REsp 1914901 - DECISAO
Por se tratar de matéria já julgada sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 905), o entendimento firmado pela Primeira Seção do STJ vincula a solução da controvérsia: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação da Lei 11.960/2009) não se aplica para fins de correção monetária às condenações da Fazenda Pública,...
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- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE SÃO PAULO; Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Remetido Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Retratação / Devolução Conforme Arts. 1.040 E 1.041 Do Cpc/2015
- Outcome
- Determinado o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que proceda ao juízo de retratação e adote as medidas previstas no art. 1.040, combinado com o § 2º do art. 1.041, do CPC/2015, com baixa na distribuição.
- Legal Topics
- Aplicação Do Art. 1º F Da Lei 9.494/97, Correção Monetária, Juros De Mora, Precatórios, Coisa Julgada, Recursos Repetitivos, Juízo De Retratação
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Parties
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
Recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Remetido Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Retratação / Devolução Conforme Arts. 1.040 E 1.041 Do Cpc/2015
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) às condenações impostas à Fazenda Pública na fase de execução do título judicial
- 2 Índices e critérios de correção monetária e de juros de mora aplicáveis conforme a natureza da condenação (administrativa, previdenciária, tributária, servidores, desapropriações)
- 3 Possibilidade de modulação de efeitos e preservação da coisa julgada
Ratio Decidendi
Por se tratar de matéria já julgada sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 905), o entendimento firmado pela Primeira Seção do STJ vincula a solução da controvérsia: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação da Lei 11.960/2009) não se aplica para fins de correção monetária às condenações da Fazenda Pública, aplica-se quanto aos juros de mora salvo nas relações tributárias, e os índices aplicáveis variam conforme a natureza da condenação; em razão disso, determinou-se a devolução dos autos ao tribunal de origem para juízo de retratação e adoção das medidas previstas nos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015, preservando-se eventual coisa julgada concreta.
Court Disposition
Determinado o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que proceda ao juízo de retratação e adote as medidas previstas no art. 1.040, combinado com o § 2º do art. 1.041, do CPC/2015, com baixa na distribuição.
Orders
- Retorno dos autos ao Tribunal de origem com baixa na distribuição para juízo de retratação.
- Adotar, após conclusão do julgamento pelo STF, uma das medidas previstas: (a) negar seguimento ao recurso especial se o acórdão coincidir com a orientação do STF e com a tese firmada pelos recursos repetitivos do STJ; (b) encaminhar ao órgão colegiado de origem para juízo de retratação se o acórdão contrariar as...
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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, com fundamento no art. 105, III, alínea a, da Constituição Federal, contra o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Discute-se nestes autos sobre a possibilidade de aplicação, na fase de execução do título judicial, do artigo 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com a redação dada pela Lei n. 11.960/2009, às condenações impostas à Fazenda Pública. A matéria foi afetada à Primeira Seção nos REsps nºs 1.492.221/PR, 1.495.144/RS e 1.495.146/MG (Tema nº 905), para julgamento sob o rito do artigo 543-C, do CPC/73, ou 1.036 e seguintes do CPC/15, o que ocorreu em 22/02/2018, após o julgamento do RE 870.947/SE (Tema 810), pelo Supremo Tribunal Federal. Ao julgar os recursos, a Seção firmou as seguintes teses: 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. O Código de Processo Civil de 2015 estabelece em seus arts. 1.030, I, 1.040, II, e 1.041: Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá: I - negar seguimento: .. b) a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos repetitivos; Art. 1.040. Publicado o acórdão paradigma: .. II - o órgão que proferiu o acórdão recorrido, na origem, reexaminará o processo de competência originária, a remessa necessária ou o recurso anteriormente julgado, se o acórdão recorrido contrariar a orientação do tribunal superior; .. Art. 1.041. Mantido o acórdão divergente pelo tribunal de origem, o recurso especial ou extraordinário será remetido ao respectivo tribunal superior, na forma do art. 1.036, § 1º. § 1º Realizado o juízo de retratação, com alteração do acórdão divergente, o