REsp 2212822 - DECISAO
O STJ deu provimento ao recurso especial, concluindo que a teoria da actio nata não se aplica ao prazo decadencial para anulação de negócio jurídico e que o prazo decadencial quadrienal previsto no art. 178 do Código Civil começa a contar da data da celebração do ato; determinou o retorno dos autos ao Tribunal de...
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- Parties
- Recorrente: JORGE MAURICIO TEMPORIN; Recorrente: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 October 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Proferida No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- recurso especial provido
- Legal Topics
- Anulação De Negócio Jurídico, Decadência, Teoria Da Actio Nata, Erro Substancial, Prazo Decadencial
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Parties
JORGE MAURICIO TEMPORIN
Recorrente
OUTRO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Proferida No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 aplicabilidade da teoria da actio nata ao prazo decadencial para anulação de negócio jurídico
- 2 termo inicial do prazo decadencial previsto no art. 178 do Código Civil
- 3 necessidade de retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento
Ratio Decidendi
O STJ deu provimento ao recurso especial, concluindo que a teoria da actio nata não se aplica ao prazo decadencial para anulação de negócio jurídico e que o prazo decadencial quadrienal previsto no art. 178 do Código Civil começa a contar da data da celebração do ato; determinou o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento.
Court Disposition
recurso especial provido
Orders
- Dá-se provimento ao recurso especial
- Determina-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial, interposto por JORGE MAURICIO TEMPORIN e OUTRO, nos termos do art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 856, e-STJ): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO JULGAMENTO. Retorno dos autos a este Tribunal de Justiça por força de decisão do C. STJ. Tese de omissão acolhida. Ação anulatória de ato jurídico. Escritura pública de permuta realizada entre as partes, tendo como objeto lotes de terrenos. Objeto lícito na data em que realizado o negócio jurídico, posto que o cancelamento das respectivas matrículas se deu em ocasião posterior. Reconhecimento, contudo, da existência de erro substancial, pois os requeridos deixaram de informar aos autores a respeito da existência de ação civil pública, julgada extinta em razão da homologação de acordo, mas posteriormente desarquivada em função do descumprimento das obrigações assumidas pela loteadora. Anulação do negócio, nos termos do artigo 138, do Código Civil. Prazo decadencial afastado, adotada a teoria da actio nata. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA SANAR AS OMISSÕES APONTADAS, MAS MANTIDO O IMPROVIMENTO DO RECURSO DE APELAÇÃO E A PROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL, POR FUNDAMENTO DIVERSO. Em suas razões recursais (fls. 867-883, e-STJ), aponta o recorrente violação do art. 178, caput e II, do Código Civil e dissídio jurisprudencial, defendendo, em síntese, a "inaplicabilidade da teoria da actio nata para determinar o termo de início de contagem do prazo decadencial". Após contrarrazões (fls. 907-922, e-STJ) e de decisão do Tribunal local admitindo o recurso (fls. 923-924, e-STJ), os autos ascenderam a esta egrégia Corte de Justiça. É o relatório. Decido. A irresignação merece acolhimento. 1. Conforme entendimento consolidado desta Colenda Corte, "A teoria da actio nata, por estar relacionada a direitos dos quais decorrem pretensões, não se aplica ao prazo decadencial para ajuizamento de ação rescisória, pois (a) o direito de rescindir possui natureza de direito formativo e não de pretensão e (b) a teoria foi desenvolvida tendo em mira o instituto da prescrição e não o da decadência, que possui regime jurídico próprio" (REsp n. 2.144.685/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 22/8/2024). Ademais, "De acordo com a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, à anulação de negócio jurídico aplica-se o prazo decadencial de 4 (quatro) anos, contado a partir da celebração do ato."(AgInt no AREsp 1634177/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 24/08/2020, DJe 01/09/2020). Ainda: CIVIL E PROCESSO CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS MANEJADOS SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO "DECLARATÓRIA". RAZÕES DO RECURSO DE APELAÇÃO. ALEGADA CÓPIA DA CONTESTAÇÃO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INEXISTÊNCIA. JULGAMENTO EXTRA PETITA. NÃO CONFIGURAÇÃO. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA ADSTRIÇÃO. IRRELEVÂNCIA DO NOMEN JURIS. DELIMITAÇÃO DO OBJETO DA CONTROVÉRSIA A PARTIR DO PEDIDO E DAS CAUSAS DE PEDIR. PEDIDO DE ANULAÇÃO FUNDADA EM ERRO SUBSTANCIAL. PRAZO DECADENCIAL QUADRIENAL, QUE SE INICIA COM A REALIZAÇÃO DO ATO OU CONTRATO. RECURSOS ESPECIAIS DESPROVIDOS. 1. Os presentes recursos foram interpostos contra acórdão publicado na vigência do NCPC, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A repetição de argumentos já lançados na petição inicial ou na contestação não configura impedimento ao conhecimento do recurso de apelação nem ofensa ao princípio da dialeticidade. Precedentes do STJ . 3. A jurisprudência do STJ firmou entendimento no sentido de que não configura julgamento "ultra" ou "extra petita", com violação ao princípio da congruência ou da adstrição, o provimento jurisdicional exarado nos limites do pedido, o qual deve ser interpretado lógica e sistematicamente a partir análise de toda a petição inicial. 4. Esta Corte compreende que para a adequada delimitação do objeto litigioso, inclusive para o fim de definir a ocorrência ou não de decadência ou prescrição, é imprescindível o exame do pedido e das causas de pedir delineadas na petição inicial, sendo irrelevante o nome atribuído à ação ou o fundamento legal indicado na petição inicial (REsp n. 1.694.417/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 2/10/2018, DJe de 4/10/2018). 5. Hipótese em que se pretende a anulação de escritura pública de compra e venda de imóvel alegadamente lavrada mediante erro de consentimento. 6. O direito de anular escritura pública por vício de vontade se extingue no prazo decadencial quadrienal previsto no art. 178, § 9º, V, b, do CC/16, cujo termo inicial é o dia da celebração do contrato ou da prática do ato. Precedentes do STJ. 7. Recursos especiais não providos. (REsp n. 1.862.218/ES, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 4/10/2022, DJe de 7/10/2022.) grifou-se AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA. NEGÓCIO JURÍDICO COM VÍCIO DE VONTADE. DECADÊNCIA. SÚMULAS 5, 7 E 83 DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "De acordo com a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, à anulação de negócio jurídico aplica-se o prazo decadencial de 4 (quatro) anos, contado a partir da celebração do ato."(AgInt no AREsp 1634177/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 24/08/2020, DJe 01/09/2020) 2. Rever o acórdão recorrido e acolher a pretensão recursal demandaria incursão no acervo fático-probatório dos autos e interpretação do contrato, providências vedadas nos termos das Súmulas 5 e 7 do STJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.824.512/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 23/8/2021, DJe de 26/8/2021.) grifou-se RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO POR VÍCIO. PRAZO DECADENCIAL DO ART. 178, II, DO CC/2002. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DA CELEBRAÇÃO DO ATO JURÍDICO. NECESSIDADE DE REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO. RECURSO PROVIDO. 1. Ação ajuizada em 15/02/2011, recurso especial interposto em 07/12/2016 e atribuído a este gabinete em 08/03/2018. 2. O propósito recursal consiste em determinar qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para se requerer a anulação, por estar supostamente eivado de vício do erro, do acordo celebrado entre a recorrente e os recorridos. 3. O acórdão recorrido não decidiu acerca do art. 207 do CC/2002. Aplica-se, portanto, a Súmula 211/STJ. 4. Na hipótese de vícios de vontade que possam anular os negócios jurídicos celebrados, o art. 178 do CC/2002 dispõe que o prazo decadencial é de 4 (quatro) anos. 5. Na vigência do CC/1916, o STJ consolidou posição reafirmando a literalidade do dispositivo legal, que foi repetido no CC/2002. 6. Desnecessidade de discussão acerca da aplicação da actio nata à hipótese. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp n. 1.668.587/MG, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 3/9/2019, DJe de 5/9/2019.) grifou-se Assim, estando o acórdão recorrido em dissonância com a jurisprudência consolidada desta Corte Superior sobre a matéria, impõe-se o provimento do recurso especial, a fim de afastar a aplicação da teoria da actio nata ao caso, devendo o prazo decadencial ser contado a partir da celebração do ato. Determina-se, por conseguinte, o retorno dos autos ao Tribunal de origem, para que proceda a novo julgamento da causa, como entender de direito. 2. Do exposto, com fulcro no art. 932 do CPC c/c a Súmula 568 do STJ, dou provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação supra. Publique-se. Intimem-se. EMENTA