REsp 2113228 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial porque a especialidade do labor foi comprovada por laudo pericial, o entendimento do STJ é no sentido de que o art. 57 da Lei 8.213/91 não exclui o contribuinte individual da aposentadoria especial, e não houve demonstração de que os EPIs neutralizavam os agentes nocivos,...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Recurso Especial (negado Provimento)
- Outcome
- recurso especial negado provimento
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Contribuinte Individual, Tempo De Serviço Especial, Equipamentos De Proteção Individual, Habitualidade E Permanência, Honorários Advocatícios, Súmula 182/stj, Enunciado Administrativo 3/stj
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Recurso Especial (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 possibilidade de reconhecimento de tempo de serviço especial ao contribuinte individual
- 2 comprovação da exposição a agentes nocivos por laudo pericial
- 3 eficácia dos EPIs para neutralizar agentes nocivos
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque a especialidade do labor foi comprovada por laudo pericial, o entendimento do STJ é no sentido de que o art. 57 da Lei 8.213/91 não exclui o contribuinte individual da aposentadoria especial, e não houve demonstração de que os EPIs neutralizavam os agentes nocivos, justificando-se o reconhecimento do tempo especial.
Court Disposition
recurso especial negado provimento
Orders
- Nego provimento ao recurso especial
- Caso exista prévia fixação de honorários, determinar a majoração em desfavor da parte recorrente no importe de 10% sobre o valor já arbitrado
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO assim ementado (fls. 319-320): PREVIDENCIÁRIO. ATIVIDADE ESPECIAL. TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. AGENTE NOCIVO HIDROCARBONETOS. EPIS. HABITUALIDADE E PERMANÊNCIA. NÍVEIS DE CONCENTRAÇÃO DOS AGENTES QUÍMICOS. APOSENTADORIA ESPECIAL. CONCESSÃO. 1. A lei não faz distinção entre o segurado empregado e o contribuinte individual para fins de concessão de aposentadoria especial. O reconhecimento do direito não configura instituição de benefício novo, sem a correspondente fonte de custeio. Incidência, ademais, do princípio da solidariedade. 2. A exposição a hidrocarbonetos aromáticos enseja o reconhecimento do tempo de serviço como especial. 3. Não havendo provas consistentes de que o uso de EPIs neutralizava os efeitos dos agentes nocivos a que foi exposto o segurado durante o período laboral, deve-se enquadrar a respectiva atividade como especial. A eficácia dos equipamentos de proteção individual não pode ser avaliada a partir de uma única via de acesso do agente nocivo ao organismo, como luvas, máscaras e protetores auriculares, mas a partir de todo e qualquer meio pelo qual o agente agressor externo possa causar danos à saúde física e mental do segurado trabalhador ou risco à sua vida. 4. A habitualidade e permanência do tempo de trabalho em condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física referidas no artigo 57, § 3º, da Lei 8.213/91 não pressupõem a submissão contínua ao agente nocivo durante toda a jornada de trabalho. Não se interpreta como ocasional, eventual ou intermitente a exposição ínsita ao desenvolvimento das atividades cometidas ao trabalhador, integrada à sua rotina de trabalho. Precedentes desta Corte. 5. Os riscos ocupacionais gerados pela exposição a agentes químicos não dependem, segundo os normativos aplicáveis, de análise quanto ao grau ou intensidade de exposição no ambiente de trabalho para a configuração da nocividade e reconhecimento da especialidade do labor para fins previdenciários. 6. Comprovada a exposição do segurado a agente nocivo, na forma exigida pela legislação previdenciária aplicável à espécie, possível reconhecer-se a especialidade do tempo de labor correspondente. 7. Implementados mais de 25 anos de tempo de atividade sob condições nocivas e cumprida a carência mínima, é devida a concessão do benefício de aposentadoria especial, a contar da data do requerimento administrativo, nos termos do § 2º do art. 57 c/c art. 49, II, da Lei n. 8.213/91 Os embargos de declaração, estes foram acolhidos em acórdão ementado, in verbis (fls 400-401): PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. QUESTÃO DE ORDEM. ERROMATERIAL. AUSÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. 1. Verificada a ocorrência de erro de cálculo e de erro material no julgado, quanto à totalização do tempo de serviço/contribuição e aferição do restante do período não impugnado, impõe-se a respectiva correção. 