tribunal de origem, se for o caso, decidirá as demais questões ainda não decididas cujo enfrentamento se tornou necessário em decorrência da alteração. § 2º Quando ocorrer a hipótese do inciso II do caput do art. 1.040 e o recurso versar sobre outras questões, caberá ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, depois do reexame pelo órgão de origem e independentemente de ratificação do recurso, sendo positivo o juízo de admissibilidade, determinar a remessa do recurso ao tribunal superior para julgamento das demais questões. A disciplina instituída para o processamento e julgamento dos recursos repetitivos, em seu propósito racionalizador, estabelece ser competência dos tribunais de origem, prioritariamente, adequar a solução do caso concreto à tese firmada pela Corte ad quem. Essa sistemática tem como corolário a compreensão de que, uma vez firmado o entendimento a respeito da matéria, em julgamento ocorrido sob o rito especial, fica obstada a interposição de novos recursos, dirigidos ao tribunal superior, para rediscutirem a questão. Nesse contexto, eventualmente distribuído nesta Corte recurso cujo objeto esteja abarcado pelo acórdão paradigma, cabe ao relator determinar a devolução dos autos ao tribunal de origem, para que, estando o acórdão recorrido em consonância com o entendimento aqui firmado, a admissibilidade do recurso especial seja reavaliada à luz da diretriz acima apresentada, ou, havendo divergência, sejam os autos encaminhado ao órgão colegiado para o reexame, em juízo de retratação, do recurso de competência daquela corte. Tal medida encontra fundamento normativo no artigo 34, inciso XXIV, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, que estabelece ser atribuição do relator "determinar a devolução ao Tribunal de origem dos recursos especiais fundados em controvérsia idêntica àquela já submetida ao rito de julgamento de casos repetitivos para adoção das medidas cabíveis". Nesse sentido, os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. MATÉRIA OBJETO DE RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. DEVOLUÇÃO AO TRIBUNAL A QUO. 1. Julgado o tema pela sistemática dos recursos repetitivos, esta Corte Superior orienta que os recursos sobre a mesma controvérsia devem retornar ao Tribunal de origem para que este faça o juízo de conformação, nos termos do que dispõem os arts. 1.040 do CPC/2015 e 34, XXIV, do RISTJ. 2. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp 729.327/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 05/02/2018). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC/73) - AÇÃO DECLARATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM PARA OBSERVÂNCIA DA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. INSURGÊNCIA DA AUTORA. 1. Em havendo a matéria sido julgada sob o rito dos recursos repetitivos, no caso tema nº 667, necessária a devolução dos autos à Corte de origem para o devido juízo de retratação, nos termos dos artigos 1.040 e 1.041 do CPC 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 523.985/MS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 27/02/2018, DJe 02/03/2018). Em juízo de retratação, o tribunal de origem amoldou seu entendimento, no caso concreto, à jurisprudência desta Corte, firmada nos precedentes repetitivos acima referidos, o que deveria resultar em inadmissão do recurso especial, ao menos no tocante ao tema em lume. Ante o exposto, determino o retorno dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa na distribuição, a fim de que, em conformidade com o disposto no artigo 1.040, combinado com o § 2º do artigo 1.041, ambos do CPC/2015, se adote uma das seguintes medidas, após a conclusão do julgamento pelo STF: a) na hipótese de a decisão recorrida coincidir com a orientação do Supremo Tribunal Federal, bem como com a tese firmada nos recursos repetitivos julgados por esta Corte Superior, seja negado seguimento ao recurso especial, com fundamento no artigo 1.040, inciso I, ou, sem prejuízo da aplicação desse dispositivo, versando o recurso ainda sobre outras matérias, sejam os autos encaminhados a esta Corte Superior para a análise tão-somente das questões remanescentes; b) caso o acórdão recorrido contrarie a orientação do Supremo Tribunal Federal, e as teses firmadas nesta Corte Superior, em julgamento de recurso repetitivo, sejam os autos encaminhados ao órgão colegiado de origem para o juízo de retratação, após o que, verificada a conformidade total de entendimentos, seja o recurso especial, em juízo de admissibilidade, declarado prejudicado, ou encaminhado a esta Corte para a exame das questões remanescentes; ou c) se mantido o entendimento divergente por decisão colegiada, e não havendo outros impedimentos à admissão, o recurso especial seja remetido ao Superior Tribunal de Justiça. Publique-se. Intimem-se.