AREsp 2681919 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque a matéria trazida é de cunho eminentemente constitucional (portanto não cabe exame pelo STJ), a alegada ofensa ao art. 110 do CTN padece de deficiência de fundamentação atraindo a Súmula 284/STF, e não é possível conhecer de recurso especial fundado...
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- Parties
- Agravante: COLOR QUIMICA DO BRASIL IMPORTACAO E EXPORTACAO S.A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Anterioridade Nonagesimal, Pis/cofins, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Decreto Regulamentar
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Parties
COLOR QUIMICA DO BRASIL IMPORTACAO E EXPORTACAO S.A
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal às alíquotas do PIS/COFINS sobre receitas financeiras
- 2 Possível violação do art. 110 do CTN
- 3 Admissibilidade de recurso especial fundado em decreto regulamentar (arts. 1º e 2º do Decreto n. 11.322/22)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque a matéria trazida é de cunho eminentemente constitucional (portanto não cabe exame pelo STJ), a alegada ofensa ao art. 110 do CTN padece de deficiência de fundamentação atraindo a Súmula 284/STF, e não é possível conhecer de recurso especial fundado em decreto regulamentar, além de eventual violação de lei federal ser meramente indireta e reflexa, exigindo prévio juízo sobre norma constitucional.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por COLOR QUIMICA DO BRASIL IMPORTACAO E EXPORTACAO S.A contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim resumido: MANDADO DE SEGURANÇA. ALÍQUOTAS DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. DECRETO 11.322, DE 30-12-2022. DECRETO 11.374, DE 01-01-2023. INEXISTÊNCIA DE MAJORAÇÃO DE CARGA TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. NÃO APLICAÇÃO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação dos arts. 1º e 2º do Decreto n. 11.322/22, do art. 110 do CTN e dos princípios constitucionais da anterioridade nonagesimal e da legalidade tributária, no que concerne ao reconhecimento de que o PIS e a COFINS sobre as receitas financeiras não podem ser cobrados conforme as alíquotas estabelecidas no Decreto n. 11.374/23, em razão da necessidade de observância da anterioridade nonagesimal, já que houve a majoração das alíquotas desses tributos previstas no Decreto n. 11.322/22, trazendo a seguinte argumentação: Ao determinar que o Decreto 11.374/23, que majorou as alíquotas do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras, não necessita observar a anterioridade nonagesimal, o v. Acórdão incorreu em violação ao art. 110 do CTN. Isto porque, na prática, a Recorrente estava sujeita à alíquota total de 4,65% no dia 31.12.2022, porém no primeiro dia do ano seguinte, ou seja, em 01.01.2023, essa alíquota foi reduzida para 2,33%, e ainda, no dia subsequente, foram restabelecidas as alíquotas de 4,65%, o que se traduziu em um flagrante aumento da carga tributária. Assim, temos que no interregno de apenas 3 dias, as alíquotas de PIS e Cofins sobre as receitas financeiras da Recorrente foram alteradas duas vezes, resultando em insegurança jurídica quanto à correta apuração tributária e até mesmo acarretando exigência tributária superior àquela para as quais as empresas planejaram recolher com o advento do Decreto n.11.322/2022, publicado no dia 30.12.2022. A legislação é clara ao determinar que é vedada a cobrança de tributos no mesmo exercício financeiro ou antes de decorridos noventa ias da data em que fora publicada a lei que os instituiu ou aumentou, nos termos do art. 150, inciso III, alíneas "b" e "c" da Constituição Federal: .. Ademais, em se tratando de Contribuições Sociais destinadas ao PIS e a Cofins, aplica-se especificamente o disposto no artigo 195, § 6º da CRFB/1988, cujo teor é claro no sentido de que as suas exigências somente poderão ocorrer após 90 (noventa) dias da publicação da legislação que as tiver modificado. Veja-se: .. Assim, conforme as normas constitucionais acima destacadas, percebe-se que o art. 195, § 6º da Constituição Federal traz somente exceção para o PIS e a Cofins em relação ao princípio da anterioridade de exercício, mas mantém claramente a obrigatoriedade de respeito ao princípio da anterioridade nonagesimal, previsto no art. 150, III, "c" da Constituição Federal. A regra constitucional é clara e específica, não abrindo espaço para interpretações de caráter subjetivo, isto é, não comporta espaço para "manobras" legislativas que tenham como resultado a exigência imediata do tributo. .. Ressalta-se que, independentemente de alíquota já anteriormente estabelecida ou o fato gerador do tributo, não há como negar que o Decreto n. 11.374/23 altera a base de cálculo das contribuições, cobrando-as de maneira majorada e desrespeitando lei federal. .. Importante destacar que a segurança jurídica na esfera tributária se sobrepõe a qualquer alteração nos Poderes da União. Deste modo, se o Governo anterior promoveu a desoneração da carga tributária por meio da redução das alíquotas de PIS e Cofins sobre as receitas financeiras, porém o atual Governo entende pelo restabelecimento e majoração das mesmas alíquotas, o princípio constitucional da anterioridade deve ser rigidamente observado, independentemente das alterações políticas/governamentais, sob pena de sufrágio da segurança jurídica dos contribuintes e de todo o ordenamento jurídico-tributário brasileiro (fls. 169-172). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, em relação aos princípios constitucionais da anterioridade nonagesimal e da legalidade tributária, é incabível o recurso especial porque a tese recursal é eminentemente constitucional, ainda que se tenha indicada nas razões do recurso especial violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu no seguinte sentido: "Finalmente, ressalto que, apesar de ter sido invocado dispositivo legal, o fundamento central da matéria objeto da controvérsia e as teses levantadas pelos recorrentes são de cunho eminentemente constitucional. Descabe, pois, ao STJ examinar a questão, porquanto reverter o julgado significa usurpar competência do STF". (REsp 1.655.968/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 2/5/2017.) No mesmo sentido: AgInt no AREsp 1.448.670/AP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 12/12/2019; AgInt no AREsp 996.110/MA, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 5/5/2017; AgRg no REsp 1.263.285/RJ, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe de 13/9/2012; AgRg no REsp 1.303.869/MG, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/8/2012. Além disso, sobre o art. 110 do CTN, incide o óbice da Súmula n. 284/STF em razão da ausência de comando normativo do(s) dispositivo(s) apontado(s) como violado(s) para sustentar a tese recursal, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. EXECUÇÃO FISCAL. RFFSA E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. CURSO DA DEMANDA. SUCESSORA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. DESNECESSIDADE. 1. Os apontados arts. 130 e 131 do CTN não têm comando normativo para amparar a tese de imunidade do IPTU em favor da RFFSA, visto que tais dispositivos legais cuidam de tema diverso, referente à responsabilidade tributária por sucessão, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp n. 1.764.763/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 27/11/2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BANCÁRIO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CERTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNÇÃO DESEMPENHADA PELO CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. VIOLAÇÃO À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. .. 4. No que tange à aduzida ofensa ao art. 12, § 1º, VI, da Lei n. 10.931/04, o presente recurso não merece prosperar, porquanto o referido dispositivo não confere sustentação aos argumentos engendrados. Incidência da Súmula 284/STF. 5. O mesmo óbice representado pelo enunciado da Súmula 284/STF incide no que diz respeito à alegada ofensa aos arts. 421 e 425 do Código Civil, que veiculam comandos normativos demasiadamente genéricos e que não infirmam as conclusões do Tribunal de origem. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.674.879/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/03/2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.798.903/RJ, relator para o acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 30/10/2019; AgInt no REsp n. 1.844.441/RN, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.524.220/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgRg no AREsp n. 1.280.513/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27/5/2019; AgRg no REsp n. 1.754.394/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 17/9/2018; AgInt no REsp n. 1.503.675/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 27/3/2018; AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23/4/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.709.059/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 18/12/2020; e AgInt no REsp n. 1.790.501/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/03/2021. Ainda, quanto aos arts. 1º e 2º do Decreto n. 11.322/22, não é cabível a interposição de recurso especial fundado na violação ou interpretação divergente de decreto regulamentar, ato normativo secundário que não está compreendido no conceito de lei federal. Nesse sentido: "É inviável o conhecimento do recurso especial, uma vez que este não se presta ao exame de suposta afronta a decreto regulamentar ou, outrossim, de dissídio jurisprudencial a seu respeito" (AgInt nos EDcl no REsp 1.772.135/PR, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 12/3/2020). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.704.452/SC, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 19/3/2020; REsp 1.155.590/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 7/12/2018; AgRg no REsp 1.384.034/RS, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 29/3/2016; AgInt nos EDcl no REsp 1.652.269/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 10/6/2019. Outrossim, é incabível o recurso especial porquanto eventual violação de lei federal seria meramente indireta e reflexa, pois exigiria um juízo anterior de norma constitucional, o que extrapola a competência deste Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido, confiram-se os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.539.048/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 20/5/2020; AgInt no AREsp 1.543.160/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24/4/2020; REsp n. 1.730.401/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 19/11/2018; AgRg no AREsp n. 189.566/MG, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 3/12/2014; AgRg no REsp n. 1.218.418/PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 11/3/2013; AgRg no REsp n. 1.254.691/SC, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe de 30/11/2011; AgRg no Ag n. 404.619/RJ, relator Ministro Vasco Della Giustina (Desembargador Convocado do TJ/RS), Sexta Turma, Dje de 5/9/2011; AgRg no REsp n. 1.029.563/DF, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 18/8/2008. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA