AREsp 2686326 - DECISAO
Conheceu‑se do agravo para decidir que o recurso especial não poderia ser conhecido por vícios de admissibilidade: deficiência de fundamentação na indicação de comando normativo federal (incidência da Súmula 284/STF), leitura do Tema 1031 do STJ insuficiente para respaldar a insurgência quando não se discute...
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- Parties
- Agravante: ELIAS RODRIGUES DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Adicional De Periculosidade, Adicional De Insalubridade, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Tema 1031/stj, Súmula 7/stj
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Parties
ELIAS RODRIGUES DE SOUZA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 reconhecimento de atividade especial para vigilante
- 3 incidência da Súmula 284/STF por deficiência de fundamentação
Ratio Decidendi
Conheceu‑se do agravo para decidir que o recurso especial não poderia ser conhecido por vícios de admissibilidade: deficiência de fundamentação na indicação de comando normativo federal (incidência da Súmula 284/STF), leitura do Tema 1031 do STJ insuficiente para respaldar a insurgência quando não se discute interpretação de lei federal, e vedação ao reexame de provas na via do recurso especial (Súmula 7/STJ) diante de conclusão pericial sobre início da exposição a agentes insalubres em 2015.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Publique‑se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por ELIAS RODRIGUES DE SOUZA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: APOSENTADORIA ESPECIAL. SERVIDOR MUNICIPAL. SAAE. PRETENSÃO AO RECEBIMENTO DE ADICIONAL DE PERICULOSIDADE E. EM DECORRÊNCIA, A CONCESSÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL QUANDO PREENCHIDOS OS REQUISITOS (25 ANOS DE EXERCÍCIO). INADMISSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA O PAGAMENTO DE ADICIONAL DE PERICULOSIDADE PARA O CARGO DE VIGIA. SERVIDOR QUE CONTINUA TRABALHANDO EM OUTRA ATIVIDADE. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO ACERCA DA EXPOSIÇÃO A ATIVIDADES INSALUBRES. ADMISSIBILIDADE DO PAGAMENTO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE ENQUANTO DURAR A EXPOSIÇÃO AOS AGENTES. AÇÃO PARCIALMENTE PROCEDENTE. RECURSOS PROVIDOS PARA AFASTAR A CONCESSÃO DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE E. CONSEQUENTEMENTE AFASTAI" A CONCESSÃO DA APOSENTADORIA ESPECIAL, COM O PAGAMENTO APENAS DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. OBSERVADA A PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC APÓS A ENTRADA EM VIGOR DA EC 113/21. Qu anto à controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 489, §1º, VI, do CPC; e do Tema n. 1031 do STJ, no que concerne ao reconhecimento de atividade especial para vigilante, comprovada a periculosidade do trabalho por laudo pericial, trazendo a seguinte argumentação: Quanto ao Cargo de Vigia especificamente, este também possui posição pacífica do STF, qual seja o Tema 1209 (RE 1368225), que deu origem ao Tema Repetitivo 1031 do STJ, segundo o qual: TEMA 1031 do STJ: É possível o reconhecimento da especialidade da atividade de Vigilante, mesmo após EC 103/2019, com ou sem o uso de arma de fogo, em data posterior à Lei 9.032/1995 e ao Decreto 2.172/1997, desde que haja a comprovação da efetiva nocividade da atividade, por qualquer meio de prova até 5.3.1997, momento em que se passa a exigir apresentação de laudo técnico ou elemento material equivalente, para comprovar a permanente, não ocasional nem intermitente, exposição à atividade nociva, que coloque em risco a integridade física do Segurado. E, considerando que no presente caso há 7 anos de especialidade de 1990 a 1997 e que, após isso, existe efetivamente Laudo Pericial nesse sentido nos autos (fls. 583-584). Portanto, o direito existe e é amplamente reconhecido por esta Corte Superior, especialmente porque existe Laudo Pericial a respeito que atesta o Período Especial (fl. 585). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, in cide a Súmula n. 284/STF devido à ausência de comando normativo do(s) dispositivo(s) apontado(s) como violado(s) para sustentar a tese recursal, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: ; PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. EXECUÇÃO FISCAL. RFFSA E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. CURSO DA DEMANDA. SUCESSORA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. DESNECESSIDADE. 1. Os apontados arts. 130 e 131 do CTN não têm comando normativo para amparar a tese de imunidade do IPTU em favor da RFFSA, visto que tais dispositivos legais cuidam de tema diverso, referente à responsabilidade tributária por sucessão, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp n. 1.764.763/PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 27.11.2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BANCÁRIO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CERTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNÇÃO DESEMPENHADA PELO CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. VIOLAÇÃO À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. .. 4. No que tange à aduzida ofensa ao art. 12, § 1º, VI, da Lei n. 10.931/04, o presente recurso não merece prosperar, porquanto o referido dispositivo não confere sustentação aos argumentos engendrados. Incidência da Súmula 284/STF. 5. O mesmo óbice representado pelo enunciado da Súmula 284/STF incide no que diz respeito à alegada ofensa aos arts. 421 e 425 do Código Civil, que veiculam comandos normativos demasiadamente genéricos e que não infirmam as conclusões do Tribunal de origem. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.674.879/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.3.2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.798.903/RJ, Rel. para o acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 30.10.2019; AgInt no REsp n. 1.844.441/RN, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.524.220/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18.5.2020; AgRg no AREsp n. 1.280.513/RJ, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27.5.2019; AgRg no REsp n. 1.754.394/MT, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 17.9.2018; AgInt no REsp n. 1.503.675/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 27.3.2018; AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23.4.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.709.059/RJ, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 18.12.2020; e AgInt no REsp n. 1.790.501/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.3.2021. Ademais, quanto ao Tema n. 1031 do STJ, não é cabível o Recurso Especial quando se busca analisar a violação ou a interpretação divergente de norma diversa de tratado ou lei federal. Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.565.020/RJ, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 14.8.2020; AgInt no REsp n. 1.832.794/RO, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27.11.2019; AgInt no AREsp n. 1.425.911/MG, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 15.10.2019; AgInt no REsp n. 1.864.804/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 7.6.2021. Além disso, não é cabível o Recurso Especial porque interposto contra acórdão com fundamento em legislação local, ainda que se alegue violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal. Aplicável, por analogia, a Súmula n. 280 do STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". Nesse sentido: "A tutela jurisdicional prestada pela Corte de origem com fundamento em legislação local impede o exame do apelo extremo, mediante aplicação da Súmula 280/STF". (REsp 1.759.345/PI, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 17.10.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.657.693/RJ, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 18.8.2020; AgInt no REsp 1.616.439/SC, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 1º.6.2020; AgRg no REsp 1.822.671/MT, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 7.4.2020. Ainda, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: No mais, a prova pericial foi conclusiva acerca da exposição do autor aos agentes insalubres a partir de 2015 quando passou a exercer o cargo de auxiliar de serviços gerais. O perito esclareceu que a partir de 2015 o autor passou a exercer atividade de serviços gerais, com exposição à agentes biológicos (fl.556) Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7.3.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.9.2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16.10.2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA