ExeMS 18269 - DECISAO
A impugnação foi julgada improcedente porque a UNIÃO não demonstrou concretamente a instauração e a atuação célere do procedimento revisional capaz de suspender a exigibilidade do título; por isso determinou-se a liquidação do julgado com especificação da base de cálculo, índices de correção e juros e o termo...
Source-derived case information.
- Parties
- Impugnante: UNIÃO; Exequente: exequente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 November 2025
- Procedural Posture
- Execução Em Mandado De Segurança / Decisão Em Impugnação À Execução
- Outcome
- Impugnação julgada improcedente
- Legal Topics
- Anistia Política, Execução Em Mandado De Segurança, Correção Monetária, Juros De Mora, Honorários De Sucumbência, Revisão Administrativa, Base De Cálculo
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Parties
UNIÃO
Impugnante
exequente
Exequente
Procedural Posture
Execução Em Mandado De Segurança / Decisão Em Impugnação À Execução
Legal Issues
- 1 exigibilidade do título executivo diante de possível revisão administrativa da anistia
- 2 alegação de excesso de execução quanto à aplicação dos consectários legais
- 3 índices aplicáveis de correção monetária e juros de mora
Ratio Decidendi
A impugnação foi julgada improcedente porque a UNIÃO não demonstrou concretamente a instauração e a atuação célere do procedimento revisional capaz de suspender a exigibilidade do título; por isso determinou-se a liquidação do julgado com especificação da base de cálculo, índices de correção e juros e o termo inicial dos consectários, assegurando-se também a intimação das partes sobre informações prestadas pela CPEX e a não fixação de honorários de sucumbência.
Court Disposition
Impugnação julgada improcedente
Orders
- Determino o envio dos autos à Coordenadoria de Processamento de Feitos em Execução Judicial para liquidação do julgado.
- Base de Cálculo do Principal: valor nominal estabelecido na Portaria nº 2.333, de 9 de dezembro de 2003, totalizando R$ 193.262,27.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de impugnação oposta pela UNIÃO à execução em mandado de segurança no qual foi concedida a ordem para assegurar o pagamento dos valores retroativos em razão do reconhecimento da condição de anistiado político do exequente. A UNIÃO alega a inexigibilidade do título executivo em razão da possibilidade de revisão da anistia política. Além disso, aponta excesso de execução em razão da aplicação incorreta dos consectários legais. Resposta do exequente às fls. 26-47. É o relatório. Decido. EXIGIBILIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO A União afirma que há possibilidade de invalidação da anistia política que embasa o título executivo, mas não apresentou informações concretas sobre o procedimento de revisão. O processo não pode permanecer paralisado indefinidamente à espera da Administração. É imprescindível que ela envide os esforços necessários para rever, com a desejável brevidade, os inúmeros casos de concessão de anistia política em que reputa não comprovada a perseguição exclusivamente política, sob pena de violação ao princípio da razoável duração do processo. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE DE ANULAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA À LUZ DA ORIENTAÇÃO ADOTADA NO JULGAMENTO DO RE 817.338/DF (TEMA 839). INSTAURAÇÃO DE NOVO PROCEDIMENTO REVISIONAL NOS TERMOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 2, DE 29/9/2021, DA MMFDH. PRETENSÃO DE SUSPENDER A EXECUÇÃO. INVIABILIDADE, PORQUANTO INJUSTIFICÁVEL A DEMORA DA ADMINISTRAÇÃO PARA CONCLUIR PELA VALIDADE OU NÃO DO ATO ANISTIADOR. MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4º, DO CPC. NÃO CABIMENTO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Aludindo à possibilidade de anulação da portaria anistiadora à luz da orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 817.338/DF (Tema 839), a UNIÃO informou que instaurara novo procedimento revisional nos termos da Instrução Normativa nº 2, de 29/9/2021, da MMFDH. Nesse sentido, requereu a suspensão da execução até que seja concluída essa revisão deflagrada na esfera administrativa. 