige o precedente emanado da Excelsa Corte, o ente público não se desincumbiu de comprovar que notificara o interessado do procedimento revisional instaurado, situação que não autoriza manter o sobrestamento do feito executivo. 3. Agravo interno improvido. VOTO Embora se reporte à instauração de novo procedimento revisional nos termos da IN n. 2, de 29/9/2021, da Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a agravante não se desincumbiu de comprovar a notificação do interessado. Sequer informou o link de aces so externo aos autos do respectivo processo administrativo para fins de acompanhamento. Nesse contexto, por remanescer válida a portaria de anistia, a decisão agravada entendeu de rejeitar, ao menos por ora, a preliminar de inexigibilidade do título judicial. Ato contínuo, determinou a expedição do precatório de valor incontroverso, nos termos do art. 535, § 4º, do CPC. Se a agravante sequer cientificou o agravado da revisão deflagrada na esfera administrativa, a situação não autoriza manter o sobrestamento do feito executivo. O processo não pode permanecer paralisado indefinidamente à espera da Administração. É imprescindível que ela envide os esforços necessários para rever, com a desejável brevidade, os inúmeros casos de concessão de anistia política em que reputa não comprovada a perseguição exclusivamente política, sob pena de violação ao princípio da razoável duração do processo. Em todo caso, com base na ressalva feita por esta Corte Superior na QO no MS 15.706/DF, uma vez comprovada posteriormente a anulação da anistia política, com observância das garantias processuais, até o levantamento dos valores requisitados, deverá ser extinta a execução em curso, bem como cancelado o precatório expedido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao agravo interno.