AREsp 1853540 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais eram deficientes e dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido, não individualizando a suposta omissão ou sua relevância, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; por conseguinte manteve-se o entendimento de que, na reafirmação da...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente/agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrida/agravada: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial; majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Data De Início Do Benefício (der/dib), Reafirmação Da DER, Honorários Advocatícios, Omissão/negativa De Prestação Jurisdicional, Súmula 284/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente/agravante
parte autora
Recorrida/agravada
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 alegada omissão/negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022, II, CPC)
- 2 fixação do termo inicial do benefício: data da citação vs data de implementação dos requisitos (art. 240 CPC; arts. 49 I b, II e 54 da Lei 8.213/91)
- 3 aplicação da Súmula 284/STF por insuficiência da fundamentação do recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais eram deficientes e dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido, não individualizando a suposta omissão ou sua relevância, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; por conseguinte manteve-se o entendimento de que, na reafirmação da DER, o benefício é devido desde a data em que se implementaram os requisitos, e foi majorado o percentual de honorários em 15% nos termos do art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial; majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Orders
- Conhecer do agravo
- Não conhecer do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim resumido: PREVIDENCIÁRIO APOSENTADORIA ESPECIAL CONCESSÃO ATIVIDADE ESPECIAL COMPROVAÇÃO REQUISITOS LEGAIS RUÍDO AGENTES QUÍMICOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL CONVERSÃO DE TEMPO COMUM EM ESPECIAL IMPOSSIBILIDADE REAFIRMAÇÃO DA DER ARTIGO 57 § 8º DA LEI Nº 821391 INCONSTITUCIONALIDADE CONSECTÁRIOS LEGAIS DA CONDENAÇÃO PRECEDENTES DO STF (TEMA 810) E STJ (TEMA 905) CONSECTÁRIOS DA SUCUMBÊNCIA HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Quanto à primeira controvérsia, alega violação do art. 1.022, II, do CPC no que concerne à negativa de prestação jurisdicional. Quanto à segunda controvérsia, alega violação dos arts. 240 do CPC e 49, I, "b", e II, e 54 da Lei n. 8.213/91 no que concerne à fixação do benefício a partir da data da citação do INSS, e não da data da implementação dos requisitos para a concessão da aposentadoria, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): No caso dos autos foi fixada a data de início do benefício (termo inicial dos efeitos financeiros) na data da implementação dos requisitos (ocorrida antes do ajuizamento da ação). Todavia, somente após a citação o INSS teve ciência da pretensão do segurado para reafirmação da DER, eis que na data da conclusão do processo administrativo, de fato, ele não preenchia os requisitos para concessão da aposentadoria. Assim, nos termos do art. 240 do CPC,o INSS somente foi constituído em mora a partir da citação, razão pela qual deve ser fixado nesta data o termo inicial do benefício do segurado: .. Tal afirmação também encontra supedâneo na Lei de Benefícios que prevê expressamente que o benefício é devido a partir da data do requerimento do benefício (art. 49, I, "b" e II e art. 54). Infere-se que não havendo requerimento o ato judicial que comunica o INSS da pretensão do segurado fará as vezes do ato para fins de incidência da norma e perfectibilização do direito, fixando nele o termo inicial do benefício. .. Por sua vez, esse STJ também consolidou sua jurisprudência no sentido de que o termo inicial do benefício deve ser fixado na data da citação quando não houver requerimento administrativo, tal como ocorre em nos casos de pedido de reafirmação da DER para período posterior a decisão final do processo administrativo que indeferiu o benefício: (fls. 1221/1222). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"), uma vez que a parte recorrente alega, genericamente, a existência de violação do art. 1.022 do CPC de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem, contudo, demonstrar especificamente quais os vícios do aresto vergastado e/ou a sua relevância para a solução da controvérsia. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que "é deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 se faz sem a demonstração objetiva dos pontos omitidos pelo acórdão recorrido, individualizando o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão supostamente ocorridos, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF" (REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.466.877/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 12/5/2020; AgInt no REsp n. 1.829.871/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 20/2/2020; REsp n. 1.838.279/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 28/10/2019; e REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018. Quanto à segunda controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: É cediço que a autarquia previdenciária permite a reafirmação do requerimento quando o segurado preencher os requisitos para a concessão de benefício mais vantajoso no decurso do processo administrativo, consoante de sucessivas Instruções Normativas do INSS. .. De fato, se ainda não implementadas as condições suficientes para a outorga do benefício na data do requerimento administrativo, inexiste óbice para considerar-se a satisfação dos requisitos até a data do julgamento por esta Corte, por imperativo da economia processual, desde que observado o necessário contraditório. Com efeito, a implementação dos requisitos para recebimento do benefício após a entrada do requerimento administrativo pode ser considerada como fato superveniente, nos termos do artigo 462 do CPC:(..) .. Quanto ao valor do benefício, registro que a infiuência de variáveis, tais como o valor dos salários de contribuição, período básico de cálculo a ser considerado, coeficiente de cálculo utilizado, diferença de acréscimo de coeficiente e incidência ou não do fator previdenciário, conforme seja considerado o tempo apurado até 16-12-1998 (EC nº 20/98), até 28-11-1999 (Lei nº 9.876/99) ou até a data do requerimento, não permite identificar de plano qual a alternativa mais benéfica à parte autora, devendo, por ocasião da implementação, ser observada a renda mais vantajosa. Convém salientar que o próprio INSS, ao processar pedidos de aposentadoria administrativamente, faz simulações para conceder o benefício mais benéfico. Se a própria Administração tem essa conduta, não haveria sentido em se proceder diversamente em juízo. Assim, como o que pretende o segurado é a concessão da aposentadoria, servindo a DER apenas para definir o seu termo a quo, a RMI deverá ser definida pelo INSS previamente à implantação do benefício. .. Não desconheço que a questão acerca da possibilidade de percepção do benefício da aposentadoria especial na hipótese em que o segurado permanece no exercício de atividades laborais nocivas à saúde teve a repercussão geral reconhecida pelo STF no julgamento do RE 788092 (Tema 709). Não se desconhece, também, das razões invocados pelo Relator, Ministro Dias Tofooli, no sentido da constitucionalidade da referida regra, insculpida no § 8º do artigo 57 da Lei nº 8.213/1991. Entretanto, mantenho a decisão da Corte Especial deste Tribunal até que haja o pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. Dessa forma, restando cumpridas as exigências do artigo 57 da Lei nº 8.213/91, o benefício de aposentadoria especial deve ser concedido à parte autora desde a DER reafirmada, independente do afastamento do trabalho (fls. 1169/1172). Conforme decidiu o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Tema 995, no âmbito da reafirmação da DER o benefício concedido é devido (DIB) a partir da data em que implementados os requisitos para a sua concessão, qual seja a data da DER reafirmada. (fl. 1210) Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no Resp 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp 1637445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1647046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.