REsp 1936649 - DECISAO
Ausente a comprovação da remessa da notificação ao contribuinte para pagamento das anuidades, o lançamento de ofício não se aperfeiçoou, tornando irregular a certidão de dívida ativa e afastando a certeza e liquidez do título executivo, razão pela qual a extinção da execução fiscal foi correta; tal entendimento está...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO GRANDE DO SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 August 2021
- Procedural Posture
- Execução Fiscal / Recurso Especial / Recurso Especial Julgado (negado Provimento)
- Outcome
- nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Anuidades De Conselho Profissional, Lançamento De Ofício, Notificação Do Contribuinte, Certidão De Dívida Ativa, Execução Fiscal, Nulidade Do Crédito Tributário
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Parties
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO GRANDE DO SUL
Recorrente
Procedural Posture
Execução Fiscal / Recurso Especial / Recurso Especial Julgado (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 necessidade de notificação do contribuinte para o aperfeiçoamento do lançamento das anuidades
- 2 comprovação do envio da notificação como requisito de certeza e liquidez da certidão de dívida ativa
- 3 nulidade formal do crédito tributário e possibilidade de novo lançamento
Ratio Decidendi
Ausente a comprovação da remessa da notificação ao contribuinte para pagamento das anuidades, o lançamento de ofício não se aperfeiçoou, tornando irregular a certidão de dívida ativa e afastando a certeza e liquidez do título executivo, razão pela qual a extinção da execução fiscal foi correta; tal entendimento está em conformidade com a jurisprudência consolidada do STJ, não cabendo reexame do acervo fático-probatório em recurso especial.
Court Disposition
nego provimento ao recurso especial
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO GRANDE DO SUL com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal. Na origem, o Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul apresentou execução fiscal, à qual foi atribuído o valor de R$ 1.218,07(um mil, duzentos e dezoito reais e setecentavos), objetivando a cobrança de anuidades referentes aos exercícios de 2014 a 2017. Após sentença que extinguiu a execução fiscal, foi interposta apelação pelo CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO GRANDE DO SUL, que teve seu provimento negado pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, ficando consignado o entendimento de que é devida a extinção do feito executivo em decorrência da ausência de notificação do contribuinte para o pagamento das anuidades ora exigidas. O referido acórdão foi assim ementado, in verbis: EXECUÇÃO FISCAL. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. A higidez do título executivo é pressuposto processual, matéria de ordem pública, que pode ser apreciada de ofício, nos moldes do art. 485, § 3º, do CPC. 2. A validade do crédito que resulta da aplicação da norma tributária ao caso concreto depende da regular notificação do sujeito passivo, assegurando-se o devido processo legal. 3. A nulidade formal do crédito tributário autoriza novo lançamento, observado o disposto no art. 173, II, do CTN. Contra a decisão cuja ementa se encontra acima transcrita, o CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO GRANDE DO SUL interpôs recurso especial, apontando violação dos arts. 3º e 6º da Lei n. 6.830/1980, além de suscitar divergência jurisprudencial com julgados do STJ. Sustenta, em síntese, que é indevida a extinção do feito executivo, tendo em vista que a validade da certidão de dívida ativa não depende da prévia notificação do contribuinte para o pagamento das anuidades ora em apreço. É o relatório. Decido. Primeiramente, cumpre destacar que o Tribunal de origem expressamente consignou,no caso em concreto, que, "evidenciada, assim, a ausência de comprovação da remessa de notificação simplificada regular, concedendo prazo para o exercício do direito à impugnação, forçoso o reconhecimento da ineficácia do lançamento". Nesse contexto, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que anuidades devidas aos conselhos profissionais constituem contribuições de interesse das categorias profissionais e estão sujeitas a lançamento de ofício, o qual apenas se aperfeiçoa com a notificação do contribuinte para efetuar o pagamento do tributo e o esgotamento das instâncias administrativas, em caso de recurso, sendo necessária a comprovação da remessa da intimação. In verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. ANUIDADES. SÚMULA 182/STJ. INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência do STJ entende ser necessária a impugnação de todos os fundamentos da decisão denegatória da subida do apelo especial para que seja conhecido o respectivo agravo. Logo, a Súmula 182/STJ foi corretamente aplicada ao caso. 2. "Este Sodalício firmou entendimento no sentido de que as "anuidades devidas aos conselhos profissionais constituem contribuições de interesse das categorias profissionais e estão sujeitas a lançamento de ofício, que apenas se aperfeiçoa com a notificação do contribuinte para efetuar o pagamento do tributo e o esgotamento das instâncias administrativas, em caso de recurso", sendo "necessária a comprovação da remessa da comunicação"" (REsp 1.788.488/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 2/4/2019, DJe 8/4/2019) (AgInt no REsp 1.825.987/RS, Rel. Min. Sérgio kukina, Primeira Turma, julgado em 16/12/2019, DJe 19/12/2019). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1616518/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2020, DJe 25/05/2020) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES DO INTERESSE DE CATEGORIA PROFISSIONAL. ANUIDADES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ENVIO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA. 1. O acórdão recorrido está de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça segundo a qual as anuidades devidas aos conselhos profissionais caracterizam-se como contribuições de interesse das categorias profissionais, lançadas de ofício. O citado lançamento somente se aperfeiçoa com a notificação do contribuinte para o pagamento do tributo, a qual deve ser obrigatoriamente comprovada, e/ou o esgotamento das instâncias administrativas, em caso de recurso. Ausente a comprovação da remessa da comunicação, afasta-se a certeza e liquidez da certidão de dívida ativa e considera-se irregularmente constituído o título executivo. 2. Agravo conhecido para negar provimento ao Recurso Especial. (AREsp 1556301/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/02/2020, DJe 18/05/2020) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ANUIDADE DE CONSELHO PROFISSIONAL. NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IRREGULARIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. 1. Este Sodalício firmou entendimento no sentido de que as "anuidades devidas aos conselhos profissionais constituem contribuições de interesse das categorias profissionais e estão sujeitas a lançamento de ofício, que apenas se aperfeiçoa com a notificação do contribuinte para efetuar o pagamento do tributo e o esgotamento das instâncias administrativas, em caso de recurso", sendo "necessária a comprovação da remessa da comunicação" (REsp 1.788.488/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 2/4/2019, DJe 8/4/2019) 2. A alteração das conclusões adotadas pela Corte de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, no sentido de asseverar a regularidade da prévia notificação do contribuinte e do título executivo, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1825987/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2019, DJe 19/12/2019) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, II, do RISTJ, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se.