REsp 2118646 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça manteve o reconhecimento do tempo de serviço especial do contribuinte individual porque a Lei 8.213/1991 não distingue categorias de segurados para fins de aposentadoria especial, restando comprovada a exposição a agentes biológicos nas atividades do segurado e inexistindo prova de que...
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- Parties
- Recorrente: Autarquia; Recorrida: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial (art. 105, Iii, "a", Da Constituição Federal De 1988) / Decisão De Mérito No Superior Tribunal De Justiça (recurso Especial Negado Provimento)
- Outcome
- Recurso Especial não provido (negado provimento)
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Tempo De Serviço Especial, Contribuinte Individual, Agentes Nocivos Biológicos, Epis, Honorários Advocatícios, Súmula 7/stj
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Parties
Autarquia
Recorrente
parte autora
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial (art. 105, Iii, "a", Da Constituição Federal De 1988) / Decisão De Mérito No Superior Tribunal De Justiça (recurso Especial Negado Provimento)
Legal Issues
- 1 possibilidade de reconhecimento de tempo de serviço especial ao contribuinte individual não cooperado
- 2 eficácia dos equipamentos de proteção individual para afastar especialidade
- 3 interpretação do art. 57 da Lei 8.213/1991 (habitualidade e permanência)
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça manteve o reconhecimento do tempo de serviço especial do contribuinte individual porque a Lei 8.213/1991 não distingue categorias de segurados para fins de aposentadoria especial, restando comprovada a exposição a agentes biológicos nas atividades do segurado e inexistindo prova de que EPIs neutralizaram os riscos; o reexame de provas é vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ), razão pela qual o recurso da Autarquia foi denegado.
Court Disposition
Recurso Especial não provido (negado provimento)
Orders
- Nego provimento ao Recurso Especial.
- Majorar honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil/2015, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da...
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da Constituição Federal de 1988) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado (fl. 633, e-STJ): PREVIDENCIÁRIO. ATIVIDADE ESPECIAL. TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. AGENTES NOCIVOS BIOLOGICOS. HABITUALIDADE E PERMANÊNCIA. EPIS. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCESSÃO. 1. A lei não faz distinção entre o segurado empregado e o contribuinte individual para fins de concessão de aposentadoria especial. O reconhecimento do direito não configura instituição de benefício novo, sem a correspondente fonte de custeio. Incidência, ademais, do princípio da solidariedade. 2. A exposição a agente biológico enseja o reconhecimento do tempo de serviço como especial. 3. A habitualidade e permanência do tempo de trabalho em condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física referidas no artigo 57, § 3º, da Lei 8.213/91 não pressupõem a submissão contínua ao agente nocivo durante toda a jornada de trabalho. Não se interpreta como ocasional, eventual ou intermitente a exposição ínsita ao desenvolvimento das atividades cometidas ao trabalhador, integrada à sua rotina de trabalho. Precedentes desta Corte. 4. Não havendo provas consistentes de que o uso de EPIs neutralizava os efeitos dos agentes nocivos a que foi exposto o segurado durante o período laboral, deve-se enquadrar a respectiva atividade como especial. A efi cácia dos equipamentos de proteção individual não pode ser avaliada a partir de uma única via de acesso do agente nocivo ao organismo, como luvas, máscaras e protetores auriculares, mas a partir de todo e qualquer meio pelo qual o agente agressor externo possa causar danos à saúde física e mental do segurado trabalhador ou risco à sua vida. 5. Comprovada a exposição do segurado a agente nocivo, na forma exigida pela legislação previdenciária aplicável à espécie, possível reconhecer-se a especialidade do tempo de labor correspondente. 6. Presentes os requisitos de tempo de contribuição e carência, é devida à parte autora a aposentadoria por tempo de contribuição. Os Embargos de Declaração foram desprovidos, nos termos da seguinte ementa (fl. 663, e-STJ): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REDISCUSSÃO. PREQUESTIONAMENTO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração pressupõem a presença de omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada. 2. A pretensão de reexame de matéria sobre a qual já houve pronunciamento do órgão julgador desafia recurso próprio, não justificando a interposição de embargos de declaração. 3. Com a superveniência do CPC/2015, a pretensão ao prequestionamento numérico dos dispositivos legais, sob alegação de omissão, não mais se justifica. 4. O princípio da fundamentação qualificada das decisões é de mão dupla. Se uma decisão judicial não pode ser considerada fundamentada pela mera invocação a dispositivo legal, também à parte se exige, ao invocá-lo, a demonstração de que sua incidência será capaz de influenciar na conclusão a ser adotada no processo. 5. Tendo havido exame sobre todos os argumentos deduzidos e capazes de influenciar na conclusão adotada no acórdão, os embargos devem ser rejeitados. Em suas razões recursais, a Autarquia alega violação dos arts. 1.022 do Código de Processo Civil/2015; 22, II, da Lei 8.212/1991; e 11, V, "h", 14, I, parágrafo único, 57, caput, §§ 3º, 4º, 5º, 6º e 7º, e 58, caput e §§ 1º e 2º, da Lei 8.213/1991. Requer a reforma do acórdão para seja afastado "o reconhecimento da especialidade do trabalho exercido na condição de contribuinte individual não cooperado, no período posterior a edição da Lei 9.032/95" (fl. 672, e-STJ). Sem contrarrazões, conforme certidão de fl. 689, e-STJ. Decisão de admissibilidade às fl. 695, e-STJ. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 22.2.2024. A irresignação não prospera. Preliminarmente, constata-se que não se configura a ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil/2015, pois o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e dirimiu a controvérsia tal como lhe foi apresentada. A propósito: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. (..) VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, § 1º E 1.022, II, DO CPC/15. (..) 1. Verifica-se não ter ocorrido ofensa aos arts. 489, § 1º e 1.022, II do CPC/15, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos presentes autos. (..) (AgInt no REsp 1.630.265/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 6/12/2016.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. (..) VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 489 E 1.022 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. (..) 1. Inexiste violação aos artigos 489 e 1.022 do CPC/2015, quando não se vislumbra omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido capaz de torná-lo nulo, especialmente se o Tribunal a quo apreciou a demanda de forma clara e precisa. (..) (AgInt no AREsp 801.104/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13/10/2016.) O Colegiado regional assim solucionou a causa (fls. 637-638, e-STJ): Resta evidente que o demandante estava exposto a agentes biológicos, pois, durante suas atividades, mantinha o contado direto com os pacientes, tanto realizando cirurgias no Hospital de Clínicas de Passo Fundo quanto em seu consultório particular (evento 1, DOC10 p. 5-14), o que torna possível o reconhecimento da especialidade (itens 1.3.4 do Anexo I ao Decreto 83.080/79 e 3.0.1 do anexo IV aos Decretos 2.172/97 e 3.048/99). Quanto às contribuições previdenciárias, observo que consta no CNIS recolhimentos em todos os meses dos períodos discutidos (evento 12, DOC1, p. 114-207). Reconheço, portanto, a especialidade dos períodos de 01/02/1988 a 31/12/1991, de 01/11/1994 a 31/12/1994, de 01/09/1995 a 30/11/1997, de 01/01/1998 a 30/06/2001, de 01/08/2001 a 31/08/2001, de 01/10/2001 a 30/09/2002, de 01/11/2002 a 30/11/2002, de 01/01/2003 a 31/01/2003 e de 01/03/2003 a 13/11/2019. (..) No caso dos autos, tratando-se de agentes nocivos biológicos, em que, como mencionado acima, é reconhecida a ineficácia dos equipamentos de proteção individual, a especialidade é mantida. Em seu recurso de apelação, o INSS defende que não é possível reconhecer a atividade especial de contribuinte individual, porquanto não colabora para o financiamento da aposentadoria especial. A lei, entretanto, não nega ao contribuinte individual a possibilidade de obter aposentadoria especial, não se podendo fazer a distinção onde a lei não fez. Ao prever o direito à aposentadoria especial, a Lei 8.213/91 é clara ao estabelecer que será devida, uma vez cumprida a carência, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Como é sabido, a categoria segurado contempla não apenas o empregado, mas também, entre outros, o contribuinte individual. A circunstância de a lei 8.212/91 não trazer norma específica sobre o custeio da aposentadoria especial do contribuinte individual não afasta o direito ao benefício, que decorre, como visto, de expressa disposição da lei de benefícios. Não se está a instituir benefício novo, sem a correspondente fonte de custeio. Trata-se de benefício já existente passível de ser auferido por segurado que implementa as condições previstas na lei de benefícios. A Seguridade Social, ademais, como dispõe a Constituição, será financiada com recursos que não provêm especificamente de contribuições sobre as remunerações, mas também e em larga medida, de toda a sociedade e de contribuições das empresas sobre outras bases imponíveis. Trata- se da aplicação do princípio da solidariedade. Assim, fica mantida a sentença. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende ser possível o reconhecimento de tempo de serviço especial ao segurado contribuinte individual não cooperado, desde que comprovado, segundo a lei vigente no momento da prestação do serviço, que a atividade foi exercida sob condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou sua integridade física. Vejam-se: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO/CONTRIBUIÇÃO. CÔMPUTO DE TEMPO ESPECIAL. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. POSSIBILIDADE. 1. O artigo 57 da Lei 8.213/1991 não traça qualquer diferenciação entre as diversas categorias de segurados, permitindo o reconhecimento da especialidade da atividade laboral exercida pelo segurado contribuinte individual. 2. O artigo 64 do Decreto 3.048/1999 ao limitar a concessão do benefício aposentadoria especial e, por conseguinte, o reconhecimento do tempo de serviço especial, ao segurado empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual cooperado, extrapola os limites da Lei de Benefícios que se propôs a regulamentar, razão pela qual deve ser reconhecida sua ilegalidade. 3. Destarte, é possível o reconhecimento de tempo de serviço especial ao segurado contribuinte individual não cooperado, desde que comprovado, nos termos da lei vigente no momento da prestação do serviço, que a atividade foi exercida sob condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou sua integridade física. 4. Recurso Especial não provido. (REsp 1.793.029/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/5/2019). PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. APOSENTADORIA ESPECIAL DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CABIMENTO. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1.Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem admitido o reconhecimento da especialidade de atividade exercida pelo segurado contribuinte individual, bem como da concessão de aposentadoria especial. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.697.600/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 29/4/2021.) Ademais, tendo o acórdão recorrido consignado expressamente, com base nos elementos constantes dos autos, que o segurado comprovou exercer atividade laboral sob condições especiais, é de ser mantida a conclusão, porquanto o revolvimento dessa matéria na via eleita demandaria análise de fatos e provas, o que é inviável ante a incidência da Súmula 7/STJ. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA