AREsp 1921930 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque as razões recursais não impugnaram de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido (aplicação da Súmula 284/STF) e porque o provimento do recurso demandaria reexame do conjunto fático-probatório, vedado na via especial (aplicação da Súmula...
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- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrido: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Conhecimento De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Tempo De Serviço Especial, Julgamento Ultra Petita, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 284/stf, Honorários Advocatícios, Correção Monetária
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Agravante
parte autora
Recorrido
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Conhecimento De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 alegação de julgamento ultra petita
- 3 preclusão por não impugnação específica dos fundamentos do acórdão recorrido
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque as razões recursais não impugnaram de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido (aplicação da Súmula 284/STF) e porque o provimento do recurso demandaria reexame do conjunto fático-probatório, vedado na via especial (aplicação da Súmula 7/STJ).
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoram-se os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO, assim resumido: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL. RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. AGENTE NOCIVO: RUÍDO. EXPOSIÇÃO ACIMA DOS LIMITES DE TOLERÂNCIA. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A legislação aplicável para a verificação da atividade exercida sob condição insalubre deve ser a vigente quando da prestação do serviço, e não a do requerimento da aposentadoria. 2. Até o advento da Lei n.º 9.032/95, em 29/04/95, é possível o reconhecimento do tempo de serviço especial com base na categoria profissional do trabalhador. A partir desta lei a comprovação da atividade especial é feita através dos formulários SB-40 e DSS-8030, até o advento do Decreto 2.172 de 05/03/97, que regulamentou a MP 1.523/96, convertida na Lei 9.528/97, que passa a exigir o laudo técnico. 3. Quanto ao agente nocivo ruído, o Superior Tribunal de Justiça firmou orientação no sentido de que é tida por especial a atividade exercida com exposição a ruídos superiores a 80 decibéis até a edição do Decreto 2.171/1997. Após essa data, o nível de ruído, considerado prejudicial é o superior a 90 decibéis. A partir da entrada em vigor do Decreto 4.882, em 18/11/2003, o limite de tolerância ao agente físico ruído foi reduzido para 85 decibéis. 4. A correção monetária para todo o período deve ser calculada de acordo com o Manual de Cálculos da Justiça Federal. Em relação aos juros de mora, contados a partir da citação, até a data da entrada em vigor da Lei 11.960/2009, devem ser fixados em 1% ao mês e, após a entrada em vigor da Lei 11.960/2009, devem ser fixados segundo a remuneração da caderneta de poupança, na forma do art. 1º-F da Lei 9.494/97 com a redação dada pela Lei 11.960/09. 7. Remessa necessária, tida por interposta, e apelação parcialmente providas, nos termos do voto. Alega violação dos arts. 10, 141, 492 e 1.013 do CPC, no que concerne à ocorrência de julgamento ultra petita, porquanto fixado o termo inicial da condenação em data anterior ao pedido formulado expressamente na petição inicial, trazendo os seguintes argumentos: O INSS interpôs apelação contra a r. sentença proferida no evento 28, suplementada nos eventos 40 e 50, que concedeu à parte autora aposentadoria especial, nos seguintes termos: .. A r. sentença recorrida merecia reforma, por contemplar CONDENAÇÃO EXTRA PETITA, como exposto nos embargos de declaração manejados pelo INSS no evento 32. Vejamos a parte dispositiva da sentença vergastada: "III - Dispositivo Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, extinguindo o processo com resolução de mérito, com fulcro no artigo 487, I, do CPC/2015, para condenar o INSS a conceder ao autor aposentadoria especial, em razão do tempo de contribuição de 26 (vinte e seis) anos, 02 (dois) meses e 27 (vinte e sete) dias, com pagamento a partir de 03/09/2015. As parcelas vencidas deverão ser pagas com atualização monetária pelo IPCA-E e juros moratórios, desde a citação, nos mesmos moldes aplicados à caderneta de poupança. Condeno o INSS ao pagamento de honorários advocatícios, os quais fixo em 10% do valor da condenação, observando-se o proveito econômico obtido, na forma do art. 82, § 2º, do CPC". No entanto, verifica-se, na petição inicial (evento 1), que o pedido formulado pelo autor emoldura a condenação do INSS ao pagamento de prestações devidas a partir de 24/07/2018: .. Na hipótese dos autos, ao julgar-se procedente pedido não formulado pelo recorrido, houve julgamento ultra petita (fls. 391/393, grifo no original). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: No que diz respeito à alegação de nulidade da sentença em razão de suposto julgamento extra petita não assiste razão ao INSS. .. Ademais, como se depreende da leitura do pedido inicial formulado pela parte autora, o pleito foi no sentido de concessão do benefício desde a data do requerimento, restando claro que a data de 24/07/2018 se tratou de erro material, uma vez que não guarda qualquer relação lógica ou temporal com os fatos ocorridos tanto na esfera administrativa quanto na judicial. Portanto, correta a sentença em condenar o INSS a conceder ao autoraposentadoria especial, em razão do tempo de contribuição de 26 (vinte e seis) anos, 02 (dois) meses e 27 (vinte e sete) dias, com pagamento a partir de 03/09/2015 (fls. 375/377). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Outrossim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.