ExeMS 20888 - DECISAO
A impugnação foi julgada improcedente porque o acórdão do TRF5 que invalidou a Portaria MMFDH 3.076/2019 transitou em julgado, permanecendo válida a Portaria MJ 205/2004 que fixou o valor retroativo de R$ 201.889,26; determinou-se a liquidação do julgado com base no valor nominal da Portaria 205/2004, aplicação de...
Source-derived case information.
- Parties
- Executada/impugnante: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 April 2025
- Procedural Posture
- Execução Em Mandado De Segurança / Decisão Sobre Impugnação
- Outcome
- Impugnação julgada improcedente
- Legal Topics
- Anistia Política, Execução De Mandado De Segurança, Correção Monetária, Juros De Mora, Precatório, Inexigibilidade Do Título
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Parties
UNIÃO
Executada/impugnante
Procedural Posture
Execução Em Mandado De Segurança / Decisão Sobre Impugnação
Legal Issues
- 1 exigibilidade do título executivo relativo à anistia
- 2 validade/invalidade da Portaria MMFDH 3.076/2019
- 3 base de cálculo dos valores retroativos
Ratio Decidendi
A impugnação foi julgada improcedente porque o acórdão do TRF5 que invalidou a Portaria MMFDH 3.076/2019 transitou em julgado, permanecendo válida a Portaria MJ 205/2004 que fixou o valor retroativo de R$ 201.889,26; determinou-se a liquidação do julgado com base no valor nominal da Portaria 205/2004, aplicação de IPCA-E (com incidência de SELIC a partir da EC 113/2021), regime temporal de juros indicado e termo inicial dos consectários legais no 61º dia contado da publicação da portaria anistiadora; e deixou-se de fixar honorários de sucumbência em razão da tese firmada no Tema 1.232/STJ.
Court Disposition
Impugnação julgada improcedente
Orders
- Determino o envio dos autos à Coordenadoria de Processamento de Feitos em Execução Judicial para liquidação do julgado.
- Base de cálculo do principal: valor nominal estabelecido na Portaria MJ 205, de 29 de janeiro de 2004, R$ 201.889,26.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de impugnação oposta pela UNIÃO à execução em mandado de segurança no qual foi concedida a ordem para assegurar o pagamento dos valores retroativos em razão do reconhecimento da condição de anistiado político do exequente. O exequente pede "que seja deferida a presente execução para reconhecer e homologar o valor líquido e certo R$ 201.889,26 (duzentos e um mil, oitocentos e oitenta e nove reais e vinte e seis centavos), para a formação do precatório alimentar, para seu pagamento na forma prevista no artigo 100, §1º da CF, acrescido dos juros legais e correção monetária." A executada apontou inexigibilidade do título, diante da invalidação da anistia do exequente pela Portaria MMFDH 3.076, de 16/12/2019. Resposta do exequente às fls. 36-233. Na decisão de fl. 235, determinou-se a suspensão da execução em razão da pendência do processo n. 800829- 35.2013.4.05.8400, em que se discutia a validade da Portaria MMFDH 3.076, de 16/12/2019. Às fls. 238-251, o exequente informou que a Portaria MMFDH 3.076, de 16/12/2019 foi invalidada por decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. É o relatório. Decido. EXIGIBILIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO Em consulta ao processo n. 800829- 35.2013.4.05.8400, verifica-se que o acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região que manteve a sentença de procedência da demanda anulatória da Portaria MMFDH 3.076, de 16/12/2019 transitou em julgado em 28/02/2024. Logo, permanece válida da Portaria MJ 205, de 29 de janeiro de 2004, que fixou o valor retroativo da reparação econômica em R$ 201.889,26 (duzentos e um mil, oitocentos e oitenta e nove reais e vinte e seis centavos). BASE DE CÁLCULO A conta deve ter como base de cálculo o valor nominal retroativo previsto na Portaria 205, de 29 de janeiro de 2004, que perfaz o total de R$ 201.889,26 (duzentos e um mil, oitocentos e oitenta e nove reais e vinte e seis centavos). INCIDÊNCIA DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA O Supremo Tribunal Federal assentou, no julgamento do RE 553.710/DF (Tema 394), submetido à sistemática da repercussão geral, que "o direito à percepção de correção monetária e juros legais, no pagamento da reparação econômica prevista na portaria de anistia, independe de expresso pronunciamento judicial" (AgInt na ImpExe na ExeMS n. 14.441/DF, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 28/9/2021). No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA IMPUGNAÇÃO À EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. EFICÁCIA VINCULATIVA DA TESE FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL, NO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RE 553.710/DF (TEMA 394). TERMO INICIAL DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS. A PARTIR DO SEXAGÉSIMO PRIMEIRO DIA, CONTADOS DA PUBLICAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. O Supremo Tribunal Federal assentou, no julgamento dos embargos de declaração no RE 553.710/DF (Tema 394), submetido à sistemática da repercussão geral, que o direito à percepção de correção monetária e juros legais, no pagamento da reparação econômica prevista na portaria de anistia, independe de expresso pronunciamento judicial. 2. O termo inicial a ser considerado, para cada um dos consectários legais, é a partir do sexagésimo primeiro dia, contados da publicação da portaria anistiadora, o que encontra amparo, inclusive, na disposição contida no art. 12, § 4º, da Lei nº 10.559/2002. 3. Agravo interno improvido. (AgInt na ImpExe na ExeMS n. 11.859/DF, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção,DJe de 17/8/2023.) ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E DE JUROS DE MORA Quanto aos índices de correção monetária e de juros de mora, frise-se que eles devem seguir os seguintes critérios: Índice de Correção Monetária a ser aplicada: IPCA-E (Tema 905/STJ e Tema 810/STF), com a ressalva de que, a partir da data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), deve incidir a SELIC. Indice de Juros a serem aplicados: até junho/2009, 0,5% ao mês; a partir de julho/2009 até a data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), remuneração oficial da caderneta de poupança. A partir da data de publicação da referida emenda, SELIC. DIES A QUO DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS O termo inicial a ser considerado, para cada um dos consectários legais (correção monetária e juros de mora), "é a partir do sexagésimo primeiro dia, contados da publicação da portaria anistiadora, o que encontra amparo, inclusive, na disposição contida no art. 12, § 4º, da Lei nº 10.559/2002." (AgInt na ImpExe na ExeMS n. 15.126/DF, relatora Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção, DJe de 8/11/2023.). Nesse mesmo sentido: AgInt na ImpExe na ExeMS n. 11.859/DF, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, DJe de 17/8/2023 e AgInt na ImpExe na ExeMS n. 20.256/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, DJe de 19/8/2022. CONCLUSÃO Pelo exposto, julgo improcedente a impugnação e determino o envio dos autos à Coordenadoria de Processamento de Feitos em Execução Judicial para liquidação do julgado com base nos seguintes critérios: Base de Cálculo do Principal: Valor nominal estabelecido na Portaria 205, de 29 de janeiro de 2004, do Ministro de Estado da Justiça, que perfaz o total de R$ 201.889,26 (duzentos e um mil, oitocentos e oitenta e nove reais e vinte e seis centavos). Índice de Correção Monetária a ser aplicada: IPCA-E (Tema 905/STJ e Tema 810/STF), com a ressalva de que, a partir da data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), deve incidir a SELIC. Termo Inicial da Correção Monetária: 61º dia contados da publicação da portaria anistiadora. Índice de Juros a serem aplicados: até junho/2009, 0,5% ao mês; a partir de julho/2009 até a data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), remuneração oficial da caderneta de poupança. A partir da data de publicação da referida emenda, SELIC. Termo Inicial dos Juros: 61º dia contados da publicação da portaria anistiadora. Após, as partes deverão ser intimadas acerca das informações prestadas pela CPEX, independentemente de nova conclusão. Havendo concordância, tácita ou expressa das partes, expeça-se o requisitório complementar, com destaque de honorários advocatícios, se for o caso. Deixo de fixar honorários de sucumbência, em razão do julgamento do Tema 1.232/STJ, oportunidade em que foi fixada a seguinte tese jurídica: "Nos termos do art. 25 da Lei n. 12.016/2009, não se revela cabível a fixação de honorários de sucumbência em cumprimento de sentença proferida em mandado de segurança individual, ainda que dela resultem efeitos patrimoniais a serem saldados dentro dos mesmos autos.". Publique-se. Intimem-se. EMENTA