2. Não implantados os requisitos para concessão do benefício, faz jus a parte autora apenas à averbação dos períodos reconhecidos na presente ação. No recurso especial, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, o recorrente sustenta as seguintes teses a saber (fls. 409-416): a) violação ao art. 1.022 do CPC/15, porquanto mesmo ante a oposição de embargos de declaração não teria sido analisada a tese suscitada "acerca da impossibilidade do reconhecimento como especial da atividade exercida pelo contribuinte individual não cooperado após 29/04/1995,em razão da ausência de fonte de custeio, falta de habitualidade e permanência, impossibilidade de analisar ou não a eficácia do EPI e da unilateralidade e parcialidade da prova". b) violação aos arts. 11, V, "h", 14, inciso I, parágrafo único, 57, caput, §§3º, 4º, 5º, 6º e 7º e 58, caput, §§ 1º e 2º da Lei nº 8.213/91. Aduz que pela sistemática da lei previdenciária não é possível a comprovação da atividade especial pelo contribuinte individual, já que a norma exige formulário expedido por empresa ou seu preposto. Ademais a exposição a agentes nocivos seria por ele auto infringida. E também não se poderia no caso do contribuinte individual aferir se houve EPI eficaz em razão da ausência de comprovação de fornecimento desse equipamento por uma empresa. Por fim, o contribuinte individual não contribui para o sistema previdenciário para custear os riscos da atividade especial, não podendo ser beneficiado sem o recolhimento. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 511-515, aduzindo que não há violação ao art. 1.022 e que a decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência desta e. Corte. Decisão de admissibilidade à fl. 529-530. É o relatório. Decido. Na hipótese dos autos, trata-se de ação visando a concessão de benefício previdenciário de aposentadoria especial a trabalhador que laborou na condição de contribuinte individual sob influência de agentes nocivos. A autarquia se insurge contra esse reconhecimento alegando essencialmente a impossibilidade de comprovação, na forma exigida pela lei, da influência de agentes nocivos, bem como ante a ausência de contribuição específica desses trabalhadores para cobrir tais riscos. Entretanto, pelo que se dessume dos elementos dos autos, a especialidade do labor foi aferida em laudo pericial. E quanto à possibilidade de reconhecimento especial do contribuinte individual, tal situação tem sido admitida nesta e. Corte à consideração de que o art. 57 não faz distinção entre os segurados, estabelecendo como requisito para a concessão do benefício o exercício de atividade sujeita a condições que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador. Assim, cabível o benefício para o contribuinte individual. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. APOSENTADORIA ESPECIAL DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CABIMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1.Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem admitido o reconhecimento da especialidade de atividade exercida pelo segurado contribuinte individual, bem como da concessão de aposentadoria especial. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.697.600/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 29/4/2021.) PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTOS NÃO IMPUGNADOS. SÚMULA 182/STJ. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RECONHECIMENTO DE TEMPO ESPECIAL. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO PACIFICADO DO STJ. 1. É inviável a apreciação do agravo interno que deixa de atacar especificamente fundamentos autônomos da decisão agravada, quais sejam: (I) a não ocorrência de negativa de prestação jurisdicional no caso concreto; e que (II) a parte autora faz jus ao reconhecimento de tempo de serviço especial no período posterior à vigência da Lei n. 9.032/95, por exposição a agentes nocivos biológicos. Neste ponto, verifica-se a atração da Súmula 182/STJ. 2. A Primeira Turma desta Corte, no julgamento do REsp 1.473.155/RS, Relator o Ministro Sérgio Kukina, firmou entendimento no sentido de que o art. 57 da Lei n. 8.213/91, que trata da aposentadoria especial, não faz distinção entre os segurados, estabelecendo como requisito para a concessão do benefício o exercício de atividade sujeita a condições que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador. 3. O segurado individual não está excluído do rol dos beneficiários da aposentadoria especial, mas cabe a ele demonstrar o exercício de atividades consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física, nos moldes previstos na legislação de regência. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.540.963/PR, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 27/4/2017, DJe de 9/5/2017.) Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, "a", do CPC/2015, nego provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, percentual esse justificado pelo tempo decorrido entre a interposição do recurso e julgamento e a complexidade da causa, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal devem ser observados. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RECONHECIMENTO DE TEMPO ESPECIAL. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO PACIFICADO DO STJ. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO.