REsp 1920687 - DECISAO
Por entendimento consolidado do STJ, havendo requerimento administrativo, o termo inicial do benefício é a data do requerimento; ademais, a Súmula 111/STJ determina que a base de cálculo dos honorários abrange as parcelas vencidas até a decisão concessiva. Assim, o acórdão recorrido deve ser reformado para...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrido: INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão (provimento)
- Outcome
- Recurso Especial provido.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Termo Inicial Do Benefício, Requerimento Administrativo, Honorários Advocatícios, Súmula 111/stj, Comprovação Extemporânea, Prescrição Quinquenal, Atividade Especial (ruído)
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Parties
INSS
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão (provimento)
Legal Issues
- 1 qual é o termo inicial do benefício previdenciário quando há requerimento administrativo
- 2 incidência da Súmula 111/STJ na fixação do termo final para cálculo dos honorários advocatícios
- 3 efeitos financeiros da revisão da aposentadoria especial
Ratio Decidendi
Por entendimento consolidado do STJ, havendo requerimento administrativo, o termo inicial do benefício é a data do requerimento; ademais, a Súmula 111/STJ determina que a base de cálculo dos honorários abrange as parcelas vencidas até a decisão concessiva. Assim, o acórdão recorrido deve ser reformado para reconhecer os efeitos financeiros desde o requerimento administrativo e aplicar a Súmula 111 quanto ao termo final para cálculo dos honorários, motivo pelo qual se deu provimento ao recurso.
Court Disposition
Recurso Especial provido.
Orders
- Dar provimento ao Recurso Especial
- Reformar o acórdão recorrido
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a" e "c", da CF/1988) interposto contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. ATIVIDADE ESPECIAL. RUÍDO. RECONHECIMENTO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. TEMPO ESPECIAL. CONVERSÃO EM COMUM. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RECOLHIMENTO COMPROVADO. REVISÃO DEVIDA. EFEITOS FINANCEIROS. DATA DA CITAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. TERMO FINAL PARA A SUA INCIDÊNCIA. DATA DA PROLAÇÃO DA SENTENÇA. ISONOMIA CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES DA TURMA. APELAÇÃO DA PARTE AUTORA PROVIDA. (..) Os Embargos de Declaração foram rejeitados. A parte recorrente alega, em síntese: Ante o exposto, requerendo seja o presente receb do, dando- se seu regular processamento ao presente recurso, já que presentes os requisitos de admissibilidade, para, com a visão de que a questão não recebeu a devida prestação jurisdicional, em ostensiva afronta ao art. 54 c.c. art. 49, inciso 1, alínea "b", ambos da Lei nº 8.213/91, que se reconheça e declare a ofensa ao referido diploma legal, decretando, por consectário legal, a reforma do v. acórdão recorrido para reconhecer a parte o direito aos efeitos financeiros da aposentadoria especial aqui reconhecida desde a data de entrada do requerimento administrativo em 26/12/2001, respeitada a prescrição quinquenal das parcelas vencidas, bem como para que condene o INSS ao pagamento de honorários advocatícios até a data de prolação do v. acórdão recorrido, por onde foi efetivamente reconhecido o dire to planeado, já que "Nos termos da Súmula n. 111 do Superior Tribunal de Justiça, o marco final da verba honorária deve ser o decisum no qual o direito do segura do foi reconhecido, que no caso corresponde ao acórdão proferido pelo Tribunal a quo (AgRg no REsp nº 1557782/SP, relatoria do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/12/2015, e publicado em DJe 18/12/2015). Foram apresentadas Contrarrazões. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 22.2.2021. A orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no sentido de que, havendo requerimento administrativo, como no caso, este é o marco inicial do benefício previdenciário, independentemente de parte da documentação comprobatória do direito ter sido juntada posteriormente. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EX-COMBATENTE. PENSÃO ESPECIAL. CUMULAÇÃO COM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. TERMO INICIAL DO PAGAMENTO DO BENEFÍCIO. PRECEDENTES DO STJ. POSSIBILIDADE. REVERSÃO DE QUOTA PARTE. REQUISITOS. INOVAÇÃO RECURSAL. 1. Não se mostra possível analisar em agravo regimental tese não suscitada oportunamente nas razões de recurso especial, configurando indevida inovação recursal. 2. É possível a cumulação de pensão especial de ex-combatente com benefício previdenciário, desde que o benefício previdenciário não tenha como fato gerador a condição de ex-combatente. 3. O termo inicial para o pagamento do benefício deve recair na data do requerimento administrativo ou, na falta deste, na data da citação, uma vez que é a partir de um desses eventos que se forma o vínculo entre a administração e o interessado. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1.574.125/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe 1º/4/2016). PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE. LABOR RURAL. TERMO INICIAL DO BENEFÍCIO. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. 1. O termo inicial do benefício deve ser fixado a partir do requerimento administrativo. Na ausência de requerimento administrativo, o termo inicial do benefício deve ser fixado a partir da citação. 2. Recurso Especial provido. (REsp 1.568.343/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 5/2/2016) Além disso, a Primeira Seção do STJ, no julgamento da Pet 9.582/RS, da relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 16.9.2015, definiu o entendimento de que "a comprovação extemporânea da situação jurídica consolidada em momento anterior não tem o condão de afastar o direito adquirido do segurado, impondo-se o reconhecimento do direito ao benefício previdenciário no momento do requerimento administrativo, quando preenchidos os requisitos para a concessão da aposentadoria". A propósito: PREVIDENCIÁRIO. TERMO INICIAL. CONCESSÃO. APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. IRRELEVÂNCIA DA COMPROVAÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. A parte recorrente ajuizou ação para ver reconhecido o seu direito a concessão de aposentadoria especial. Contudo, apesar de possuir tempo suficiente para aposentação na data do requerimento administrativo, somente com o laudo pericial se comprovou que a atividade que exercia era especial. 2. A Primeira Seção do STJ, no julgamento da Pet 9.582/2015, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 16.9.2015, consolidou o entendimento de que "a comprovação extemporânea da situação jurídica consolidada em momento anterior não tem o condão de afastar o direito adquirido do segurado, impondo-se o reconhecimento do direito ao benefício previdenciário no momento do requerimento administrativo, quando preenchidos os requisitos para a concessão da aposentadoria". 3. Recurso Especial provido. (REsp 1.615.494/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 6/10/2016). Dessa forma, por estar dissonante do entendimento desta Corte Superior, deve ser reformado o acórdão recorrido. Também merece prosperar o pedido para aplicação da data do acórdão que reformou a sentença de improcedência como o marco para aplicação da Súmula 111/STJ, pois está amparado na pacífica jurisprudência do STJ: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SÚMULA N. 211/STJ. PARCELAS VENCIDAS ATÉ A DATA DA SENTENÇA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA VERBA HONORÁRIA. FIXAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA SOBRE PARCELAS VINCENDAS ATÉ A PROLAÇÃO DA DECISÃO CONCESSIVA DO BENEFÍCIO. DATA DA SENTENÇA QUE CONCEDEU O DIREITO AO BENEFÍCIO REQUERIDO. I - Na origem, foi interposto agravo de instrumento contra decisão proferida na ação acidentária, em fase de execução, que move contra o INSS, e que fixou os honorários advocatícios em 10% sobre as parcelas vencidas até a data da sentença, nos termos da Súmula n. 111, do STJ. No Tribunal de origem, deu-se provimento ao recurso de apelação. II - Interposto recurso especial, o recorrente aponta como violado o art. 927, IV, do CPC, sustentando, em síntese, que a decisão recorrida teria ofendido a jurisprudência do STJ, ao afastar, quanto à fixação dos honorários advocatícios, a aplicação da Súmula n. 111/STJ. Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. Defende a parte recorrida que a referida súmula teria sido revogada tacitamente pelo art. 85 do CPC, uma vez que este define que a verba honorária deve ser calculada sobre o total da condenação. III - Nesta Corte, deu-se provimento ao recurso especial, para determinar a exclusão, da base de cálculo da verba honorária, das parcelas vincendas após a sentença, nos termos da fundamentação supra. Interposto agravo interno. Sem razão a parte agravante. IV - Verifica-se que a decisão do Tribunal de origem encontra-se dissonância ao entendimento consolidado do STJ, inclusive em julgados mais recentes. V - A jurisprudência do STJ entende que a verba honorária deve ser fixada sobre as parcelas vencidas até a prolação da decisão concessiva do benefício, na hipótese, a data da sentença, a qual concedeu o direito ao benefício requerido, em consonância com o disposto na Súmula n. 111 do STJ. Nesse sentido: "PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. TERMO FINAL PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBSERVÂNCIA DA SÚMULA 111/STJ. 1. Conforme teor da Súmula n. 111 do Superior Tribunal de Justiça, o marco final da verba honorária deve ser a decisão em que o direito do segurado foi reconhecido: "Os honorários advocatícios, nas ações previdenciárias, não incidem sobre as prestações vencidas após a sentença". 2. Na hipótese, o acórdão recorrido, que concedeu o direito à aposentadoria especial, deve ser considerado como termo final. Nesse sentido: AgRg no AREsp n. 271.963/AL, relator para acórdão, Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 19/5/2014; EDcl no AgRg no REsp n. 1.271.734/RS, relatora Ministra Alderita Ramos de Oliveira (Desembargadora convocada do TJ/PE), DJe de 18/4/2013; AgRg nos EDcl no AREsp n. 155.028/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/10/2012. 3. Recurso Especial provido. (REsp n. 1.831.207/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 12/11/2019, DJe 19/12/2019)." VI - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1867323/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/11/2020, DJe 18/11/2020) Por tudo isso, dou provimento ao Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se.