REsp 1894153 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça não conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido examinou matéria de cunho constitucional (legitimação sindical e interpretação constitucional correlata), cuja apreciação compete ao Supremo Tribunal Federal, de modo que o exame pelo STJ configuraria usurpação de competência...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO PARANÁ; Recorrido: SINDICATO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (decisão De Admissibilidade E Não Conhecimento)
- Outcome
- não conhecido do recurso especial
- Legal Topics
- Anterioridade Tributária, Margem De Valor Agregado (mva), Substituição Tributária, Legitimação Sindical, Competência Constitucional Para Recurso Extraordinário
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Parties
ESTADO DO PARANÁ
Recorrente
SINDICATO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (decisão De Admissibilidade E Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 possibilidade de discussão da matéria tributária em ação coletiva ajuizada por sindicato
- 2 incidência do art.1º da Lei 7.347/1985 em ações declaratórias
- 3 se modificação da MVA pela Resolução SEFA nº 20/2017 configura aumento de tributo e viola o princípio da anterioridade
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça não conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido examinou matéria de cunho constitucional (legitimação sindical e interpretação constitucional correlata), cuja apreciação compete ao Supremo Tribunal Federal, de modo que o exame pelo STJ configuraria usurpação de competência prevista no art.102 da Constituição Federal.
Court Disposition
não conhecido do recurso especial
Orders
- Não conhecer do recurso especial com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo ESTADO DO PARANÁ com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, assim ementado, in verbis: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA PARA DECLARAR A INEXIGIBILIDADE DA MAJORAÇÃO DA MARGEM DE VALOR AGREGADO (MVA) PROMOVIDA PELA RESOLUÇÃO N 20/2017 POR O VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA. INSURGÊNCIA DO ESTADO DO PARANÁ. (I) PRELIMINAR DE IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO TRIBUTÁRIA EM AÇÃO COLETIVA. NÃO CABIMENTO. VEDAÇÃO APLICÁVEL SOMENTE ÀS AÇÕES CIVIS PÚBLICAS. LEGITIMIDADE DOS SINDICATOS PARA DEFENDER OS INTERESSES DE SEUS FILIADOS. ART. 8º, III, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 1º, DA LEI N 7.347/1985, NÃO APLICÁVEL AO O CASO EM TELA. (II) ALEGAÇÃO DE VALIDADE DA RESOLUÇÃO SEFA NO 20/2017. NÃO CABIMENTO. MVA QUE INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO ICMS EXIGIDO NA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 8, INCISO I, DA LEI COMPLEMENTAR N 87/96. AUMENTO DA BASE DE CÁLCULO QUE É O CONSIDERADA MAJORAÇÃO DO TRIBUTO, NOS TERMOS DO §1º DO ART. 97 DO CTN. NORMA ESTADUAL QUE DEVE RESPEITAR O PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA PREVISTO NO ART. 150, III, ALÍNEA B), DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MODIFICAÇÃO QUE IMPLICA EM AUMENTO DE TRIBUTO. RESOLUÇÃO ESTADUAL QUE PRODUZ EFEITOS NO MESMO EXERCÍCIO DE SUA PUBLICAÇÃO. AFRONTA AO TEXTO CONSTITUCIONAL CONSTATADA. INEXIGIBILIDADE DAS MODIFICAÇÕES POR ELA REALIZADAS DURANTE O EXERCÍCIO DE 2017. SENTENÇA MANTIDA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS MAJORADOS EM SEDE RECURSAL. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Foi atribuído à causa o valor de R$ 30.000,00, em 18/4/2017. No presente recurso especial, o recorrente aponta como violado o art. 1º, § único da Lei 7347/85, alegando em síntese, que o referido dispositivo dispõe sobre a vedação do ajuizamento de demanda coletiva, em matéria tributária por entidade sindical. Contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. A questão controvertida foi decidida sob fundamento de cunho constitucional, transbordando os lindes específicos de cabimento do recurso especial. Assim, concluindo-se que o acórdão recorrido, ao dispor sobre a matéria, cingiu-se à interpretação de regramentos e princípios constitucionais, tem-se inviabilizada a apreciação da questão por este Tribunal, estando a competência de tal exame jungida à excelsa Corte, ex vi do disposto no art. 102 da Constituição Federal, sob pena de usurpação daquela competência. A propósito, confiram-se trechos do julgado recorrido, os quais corroboram o referido entendimento, litteris: Os sindicatos, a rigor do que prevê o art. 8º, inciso III, da Constituição da República, possuem legitimidade para proteger, tanto na esfera judicial como administrativa, os interesses coletivos ad causam de seus filiados. Senão, veja-se: "Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: .. III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas; " Nesse panorama, verificado que a matéria veiculada no recurso especial é própria de recurso extraordinário, apresenta-se evidente a incompetência do Superior Tribunal de Justiça para analisar a questão, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. No mesmo sentido, destaco os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. LEGITIMAÇÃO DO SINDICATO PARA PROMOVER AÇÃO DECLARATÓRIA DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. ACÓRDÃO COM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. ALÍNEA "C". NÃO DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. 1. O Tribunal de origem afirmou que o art. 1º da Lei 7.347/1985 não disciplina o processamento da Ação Declaratória comum, ainda que ajuizada por entidade sindical. Acrescentou, por outro lado, que a eventual aplicação daquele dispositivo, fora do âmbito da Ação Civil Pública, não pode negar vigência ao art 8º, III, da CF/1988, razão pela qual pode Sindicato atuar como substituto processual das entidades a ele associadas, ajuizando ações declaratórias. A revisão desse entendimento, por exigir interpretação da norma constitucional, somente pode ser feita no Recurso Extraordinário interposto pelo ente público. 2. A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. 3. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp 1903321/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/03/2021, DJe 16/03/2021) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. AGRAVO INTERNO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO. INEXISTENTES. I - O presente feito decorre de ação que objetiva compelir o ente público a indenizar o autor por danos morais, materiais e lucros cessantes em face de acidente de trabalho. Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, a sentença foi reformada. Nesta Corte, não se conheceu do agravo em recurso especial diante da falta de impugnação dos fundamentos de inadmissão do recurso especial. II - Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante vícios no acórdão embargado. Não há vício no acórdão. A matéria foi devidamente tratada com clareza e sem contradições. III - Embargos de declaração não se prestam ao reexame de questões já analisadas, com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso, quando a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. IV - Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. V - É vedado a esta Corte, na via especial, apreciar eventual ofensa à matéria constitucional, ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência reservada ao Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no AREsp 575.787/DF, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 12/12/2017, DJe 19/12/2017; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp 1.677.316/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 5/12/2017, DJe 14/12/2017; EDcl no AgInt no REsp 1.294.078/DF, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017. VI - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS 51.806/ES, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. VII - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no AREsp 1350925/GO, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2020, DJe 20/05/2020) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.