AREsp 2628228 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem analisou a controvérsia de forma clara e fundamentada, concluindo pela ausência de comprovação da atividade especial no período pleiteado; a pretensão demandaria reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, e a decisão...
Source-derived case information.
- Parties
- Autor: parte autora; Recorrente: recorrente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial (origem: Ação Declaratória E Condenatória De Concessão De Aposentadoria Especial Por Tempo De Contribuição) / Agravo Em Recurso Especial Conhecido Em Parte; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Tempo De Contribuição, Atividade Especial, Equipamento De Proteção Individual (epi), Perfil Profissiográfico Previdenciário (ppp), LTCAT, Exposição a Agentes Nocivos (ruído, Poeira De Cal E Cimento), Reexame Fático Probatório, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
parte autora
Autor
recorrente
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial (origem: Ação Declaratória E Condenatória De Concessão De Aposentadoria Especial Por Tempo De Contribuição) / Agravo Em Recurso Especial Conhecido Em Parte; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Reconhecimento de atividade especial por exposição a agentes nocivos
- 2 Eficácia do EPI como elemento impeditivo da aposentadoria especial
- 3 Prova da exposição (PPP, LTCAT, perícia técnica)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem analisou a controvérsia de forma clara e fundamentada, concluindo pela ausência de comprovação da atividade especial no período pleiteado; a pretensão demandaria reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, e a decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência desta Corte (enunciado n. 83 da Súmula do STJ). Ademais, não houve violação ao dever de fundamentação (art. 1.022 do CPC/2015).
Court Disposition
Recurso especial não conhecido.
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo e não conheço do recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015, observados os limites legais e a gratuidade judiciária, se aplicáveis.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação declaratória e condenatória de concessão de aposentadoria especial por tempo de contribuição. Na sentença, julgou-se o pedido parcialmente procedente. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada em parte. O valor da causa foi fixado em R$ 94.496,14 (noventa e quatro mil quatrocentos e noventa e seis reais e quatorze centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. ATIVIDADE ESPECIAL AGENTES NOCIVOS. RECONHECIMENTO. CONVERSÃO. RUÍDO. PERÍODOS E NÍVEIS DE EXPOSIÇÃO. PROVA. USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI). DESCONSIDERAÇÃO DA EFICÁCIA. ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGENTES QUÍMICOS. CONSTRUÇÃO CIVIL. CAL E CIMENTO. 1.A LEI EM VIGOR QUANDO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DEFINE A CONFIGURAÇÃO DO TEMPO COMO ESPECIAL OU COMUM, O QUAL PASSA A INTEGRAR O PATRIMÔNIO JURÍDICO DO TRABALHADOR, COMO DIREITO ADQUIRIDO. 2. ATÉ 28/04/1995 ADMITE-SE O RECONHECIMENTO DA ESPECIALIDADE DO TRABALHO POR CATEGORIA PROFISSIONAL; A PARTIR DE 29/04/1995 NECESSÁRIO A COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXPOSIÇÃO AOS AGENTES PREJUDICIAIS À SAÚDE, DE FORMA NÃO OCASIONAL NEM INTERMITENTE, POR QUALQUER MEIO DE PROVA; A CONTAR DE 06/05/1997 A COMPROVAÇÃO DEVE SER FEITA POR FORMULÁRIO-PADRÃO (PPP) EMBASADO EM LAUDO TÉCNICO (LTCAT) OU POR PERÍCIA TÉCNICA. 3. CONSIDERA-SE ESPECIAL A ATIVIDADE EM QUE O SEGURADO ESTEVE EXPOSTO A RUÍDOS SUPERIORES A 80 DECIBÉIS ATÉ A DATA DE 05/03/1997, POR CONTA DO ENQUADRAMENTO LEGAL/PROFISSIONAL PREVISTO NOS DECRETOS 53.831/64 E 83.080/79. COM A EDIÇÃO DO DECRETO 2.172/97, O LIMITE MÍNIMO PASSOU A SER 90 DECIBÉIS, SENDO REDUZIDO PARA 85 DECIBÉIS, A CONTAR DE 19.11.2003, CONFORME PREVISTO NO DECRETO 4.882/2003. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, NO JULGAMENTO DO ARE 664.335, FIXOU O ENTENDIMENTO DE QUE: 1) O DIREITO À APOSENTADORIA ESPECIAL PRESSUPÕE A EFETIVA EXPOSIÇÃO DO TRABALHADOR A AGENTE NOCIVO À SUA SAÚDE, DE MODO QUE, SE O EPI FOR REALMENTE CAPAZ DE NEUTRALIZAR A NOCIVIDADE NÃO HAVERÁ RESPALDO CONSTITUCIONAL À APOSENTADORIA ESPECIAL; 2) NA HIPÓTESE DE EXPOSIÇÃO DO TRABALHADOR A RUÍDO ACIMA DOS LIMITES LEGAIS DE TOLERÂNCIA, A DECLARAÇÃO DO EMPREGADOR, NO ÂMBITO DO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP), NO SENTIDO DA EFICÁCIA DO EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI), NÃO DESCARACTERIZA O TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL PARA APOSENTADORIA. 3. ADMITE-SE O RECONHECIMENTO DA ATIVIDADE ESPECIAL PELA EXPOSIÇÃO HABITUAL E PERMANENTE AOS AGENTES QUÍMICOS NOCIVOS A SAÚDE, INDEPENDENTEMENTE DE ANÁLISE QUANTITATIVA (CONCENTRAÇÃO, INTENSIDADE, ETC.). PARA TANTO, BASTA A ANÁLISE QUALITATIVA (EXPOSIÇÃO AOS AGENTES NOCIVOS PRESENTES NO AMBIENTE DE TRABALHO). 4. A ATIVIDADE EM CONSTRUÇÃO CIVIL DOS TRABALHADORES EM EDIFÍCIOS, BARRAGENS, PONTES E TORRES, CONSIDERADA PERIGOSA, ESTA PREVISTA NO ITEM 2.3.3 DO QUADRO ANEXO AO DECRETO NE 53.831/64, PODENDO SER CONSIDERADA ESPECIAL POR ENQUADRAMENTO PROFISSIONAL. 5. DESDE QUE COMPROVADA A EXPOSIÇÃO HABITUAL E PERMANENTE DO TRABALHADOR AOS AGENTES NOCIVOS POEIRA DE CAL E CIMENTO EM NÍVEIS INSALUBRES, É POSSÍVEL O RECONHECIMENTO DO CARÁTER ESPECIAL DA ATIVIDADE LABORAI, COM BASE NO QUADRO ANEXO DO DECRETO NÇ 53.831/64, CÓDIGO 1.2.9, E NO ANEXO NE 13 DA NR NÇ 15 DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. PRECEDENTES DESTE TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL E DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: (..) não ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período 20/06/1996 a 24/01/2001, conforme a legislação aplicável à espécie. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA