AREsp 1785709 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão de reconhecimento de períodos como especiais exigiria reexame do quadro fático-probatório (Súmula 7/STJ) e a alegada divergência jurisprudencial não foi demonstrada nos termos formais exigidos (arts. 1.029, §1º CPC/2015 e 255 RISTJ).
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CARLOS PEREIRA MARQUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Exposição a Agente Nocivo (ruído), Enquadramento Por Categoria Profissional, Súmula 7/stj, Dissídio Jurisprudencial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CARLOS PEREIRA MARQUES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Reconhecimento de períodos de trabalho como especiais por exposição a agente nocivo e por enquadramento por categoria profissional nos termos do Decreto 83.080/1979 (Anexo II, código 2.5.1)
- 2 Alegada divergência jurisprudencial e requisitos formais para sua demonstração (arts. 1.029, §1º CPC/2015 e 255 RISTJ)
- 3 Aplicação da Súmula 7 do STJ quanto à vedação de reexame de prova no recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão de reconhecimento de períodos como especiais exigiria reexame do quadro fático-probatório (Súmula 7/STJ) e a alegada divergência jurisprudencial não foi demonstrada nos termos formais exigidos (arts. 1.029, §1º CPC/2015 e 255 RISTJ).
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CARLOS PEREIRA MARQUES contra a decisão que não admitiu o seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c, da CF/1988, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: PREVIDENCIÁRIO APOSENTADORIA ESPECIAL EXPOSIÇÃO AO AGENTE NOCIVO RUÍDO NÃO COMPROVADA ALTERAÇÃO DO ACÓRDÃO A QUO SÚMULA 7STJ HONORÁRIOS MAJORAÇÃO SÚMULA 7. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do código 2.5.1, do anexo II, do Decreto 83.080/1979, no que concerne ao enquadramento por categoria profissional das atividades desempenhadas em ambiente de fundição e em indústria metalúrgica, trazendo os seguintes argumentos: O r. acórdão da 7 Turma do Tribunal Regional Federal da 3 Região não reconheceu a especialidade nos períodos de 18/01/1979 a 15/01/1983 laborado na empresa FUNDIÇÃO MUNCK SIA e de 12/02/1986 a 19/05/1986, empresa SOLTRONIC S/A EQUIPAMENTOS DE SOLDA., alegando que a mera qualificação como plainador e ajustador mecânico não permite o enquadramento, ante a ausência desta categoria profissional nos decretos que disciplinam a matéria e não há nos autos quaisquer informativos ou laudos técnicos, referentes aos períodos, que apontem a exposição habitual e permanente a agentes nocivos. Ocorre que no código 2.5.1, do anexo II, do Decreto 83.080/79, está disciplinado o enquadramento como especial por categoria profissional das atividades exercidas em indústria metalúrgica e de fundições de ferro e metais não ferrosos e demais atividades exercidas em ambiente de fundição:(..) .. Destarte, as atividades desempenhadas em ambiente de Fundicão são enquadradas como especiais por categoria profissional, por meio do Parecer da SSMT no processo MTb n0 103.248/83, razão pela qual o período de 18/01/1979 a 15/01/1983 laborado na empresa FUNDIÇÃO MUNCK S/A, merece ser enquadrado como especial, uma vez que as atividades se deram em ambiente de fundição. Da mesma forma, o período de trabalho de 12/02/1986 a 19/05/1986, trabalhado na empresa SOLTRONIC S/A EQUIPAMENTOS DE SOLDA merece enquadramento pela categoria profissional, haja vista se tratar de atividade de mecânico montador exercida em indústria metalúrgica e de fundiôes de metais não ferrosos.fl. 240-242). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, alega dissídio jurisprudencial. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: No pertinente às atividades especiais exercidas no período de 15/10/1973 a 11/01/1974; 05/08/1974 a 26/05/1975; 25/08/1977 a 12/09/1977; Z 18/09/1977 a 20/03/1978; 12/08/1984 a 25/10/1984; 12/02/1986 a 19/05/1986; 04/08/1986 a 22/06/1990 e de 22/04/1991 a 08/09/1993, inviável o reconhecimento como especial, posto que a mera qualificação como plainador e ajustador mecânico não permite o enquadramento, ante a ausência desta categoria profissional nos decretos que disciplinam a matéria e não há nos autos quaisquer informativos ou laudos técnicos, referentes aos períodos, que apontem a exposição habitual e permanente a agentes nocivos. No tocante ao período de 18/01/1979 a 15/01/1983, embora haja a informação de que o Autor trabalhou como inspetor de qualidade neste período, não há nos formulários o nível de ruído ao qual esteve exposto, bem como informações contundentes outro agente nocivo. Saliento, mais, que não caberia o enquadramento pela categoria profissional tendo em vista que tais ocupações não estão previstas na legislação de regência da matéria (fl. 209). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que a pretensão recursal demanda o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita - Súmula n. 7/STJ". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que não cumpridos os requisitos legais dos arts. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e 255, § 1º, do RISTJ. Nesse sentido: "Não se conhece de recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial quando esta não esteja comprovada nos moldes dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 (reeditado pelo art. 1.029, § 1º, do NCPC), e 255 do RISTJ. Precedentes". (AgInt no AREsp n. 1.615.607/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp 1.575.943/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 2/6/2020; AgInt no REsp 1.817.727/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgInt no AREsp 1.504.740/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 8/10/2019; AgInt no AREsp 1.339.575/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/4/2019; e AgInt no REsp 1.763.014/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/12/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.