ExeMS 16178 - DECISAO
Mantida a validade da portaria que reconheceu a condição de anistiado político e aplicando a jurisprudência do STF e do STJ quanto à incidência de correção monetária e juros e ao termo inicial dos consectários legais, rejeitou-se a impugnação da União. Determinou-se a liquidação com base no valor nominal da Portaria...
Source-derived case information.
- Parties
- Impugnante: UNIÃO; Exequente: exequente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 April 2025
- Procedural Posture
- Impugnação À Execução Em Mandado De Segurança / Decisão Impugnação Julgada Improcedente E Determinação De Liquidação Do Julgado
- Outcome
- Impugnação julgada improcedente
- Legal Topics
- Anistia Política, Execução Em Mandado De Segurança, Correção Monetária, Juros De Mora, Dies a Quo, Título Executivo
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Parties
UNIÃO
Impugnante
exequente
Exequente
Procedural Posture
Impugnação À Execução Em Mandado De Segurança / Decisão Impugnação Julgada Improcedente E Determinação De Liquidação Do Julgado
Legal Issues
- 1 inexigibilidade do título executivo
- 2 ilegitimidade ativa dos herdeiros
- 3 excesso de execução por aplicação incorreta de índices
Ratio Decidendi
Mantida a validade da portaria que reconheceu a condição de anistiado político e aplicando a jurisprudência do STF e do STJ quanto à incidência de correção monetária e juros e ao termo inicial dos consectários legais, rejeitou-se a impugnação da União. Determinou-se a liquidação com base no valor nominal da Portaria 1.243/2004 (R$ 189.822,24) e com os índices e períodos de juros e correção indicados pela jurisprudência e pela EC n. 113/2021.
Court Disposition
Impugnação julgada improcedente
Orders
- Enviar os autos à Coordenadoria de Processamento de Feitos em Execução Judicial para liquidação do julgado
- Base de cálculo do principal: valor nominal estabelecido na Portaria 1.243, de 5 de maio de 2004, no total de R$ 189.822,24, deduzidas parcelas incontroversas já requisitadas
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de impugnação oposta pela UNIÃO à execução em mandado de segurança no qual foi concedida a ordem para assegurar o pagamento dos valores retroativos em razão do reconhecimento da condição de anistiado político do exequente. A UNIÃO alega, em síntese, a inexigibilidade do título executivo, ante a possibilidade de anulação da referida portaria e a ilegitimidade da parte exequente. Argumenta, ainda, que há excesso de execução, uma vez que os índices foram aplicados incorretamente nos cálculos da exequente. Resposta do exequente às fls. 377-386. Na decisão de fls. 199-200, afastou-se a preliminar de ilegitimidade ativa dos herdeiros. Já a preliminar de inexigibilidade do título foi rejeitada pela decisão de fls. 531-533. À fl. 826, a UNIÃO informou que a portaria que concedeu a anistia política ao exequente permanece válida. É o relatório. Decido. BASE DE CÁLCULO A conta deve ter como base de cálculo o valor nominal retroativo previsto na Portaria 1.243, de 5 de maio de 2004, que perfaz o total de R$ 189.822,24 (cento e oitenta e nove mil, oitocentos e vinte e dois reais e vinte e quatro centavos). INCIDÊNCIA DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA O Supremo Tribunal Federal assentou, no julgamento do RE 553.710/DF (Tema 394), submetido à sistemática da repercussão geral, que "o direito à percepção de correção monetária e juros legais, no pagamento da reparação econômica prevista na portaria de anistia, independe de expresso pronunciamento judicial" (AgInt na ImpExe na ExeMS n. 14.441/DF, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 28/9/2021). No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA IMPUGNAÇÃO À EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. EFICÁCIA VINCULATIVA DA TESE FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL, NO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RE 553.710/DF (TEMA 394). TERMO INICIAL DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS. A PARTIR DO SEXAGÉSIMO PRIMEIRO DIA, CONTADOS DA PUBLICAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. O Supremo Tribunal Federal assentou, no julgamento dos embargos de declaração no RE 553.710/DF (Tema 394), submetido à sistemática da repercussão geral, que o direito à percepção de correção monetária e juros legais, no pagamento da reparação econômica prevista na portaria de anistia, independe de expresso pronunciamento judicial. 2. O termo inicial a ser considerado, para cada um dos consectários legais, é a partir do sexagésimo primeiro dia, contados da publicação da portaria anistiadora, o que encontra amparo, inclusive, na disposição contida no art. 12, § 4º, da Lei nº 10.559/2002. 3. Agravo interno improvido. (AgInt na ImpExe na ExeMS n. 11.859/DF, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção,DJe de 17/8/2023.) ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA E DE JUROS DE MORA Quanto aos índices de correção monetária e de juros de mora, frise-se que eles devem seguir os seguintes critérios: Índice de Correção Monetária a ser aplicada: IPCA-E (Tema 905/STJ e Tema 810/STF), com a ressalva de que, a partir da data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), deve incidir a SELIC. Indice de Juros a serem aplicados: até junho/2009, 0,5% ao mês; a partir de julho/2009 até a data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), remuneração oficial da caderneta de poupança. A partir da data de publicação da referida emenda, SELIC. DIES A QUO DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS O termo inicial a ser considerado, para cada um dos consectários legais (correção monetária e juros de mora), "é a partir do sexagésimo primeiro dia, contados da publicação da portaria anistiadora, o que encontra amparo, inclusive, na disposição contida no art. 12, § 4º, da Lei nº 10.559/2002." (AgInt na ImpExe na ExeMS n. 15.126/DF, relatora Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção, DJe de 8/11/2023.). Nesse mesmo sentido: AgInt na ImpExe na ExeMS n. 11.859/DF, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, DJe de 17/8/2023 e AgInt na ImpExe na ExeMS n. 20.256/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, DJe de 19/8/2022. CONCLUSÃO Pelo exposto, julgo improcedente a impugnação e determino o envio dos autos à Coordenadoria de Processamento de Feitos em Execução Judicial para liquidação do julgado com base nos seguintes critérios: Base de Cálculo do Principal: Valor nominal estabelecido na Portaria 1.243, de 5 de maio de 2004, do Ministro de Estado da Justiça, que perfaz o total de R$ 189.822,24 (cento e oitenta e nove mil, oitocentos e vinte e dois reais e vinte e quatro centavos), deduzidas as parcelas incontroversas já requisitadas. Índice de Correção Monetária a ser aplicada: IPCA-E (Tema 905/STJ e Tema 810/STF), com a ressalva de que, a partir da data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), deve incidir a SELIC. Termo Inicial da Correç ão Monetária: 61º dia contados da publicação da portaria anistiadora. Índice de Juros a serem aplicados: até junho/2009, 0,5% ao mês; a partir de julho/2009 até a data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), remuneração oficial da caderneta de poupança. A partir da data de publicação da referida emenda, SELIC. Termo Inicial dos Juros: 61º dia contados da publicação da portaria anistiadora. Após, as partes deverão ser intimadas acerca das informações prestadas pela CPEX, independentemente de nova conclusão. Havendo concordância, tácita ou expressa das partes, expeça-se o requisitório complementar, com destaque de honorários advocatícios, se for o caso. Deixo de fixar honorários de sucumbência, em razão do julgamento do Tema 1.232/STJ, oportunidade em que foi fixada a seguinte tese jurídica: "Nos termos do art. 25 da Lei n. 12.016/2009, não se revela cabível a fixação de honorários de sucumbência em cumprimento de sentença proferida em mandado de segurança individual, ainda que dela resultem efeitos patrimoniais a serem saldados dentro dos mesmos autos." Publique-se. Intimem-se. EMENTA