2. Em que pese a intenção de observar, com mais rigor, o devido processo legal, como exige o precedente emanado da Excelsa Corte, revela-se injustificável a demora da Administração para concluir pela validade ou não do ato anistiador. 3. "Descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero desprovimento do agravo interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso" (AgInt no REsp n. 1.994.255/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 13/6/2022 15/6/2022). 4. Agravo interno não provido. (AgInt na ExeMS n. 25.491/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, julgado em 3/12/2024 , DJEN de 9/12/2024). BASE DE CÁLCULO A conta deve ter como base de cálculo o valor nominal retroativo previsto na Portaria nº 2.333, de 9 de dezembro de 2003, que perfaz o total de R$ 193.262,27 (cento e noventa e três mil, duzentos e sessenta e dois reais e vinte e sete centavos). ÍNDICES DE CORRE ÇÃO MONETÁRIA E DE JUROS DE MORA Quanto aos índices de correção monetária e de juros de mora, frise-se que eles devem seguir os seguintes critérios: Índice de Correção Monetária a ser aplicada: IPCA-E (Tema 905/STJ e Tema 810/STF), com a ressalva de que, a partir da data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), deve incidir a SELIC. Índice de Juros a serem aplicados: até junho/2009, 0,5% ao mês; a partir de julho/2009 até a data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), remuneração oficial da caderneta de poupança. A partir da data de publicação da referida emenda, SELIC. DIES A QUO DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS O termo inicial a ser considerado, para cada um dos consectários legais (correção monetária e juros de mora), "é a partir do sexagésimo primeiro dia, contados da publicação da portaria anistiadora, o que encontra amparo, inclusive, na disposição contida no art. 12, § 4º, da Lei nº 10.559/2002." (AgInt na ImpExe na ExeMS n. 15.126 /DF, relatora Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção, DJe de 8/11/2023.). Nesse mesmo sentido: AgInt na ImpExe na ExeMS n. 11.859/DF, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, DJe de 17/8/2023 e AgInt na ImpExe na ExeMS n. 20.256/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, DJe de 19/8/2022. CONCLUSÃO Pelo exposto, julgo improcedente a impugnação e determino o envio dos autos à Coordenadoria de Processamento de Feitos em Execução Judicial para liquidação do julgado com base nos seguintes critérios: Base de Cálculo do Principal: Valor nominal estabelecido na Portaria nº 2.333, de 9 de dezembro de 2003, do Ministro de Estado da Justiça, que perfaz o total de R$ 193.262,27 (cento e noventa e três mil, duzentos e sessenta e dois reais e vinte e sete centavos). Índice de Correção Monetária a ser aplicada: IPCA-E (Tema 905/STJ e Tema 810/STF), com a ressalva de que, a partir da data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), deve incidir a SELIC. Termo Inicial da Correção Monetária: 61º dia contados da publicação da portaria anistiadora. Índice de Juros a serem aplicados: até junho/2009, 0,5% ao mês; a partir de julho/2009 até a data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), remuneração oficial da caderneta de poupança. A partir da data de publicação da referida emenda, SELIC. Termo Inicial dos Juros: 61º dia contados da publicação da portaria anistiadora. Após, as partes deverão ser intimadas acerca das informações prestadas pela CPEX, independentemente de nova conclusão. Sendo necessário, fica autorizada a abertura de vista pela secretaria para solicitar documentação adicional. Deixo de fixar honorários de sucumbência, em razão do julgamento do Tema 1.232/STJ, oportunidade em que foi fixada a seguinte tese jurídica: "Nos termos do art. 25 da Lei n. 12.016/2009, não se revela cabível a fixação de honorários de sucumbência em cumprimento de sentença proferida em mandado de segurança individual, ainda que dela resultem efeitos patrimoniais a serem saldados dentro dos mesmos autos." Publique-se. Intimem-se. EMENTA