REsp 2178453 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem, após exame probatório, concluiu pela ausência de exposição habitual e permanente integrada à rotina do autor, matéria de fato cujo reexame é vedado em Recurso Especial (Súmula 7), e porque não houve prequestionamento quanto à alegação sobre a DER,...
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- Parties
- Recorrente: VALMIR CARDOZO PEREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
- Outcome
- Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Tempo De Serviço Especial, Exposição a Agentes Nocivos, Prequestionamento, Honorários Recursais
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Parties
VALMIR CARDOZO PEREIRA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 reconhecimento de tempo de serviço especial e requisitos de habitualidade e permanência
- 2 prequestionamento como requisito de admissibilidade do recurso especial
- 3 impossibilidade de reexame de matéria fática (Súmula 7/STJ) em recurso especial
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem, após exame probatório, concluiu pela ausência de exposição habitual e permanente integrada à rotina do autor, matéria de fato cujo reexame é vedado em Recurso Especial (Súmula 7), e porque não houve prequestionamento quanto à alegação sobre a DER, incindindo a Súmula 211; assim, amparado no art.932, III, CPC e no RISTJ, o Relator não conheceu do recurso, aplicando-se adicionalmente o art.85, §11, do CPC para majoração dos honorários em 20% e suspensão de sua exigibilidade.
Court Disposition
Recurso Especial não conhecido
Orders
- Majoração em 20% dos honorários anteriormente fixados
- Suspensão da exigibilidade dos honorários, nos termos do art. 98, § 3º, do Código de Processo Civil de 2015
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por VALMIR CARDOZO PEREIRA contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 10ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região no julgamento de apelação, assim ementado (fls. 1.514e): PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. REVISÃO. AUSENTE HABITUALIDADE E PERMANÊNCIA À EXPOSIÇÃO AOS AGENTES AGRESSIVOS. 1. Se não comprovada a exposição do segurado a agente nocivo, na forma exigida pela legislação previdenciária aplicável à espécie, não é possível reconhecer a especialidade da atividade laboral por ele exercida. 2. Não tem direito ao reconhecimento da especialidade do tempo de serviço o segurado que não comprova a efetiva exposição a agentes nocivos ou o exercício de atividade profissional enquadrável como especial. 3. A habitualidade e permanência do tempo de trabalho em condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física (referidas no artigo 57, § 3º, da Lei nº 8.213/91) não pressupõem a exposição contínua ao agente nocivo durante toda a jornada de trabalho. 4. Contudo, se não exige exposição diuturna aos agentes agressivos, necessário se faz que o contato seja integrada a sua rotina de trabalho, ao menos em fração da atividade diária 5. Aplica-se, em razão da atuação do advogado da autarquia em sede de apelação, o comando do §11 do referido artigo, que determina a majoração dos honorários fixados anteriormente, pelo trabalho adicional realizado em grau recursal, observando, conforme o caso, o disposto nos §§ 2º a 6º e os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. 85. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 1.532/1.535e). Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, além de divergência jurisprudencial, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese, que: Art. 57, § 3º, da Lei n. 8.213/1991 - deve ser reconhecido o tempo especial de trabalho requerido, tendo em vista a pacifica jurisprudência no sentido de que é desnecessário o contato com os agentes biológicos se dê de forma permanente já que o risco de acidente independe do tempo de exposição; e Art. 493 do Código de Processo Civil - "Ressalta-se que o douto juízo a quo entendeu que a Data de Entrada de Requerimento (DER), foi em 24/09/2020, sem entretanto, considerar que deveria ter sido aplicada a DER ate a data de 12/11/2019, data da promulgação o da Emenda Constitucional 103/19 e por isso merece reforma decisão, nesse ponto. (fl. 1.545e)Sem contrarrazões, o recurso foi inadmitido (fls. 1.608/1.609e), tendo sido interposto Agravo, posteriormente convertido em Recurso Especial (fl. 1.658e). Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, mediante decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. No caso, o tribunal de origem, após minucioso exame dos elementos fáticos contidos nos autos, consignou que não restou comprovada a exposição a agentes nocivos de forma habitual e permanente integrada à sua rotina de trabalho, nos seguintes termos (fls. 1.504/1.513e): EXAME DO TEMPO ESPECIAL NO CASO CONCRETO Passo, então, ao exame do (s) período(s) controvertido(s) nesta ação, com base nos elementos contidos nos autos e na legislação de regência, para concluir pelo cabimento ou não do reconhecimento da natureza especial da atividade desenvolvida. Para tanto, colaciono fração do comando sentencial que bem analisou a questão, cujos fundamentos adoto como razões de decidir pois alinhados com o atual entendimento desta Corte, in verbis: Assentadas tais premissas, passa-se à análise dos períodos controvertidos. O PPP emitido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - IAPAR-EMATER, em 22/12/2021, menciona que o autor exerceu: a) o cargo técnico agrícola, na função extensionista municipal II, no setor unidade municipal, de 01/11/1991 a 31/10/2001; b) o cargo de técnico agrícola, na função técnico agrícola, no setor unidade municipal, nos períodos de 01/11/2001 a 02/07/2004, 04/10/2004 a 04/07/2008, 06/10/2008 a 06/07/2012, 08/10/2012 a 31/12/2019, 01/01/2020 a 14/08/2020 e 16/11/2020 a 22/12/2021 (data da emissão do PPP). O formulário refere que durante todos os períodos o autor esteve exposto a agentes químicos (defensivos agrícolas, inseticidas, fungicidas e herbicias) e biológicos (microorganismos patogênicos) e que ele realizava as seguintes atividades (evento 19, PPP5): (..) Consoante entendimento do TRF 4ª Região, o trabalho exercido como técnico agrícola deve ser enquadrado como ensejador de aposentadoria especial por analogia à atividade de engenheiro agrônomo e médico veterinário, constante nos códigos 2.1.1 e 2.1.3 do Decreto n. 53.831/64 e do Decreto n. 83.080/79. Confira-se: (..) Portanto, o período de 01/11/1991 a 28/04/1995 deve ser reconhecido como ensejador de aposentadoria especial. Quanto aos períodos posteriores, o estudo sobre insalubridade e periculosidade de 1986 aponta as atividades realizadas e os riscos a que estava exposto o extensionista municipal II (evento 1, PROCADM14, p. 22-23): (..) Nota-se que os profissionais tinham contato com produtos químicos, contudo no laudo não há identificação de concentração e características dos produtos. Além disso, foi mencionado no documento (item 5.7) que o contato dos profissionais com os agentes de risco não era permanente. O LTCAT elaborado em 2001 traz o cargo de extensionista municipal II para a função de técnico agrícola (evento 1, LAUDO10, p. 12/15). O documento informa a exposição a herbicidas, fungicidas e pesticidas, mas de forma habitual, não permanente. Relata que em um período de 12 meses a exposição se dá por até 8 meses, mas de forma ocasional e intermitente. O LTCAT de 2005 informa que técnicos agrícolas estão expostos aos seguintes agentes nocivos ( evento 1, LAUDO11, p. 78): (..) De acordo com o laudo, no entanto, a exposição aos agentes químicos e biológicos se dá de forma ocasional e intermitente (item 5.2): (..) Por fim, o laudo de insalubridade, elaborado em setembro de 2011, traz a avaliação dos fatores de risco nas diferentes unidades da EMATER. Apesar do PPP do autor não informar em qual unidade ele estava lotado, analisando-se o laudo de insalubridade percebe-se que em nenhuma das unidades o técnico agrícola esteve exposto, de forma habitual e permanente, a agentes ensejadores de aposentadoria especial (evento 1, LAUDO12, p. 93, 96, 99, 100, 104, 108, 111, 114, 117, 121, 125, 129, 132 e 136). Como dito alhures, para fins de reconhecimento da atividade especial, a caracterização da habitualidade e permanência, nos termos do art. 57, § 3º, da Lei 8.213/91, não exige que a exposição ocorra durante toda a jornada de trabalho. É suficiente para sua caracterização o contato cujo grau de nocividade ou prejudicialidade à saúde ou integridade física fique evidenciado pelas condições em que desenvolvida a atividade. É perfeitamente possível o reconhecimento da especialidade da atividade, mesmo que não se saiba a quantidade exata de tempo de exposição ao agente insalubre. Necessário, apenas, restar demonstrado que o segurado estava sujeito, diuturnamente, a condições prejudiciais à sua saúde. A permanência não pode ter aplicação restrita, como exigência de contato com o agente nocivo durante toda a jornada de trabalho do segurado, notadamente quando se trata de nocividade avaliada de forma qualitativa. A exposição permanente depende de constatação do grau e intensidade no contato com o agente, com avaliação dos riscos causados à saúde do trabalhador, embora não seja por todas as horas da jornada de trabalho. A habitualidade e permanência do tempo de trabalho em condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física (referidas no artigo 57, § 3º, da Lei nº 8.213/91) não pressupõem a exposição contínua ao agente nocivo durante toda a jornada de trabalho. Tal exposição deve ser ínsita ao desenvolvimento das atividades cometidas ao trabalhador, integrada à sua rotina de trabalho, e não de ocorrência eventual ou ocasional. Exegese diversa levaria à inutilidade da norma protetiva, pois em raras atividades a sujeição direta ao agente nocivo se dá durante toda a jornada de trabalho, e em muitas delas a exposição em tal intensidade seria absolutamente impossível (EINF n.º 0003929-54.2008.404.7003, TRF/4ª Região, 3ª Seção, Rel. Des. Federal Rogério Favreto, D. E. 24-10- 2011; EINF n.º 2007.71.00.046688-7, TRF/4ª Região, 3ª Seção, Rel. Des. Federal Celso Kipper, D. E. 7- 11-2011). Contudo, se não exige exposição diuturna aos agentes agressivos, necessário se faz que o contato seja integrada a sua rotina de trabalho, ao menos em fração da atividade diária. In casu, não há indicação de que o autor trabalhasse por período significativo em contato direto com produtos químicos, denotando que eventual manipulação de produtos como herbicidas ou inseticidas, era a mínima necessária para ilustrar a técnica aos agricultores, descaracterizando, assim, o exercício de atividade especial. Conclusão: A sentença merece confirmação integral, não sendo cabível o reconhecimento da natureza especial do labor no entretempo de 29/04/1995 e 18/10/2019, devendo ser negado provimento ao recurso da parte autora no ponto. (Destaque meu). In casu, rever tal entendimento, com o objetivo de acolher a pretensão recursal, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 7 desta Corte, assim enunciada: "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. AGENTE QUÍMICO. EXPOSIÇÃO OCASIONAL. RUÍDO. GRAU DO AGENTE NOCIVO. LEGISLAÇÃO EM VIGOR AO TEMPO DA ATIVIDADE. OBSERVÂNCIA. 1. Para efeito de contagem de tempo especial, ainda que não se exija a exposição ininterrupta do trabalhador ao fator de risco, necessária se faz a comprovação do requisito legal da habitualidade. 2. Caso em que o Tribunal de origem asseverou que o laudo pericial registrou que a exposição do autor aos gases hidrocarbonetos no período postulado se deu de forma ocasional. 3. O entendimento do Tribunal local coincide com a orientação desta Corte, proferida no REsp n. 1.398.260/PR, da Primeira Seção, segundo a qual o limite de tolerância para configuração da especialidade do tempo de serviço para o agente ruído deve ser de 90 dB no período de 06/03/1997 a 18/11/2003, conforme Anexo IV do Decreto n. 2.172/1997 e do Decreto n. 3.048/1999, e 85 dB a partir do Decreto n. 4.882/2003. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.671.815/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 11/11/2019, DJe de 28/11/2019, destaque meu.) PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ATIVIDADE SOB CONDIÇÕES ESPECIAIS. AGENTE FÍSICO ELETRICIDADE. POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DE TEMPO ESPECIAL, DESDE QUE COMPROVADA A NOCIVIDADE POR MEIO DE LAUDO TÉCNICO. RECURSO ESPECIAL, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA, 1.306.113/SC, REL. MIN. HERMAN BENJAMIN, DJE 6.3.2013. NOCIVIDADE DA ATIVIDADE LABORAL NÃO RECONHECIDA PELO LAUDO TÉCNICO, O QUE IMPEDE A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Em conformidade com a tese recursal apresentada no Apelo Especial, o acórdão recorrido reconheceu que a exposição de forma intermitente à tensão elétrica não descaracteriza o risco produzido pela eletricidade, uma vez que o perigo existe tanto para aquele que está exposto de forma continua, como para aquele que, durante a jornada, por diversas vezes, ainda que não de forma permanente, tem contato com a eletricidade. 2. Ocorre que, com base no conjunto probatório dos autos, o Tribunal de origem consignou, confirmando a sentença, que diante da diversidade de atividades que o trabalhador exercia durante sua jornada de trabalho, sua exposição aos agente de risco ocorriam de forma eventual e esporádica, o que impede o reconhecimento da natureza especial da atividade. 3. Este entendimento encontra-se em conformidade com a orientação firmada nesta Corte, no julgamento do Recurso Especial Representativo da Controvérsia 1.306.113/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 6.3.2013, de que é possível o reconhecimento de tempo especial do trabalho prestado com exposição ao agente físico eletricidade desde que o laudo técnico comprove a efetiva nocividade da atividade realizada de forma não ocasional e intermitente. 4. Agravo Regimental do Segurado a que se nega provimento. (AgRg no REsp n. 1.326.303/RS, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 6/12/2016, DJe de 2/2/2017.) Acerca da suscitada ofensa ao art. 493 do Código de Processo Civil, em razão da alegação de que a DER deveria ter sido reafirmada até 12/11/2019, verifico que a insurgência carece de prequestionamento, porquanto não analisada pelo tribunal de origem. Com efeito, o requisito do prequestionamento pressupõe o prévio debate da questão, à luz da legislação federal indicada, com emissão de juízo de valor acerca dos dispositivos apontados como violados, e, no caso, malgrado a oposição de embargos declaratórios, não foi examinada, ainda que implicitamente, a alegação concernente à possibilidade de limitação da DER até a data da promulgação o da Emenda Constitucional 103/2019. Desse modo, aplicável o enunciado da Súmula n. 211 desta Corte ("Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"), consoante os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. RECEBIMENTO COMO AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PREQUESTIONAMENTO FICTO NÃO CONFIGURADO. PROVIMENTO NEGADO. 1. Pedido de reconsideração recebido como agravo interno. 2. A ausência de enfrentamento pelo Tribunal de origem da matéria impugnada, objeto do recurso, não obstante a oposição de embargos de declaração, impede o acesso à instância especial porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula 211 do Superior Tribunal de Justiça. 3. O entendimento desta Corte Superior é o de que o reconhecimento do prequestionamento ficto exige que no recurso especial se tenha alegado a ocorrência de violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil, possibilitando verificar a omissão do Tribunal de origem quanto à apreciação da matéria de direito de lei federal controvertida, o que não ocorreu na espécie. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (RCD no AREsp n. 2.201.202/RJ, Relator Ministro PAULO SÉRGIO DOMINGUES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16.09.2024, DJe de 19.09.2024). PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. SERVIÇOS DE ENERGIA ELÉTRICA. MORTE POR ELETROCUSSÃO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO SUMULAR N. 7 E 211 DO STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. .. IV - Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. V - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.438.090/BA, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 12.08.2024, DJe de 15.08.2024 - destaque meu). Cabe ressaltar, ainda, que, caso entendesse persistir vício integrativo no acórdão impugnado, o Recorrente deveria ter alegado afronta ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, de forma devidamente fundamentada, possibilitando, assim, a análise de eventual negativa de prestação jurisdicional pelo tribunal de origem, sob pena de não conhecimento da matéria por ausência de prequestionamento, como na espécie. No que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos Enunciados Administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais em favor do patrono da parte recorrida está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou de improvimento do recurso. Impende destacar que a Corte Especial deste Tribunal Superior, na sessão de 9.11.2023, concluiu o julgamento do Tema n. 1.059/STJ (Recursos Especiais ns. 1.864.633/RS, 1.865.223/SC e 1.865.553/PR, acórdãos pendentes de publicação), fixando a tese segundo a qual a majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do CPC pressupõe que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não conhecido pelo tribunal, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. Não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento e limitada a consectários da condenação. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Na aferição do montante a ser arbitrado a título de honorários recursais, deverão ser considerados o trabalho desenvolvido pelo patrono da parte recorrida e os requisitos previstos nos §§ 2º a 10 do art. 85 do estatuto processual civil de 2015, sendo desnecessária a apresentação de contrarrazões (v.g. STF, Pleno, AO 2.063 AgR/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator para o acórdão Min. Luiz Fux, j. 18/05/2017), embora tal elemento possa influir na sua quantificação. Nessa linha a compreensão da Corte Especial deste Tribunal Superior (v.g.: AgInt nos EAREsp 762.075/MT, Rel. Min. Felix Fischer, Rel. p/ acórdão Min. Herman Benjamin, DJe de 07.03.2019). Assim, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, de rigor a majoração, em 20% (vinte por cento), dos honorários anteriormente fixados (fl. 1.513e), restando suspensa sua exigibilidade, nos termos do art. 98, § 3º, do Código de Processo Civil de 2015. Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA