REsp 2199766 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-se provimento porque o acórdão recorrido fundamentou-se adequadamente na proteção da segurança jurídica e na vedação de retroação de mudança de entendimento do Tribunal de Contas que impliquem restrição de direitos de servidor de boa-fé, com apoio nos arts. 23 e...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 October 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Recurso Especial (stj)
- Outcome
- Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, negado provimento
- Legal Topics
- Aposentadoria, Vantagem "opção", Tribunal De Contas, Segurança Jurídica, Retroatividade, LINDB, Controle De Legalidade
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Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Recurso Especial (stj)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de retroação de mudança de entendimento do TCU para suprimir vantagem reconhecida anteriormente
- 2 Aplicação dos arts. 23 e 24 da LINDB quanto aos efeitos de alteração de entendimento administrativo
- 3 Interpretação e alcance do art. 193 da Lei 8.112/1990 sobre incorporação de vantagem "opção"
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-se provimento porque o acórdão recorrido fundamentou-se adequadamente na proteção da segurança jurídica e na vedação de retroação de mudança de entendimento do Tribunal de Contas que impliquem restrição de direitos de servidor de boa-fé, com apoio nos arts. 23 e 24 da LINDB e no art. 2º da Lei 9.784/99; ademais, a matéria constitucional invocada (art. 40, §2º da CF) não é adequada ao exame pelo STJ, cabendo ao STF.
Court Disposition
Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, negado provimento
Orders
- Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente, majoro-os em 10%, observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do art. 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do art. 98 do CPC/2015).
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, assim ementado (fl. 667): ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. APOSENTADORIA. VANTAGEM OPÇÃO CARGO COMISSIONADO. SUSPENSÃO DOS EFEITOS DE ACORDÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. REVISÃO DO BENEFÍCIO. MUDANÇA DE ENTENDIMENTO. OFENSA À LINDB E À LEI 9.784/99. MANUTENÇÃO DA RUBRICA. DESPROVIMENTO. 1. Conquanto o ato que deu ensejo à revisão do benefício seja proveniente do Tribunal de Contas da União, no exercício do controle de legalidade do ato de concessão de aposentadoria, a concessão da vantagem, prevista no artigo 193 da Lei n.º 8.112/1990, está amparada em decisão do próprio TCU. 2. O artigo 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei 9.784/99 determina a "interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação". 3. A negativa de registro do ato concessivo da aposentadoria da parte autora pelo TCU, nos moldes em que efetivada, atenta contra as disposições constantes dos artigos 23 e 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB, que disciplinam os efeitos advindos da alteração de entendimento no âmbito administrativo. 4. A negativa de registro pela Corte de Contas, em virtude de mudança superveniente de entendimento, viola o princípio constitucional da segurança jurídica, pois esbarra na impossibilidade de nova interpretação retroativa que resulte na restrição de direitos pela Administração. 5. Apelação desprovida. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, apenas para fins de prequestionamento. O recorrente alega violação do artigo 1.022 do CPC/15, ao argumento de que a Corte de origem não se manifestou a respeito das seguintes questões: (a) poder-dever da Administração de rever concessões administrativas indevidas; (b) o fato de a parte autora ter percebido proventos cumulados com a vantagem "opção" de cargo em comissão CJ-02, reconhecidamente indevida, não lhe autoriza a sua perpetuação em nome do princípio do direito adquirido, não impossibilitando a supressão desse acréscimo pecuniário, uma vez que fora concedido em total desconformidade com a lei e a Constituição Federal; e (c) contrariedade ao §2º do art. 40 da Constituição Federal: proventos de aposentadoria não podem exceder a remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria. Quanto às questões de fundo, sustenta ofensa aos artigos 40, §2º, da CF/88, 7º da Lei 9.624/98 e 193 da Lei n. 8.112/1990, aos seguintes argumentos: (a) os proventos de aposentadoria não podem exceder a remuneração do cargo efetivo em que se deu a aposentadoria; (b) a vantagem somente seria devida aos servidores que tivessem completado todos os requisitos para aposentadoria até 19/01/1995; e (c) a autora não implementou tais requisitos até a data limite, sendo indevida a incorporação da vantagem "opção". Com contrarrazões. Em sede de juízo de adequação, foi proferido novo julgamento, assim ementado (fl. 820): SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. ATO DE APOSENTADORIA. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. ALTERAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. SUPRESSÃO DA VANTAGEM "OPÇÃO DE FUNÇÃO". ARTIGO 193 DA LEI N.º 8.112/1990. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO SUBMETIDO À SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 636.553 (TEMA/STF Nº 445). 1. O eg. Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o recurso extraordinário n.º 636.553 (Relator Ministro Gilmar Mendes), firmou orientação jurídica vinculante sobre o prazo para manifestação do Tribunal de Contas, no exercício de controle externo de atos concessivos de aposentadoria e pensão (Tema n.º 445): Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. 2. Do cotejo do pronunciamento da Suprema Corte com o caso concreto, não se infere a existência de divergência hábil a ensejar juízo de retratação, porquanto, o pronunciamento desta Turma tem lastro em fundamentos que, s. m. j., não são infirmados por tal diretriz jurisprudencial: (i) considerando que a aposentadoria da parte autora, com a incorporação da vantagem "opção", foi concedida pelo órgão de origem com base em orientação vigente no TCU à época (Acórdão 2.076/2005-Plenário), a negativa de registro pela Corte de Contas, em virtude de mudança superveniente de entendimento (Acórdão 1.599/2019-Plenário), viola o princípio constitucional da segurança jurídica, pois esbarra na impossibilidade de nova interpretação retroativa que resulte na restrição de direitos pela Administração; (ii) a negativa de registro do ato concessivo da aposentadoria da parte autora pelo TCU, nos moldes em que efetivada, atenta contra as disposições constantes dos artigos 23 e 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB, que disciplinam os efeitos advindos da alteração de entendimento no âmbito administrativo; e (iii) não se está aqui discutindo o (des)acerto da tese atualmente firmada pelo TCU, mas sim a impossibilidade de sua retroação para desconstituir situação benéfica a servidor de boa-fé. Não houve reiteração das razões do recurso especial. Juízo positivo de admissibilidade às fls. 864-865. É o relatório. Passo a decidir. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. De início, afasta-se a alegada violação do artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015), porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. Nos termos do art. 105, III, da Constituição da República, o recurso especial é destinado tão somente à uniformização da interpretação do direito federal, não sendo, assim, a via adequada para a análise de eventual ofensa a dispositivos, cuja competência pertence ao Supremo Tribunal Federal. Por tal motivo, não se conhece do apelo especial no tocante à alegação de violação do artigo 40, §2º da CF/88. Além disso, nota-se que a controvérsia relativa à concessão da aposentadoria com a incorporação da vantagem "opção" foi dirimida pelo acórdão recorrido com fundamento constitucional, especificamente com base no princípio constitucional da segurança jurídica, de modo que o recurso especial se apresenta inviável quanto ao ponto, sob pena de se usurpar a competência reservada pela Constituição ao Supremo Tribunal Federal. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% (dez por cento), observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do artigo 98 do CPC/2015). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. APOSENTADORIA. VANT AGEM OPÇÃO CARGO COMISSIONADO. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. EXAME DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO STF. FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ESTRITAMENTE CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.