AREsp 2685003 - DECISAO
Por se tratar de matéria de cunho exclusivamente constitucional (princípio da anterioridade nonagesimal), cuja apreciação é competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102, III, CF), o Superior Tribunal de Justiça não pode conhecer do Recurso Especial; igualmente, não cabe sobrestamento em razão de julgamento...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Decisão / Decisão Interlocutória
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Anterioridade Nonagesimal, Pis/cofins, Mandado De Segurança, Competência Do STF, Suspensão De Processo (sobrestamento), Omissão (prequestionamento)
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Procedural Posture
Agravo De Decisão / Decisão Interlocutória
Legal Issues
- 1 Ofensa ao princípio da anterioridade nonagesimal (art. 195, § 6º, CF) alegada em face do Decreto nº 11.374/2023
- 2 Alegada omissão nos termos dos arts. 1.022, I e II, e 489, II e § 1º, IV, do CPC
- 3 Pedido de suspensão do processo até o julgamento da ADC 84/DF pelo STF
Ratio Decidendi
Por se tratar de matéria de cunho exclusivamente constitucional (princípio da anterioridade nonagesimal), cuja apreciação é competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102, III, CF), o Superior Tribunal de Justiça não pode conhecer do Recurso Especial; igualmente, não cabe sobrestamento em razão de julgamento pendente no STF; preliminar de nulidade por omissão também não acolhida por ausência de interesse jurídico em recurso especial sobre matéria constitucional.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Sem arbitramento de honorários recursais (art. 25 da Lei 12.016/2009 e Súmula 105 do STJ)
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo de decisão que inadmitiu Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) contra acórdã o do Tribunal Regional Federal da 4º Região assim ementado (fl. 225): TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. ALÍQUOTAS. PIS/COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. DECRETO Nº 8.426/2015. DECRETO Nº 11.322/2022. DECRETO Nº 11.374/2023. ADC 84/DF. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. O Decreto nº 11.374/2023 não pode ser equiparado à instituição ou aumento de tributo, uma vez que apenas manteve o índice que já vinha sendo pago pelo contribuinte, não restando, portanto, violado o princípio da segurança jurídica, da não surpresa e da anterioridade nonagesimal. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fls. 344-346). A agravante, no Recurso Especial, aponta violação dos arts. 1.022, I e II, e 489, II e § 1º, IV, do CPC, ao argumento de que não foi suprida "acerca ao argumento aviado no tópico "III.1 - Da ofensa do Princípio Constitucional da Noventena pelo Decreto nº 11.374/2023" (fl. 368). Postula ainda a suspensão do processo até o julgamento final da ADC 84 pelo STF e a ofensa ao princípio da anterioridade nonagesimal (art. 195, § 6º, da CF). Contrarrazões às fls. 430-439. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo da instância de origem (fls. 442-451), o que deu ensejo à interposição do presente Agravo. Sem contraminuta. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 31 de julho de 2024. Não prospera o pleito de suspensão do feito até a decisão final a ser proferida na ADC 84, já que a existência de julgamento pendente no STF não enseja o sobrestamento nesta instância especial. Nesse sentido: AgRg nos EDcl no REsp 1.544.239/PR, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Segunda Turma, DJe de 17/12/2015; AgRg no AREsp 337.919/DF, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 17/6/2014. A preliminar de nulidade, igualmente, não pode ser acolhida, porquanto "não há interesse jurídico em interpor recurso especial, fundado em violação ao art. 535 do CPC/1973 art. 1.022 do CPC/2015 , visando anular acórdão proferido pelo Tribunal de origem, por omissão em torno de matéria constitucional" (REsp n. 866.482/RJ, relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 2/9/2008.) Na mesma senda: AgInt nos EAREsp n. 731.395/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, DJe de 9/10/2018; REsp n. 1.527.216/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 13/11/2018. Por fim, a matéria debatida no Apelo é de cunho exclusivamente constitucional (princípio da anterioridade nonagesimal: art. 195, § 6º, da CF), cuja apreciação não é possível no Superior Tribunal de Justiça, na via eleita, por ser de competência do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, da Constituição da República. A propósito: TRIBUTÁRIO. ICMS. DIFAL. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. QUESTÃO DIRIMIDA PELA INSTÂNCIA DE ORIGEM COM ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem dirimiu a questão referente à aplicabilidade da LC 190/2022 à luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e de dispositivos da Constituição Federal. 2. Muito embora tenha sido citado dispositivo infraconstitucional, a matéria foi dirimida sob enfoque eminentemente constitucional. Descabe, pois, ao STJ examinar a questão, porquanto reverter o julgado significa usurpar competência do STF. 3. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 2.361.146/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 20/12/2023.) Diante do exposto, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Sem arbitramento de honorários recursais, pois o Recurso tem origem em Mandado de Segurança (art. 25 da Lei 12.016/2009 e Súmula 105 do STJ). Publique-se. Intimem-se. EMENTA