REsp 1912920 - DECISAO
O Relator negou provimento ao Recurso Especial por entender que, na hipótese, o termo inicial dos efeitos financeiros da inclusão do tempo especial deve ser fixado na data do requerimento administrativo de revisão (28/06/2016), observado o prazo de prescrição quinquenal, aplicando-se jurisprudência dominante do STJ...
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- Parties
- Recorrente: ELIANA APARECIDA DA SILVA; Recorrido: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática Do Relator Recurso Negado Provimento
- Outcome
- Nego provimento ao Recurso Especial (decisão monocrática do Relator)
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Termo Inicial Dos Efeitos Financeiros, Revisão De Benefício, Inclusão De Tempo Especial, Honorários Recursais, Reexame Necessário
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Parties
ELIANA APARECIDA DA SILVA
Recorrente
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática Do Relator Recurso Negado Provimento
Legal Issues
- 1 termo inicial dos efeitos financeiros da revisão da renda mensal inicial com inclusão de tempo especial
- 2 possibilidade de retroação dos efeitos financeiros à data de concessão do benefício ou à data do requerimento administrativo
- 3 prescrição quinquenal aplicável às parcelas revisórias
Ratio Decidendi
O Relator negou provimento ao Recurso Especial por entender que, na hipótese, o termo inicial dos efeitos financeiros da inclusão do tempo especial deve ser fixado na data do requerimento administrativo de revisão (28/06/2016), observado o prazo de prescrição quinquenal, aplicando-se jurisprudência dominante do STJ e as regras sobre decisão monocrática.
Court Disposition
Nego provimento ao Recurso Especial (decisão monocrática do Relator)
Orders
- Com fundamento nos arts. 932, IV, do CPC/2015 e 34, XVIII, b, e 255, II, do RISTJ, nego provimento ao Recurso Especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por ELIANA APARECIDA DA SILVA contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região no julgamento de apelação e reexame necessário, assim ementado (fls. 225/226e): PREVIDENCIÁRIO. CONVERSÃO DE APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO EM APOSENTADORIA ESPECIAL. PREENCHIDOS OS REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. TERMO INICIAL. REEXAME NECESSÁRIO NÃO CONHECIDO. APELAÇÃO DA PARTE AUTORA PARCIALMENTE PROVIDA. APELO DO INSS NÃO PROVIDO. - No caso analisado, o valor da condenação verificado no momento da prolação da sentença não excede a 1000 salários mínimos, de modo que a sentença não será submetida ao reexame necessário, nos termos do art. 496, § 3º, inciso I, do novo Código de Processo Civil. - Não há que se falar em extinção do processo sem análise do mérito em virtude de coisa julgada, uma vez que a aposentadoria por tempo de contribuição, pleiteada na ação anterior, e a aposentadoria especial, requerida nestes autos, são benefícios diversos. - A questão em debate consiste na possibilidade de se reconhecer as atividades exercidas sob condições agressivas, para propiciar a concessão de aposentadoria especial. - Para comprovação do tempo de serviço especial, o demandante trouxe aos autos a decisão judicial do processo de número 0004995-26.2012.4.03.6302, em que foram reconhecidos como especiais os interregnos de 06/03/1997 a 05/02/1998, de 06/02/1998 a 28/11/2004, de 29/11/2004 a 20/07/2009 e de 20/11/2009 a 06/06/2011 (ID 11088501 pág. 02/07), já transitada em julgado. - De se observar que, o ente previdenciário já reconheceu na via administrativa a especialidade do labor nos períodos de 01/11/1985 a 28/04/1995 e de 29/04/1995 a 05/03/1997, de acordo com os documentos ID 11088501 pág. 02/33, restando, portanto, incontroversos. - Assim, levando-se em conta os períodos de labor especial reconhecidos judicialmente, tem-se que, a parte autora cumpriu a contingência, ou seja, o tempo de serviço por período superior a 25 (vinte e cinco) anos, de modo a satisfazer o requisito temporal previsto no art. 57, da Lei nº 8.213/91. - O termo inicial da aposentadoria especial deve ser fixado na data do requerimento administrativo de revisão (28/06/2016 - ID 11088507 pág. 01), momento em que o INSS tomou ciência da pretensão da parte autora. Desnecessário o fim do vínculo de emprego para percepção de aposentadoria na modalidade especial. - Sendo o autor beneficiário de aposentadoria por tempo de contribuição, com o deferimento da aposentadoria especial, em razão de ser vedada a cumulação de aposentadorias, não está desonerado da compensação de valores, se cabível. - Reexame necessário não conhecido. - Apelação da parte autora provida em parte. - Apelo do INSS não provido. Opostos embargos de declaração, foram improvidos (fls. 271/275e). Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, além de divergência jurisprudencial, aponta-se ofensa aos arts. 49 e 57 da Lei n. 8.213/1991, alegando-se, em síntese, que o termo inicial dos efeitos financeiros da revisão deverá retroagir à data da concessão do benefício, uma vez que o deferimento da ação representa o reconhecimento tardio de um direito já incorporado ao patrimônio jurídico do Segurado. Sem contrarrazões, o recurso foi admitido (fls. 319/322e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, V, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, c, e 255, III, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Cinge-se a controvérsia à discussão do termo inicial dos efeitos financeiros de revisão da renda mensal inicial de benefício de aposentadoria por tempo de contribuição, com a inclusão de tempo especial. Sustenta a Recorrente que o termo inicial dos efeitos financeiros da revisão deverá retroagir à data da concessão do benefício, em 21.09.2011, uma vez que o deferimento da ação representa o reconhecimento tardio de um direito já incorporado ao patrimônio jurídico do Segurado. O tribunal de origem deu parcial provimento ao apelo da parte autora, julgando procedente o pedido, para condenar o INSS ao pagamento dos efeitos financeiros da inclusão do tempo especial desde desde o requerimento administrativo de revisão, 28.06.2016, observada a prescrição quinquenal, nos seguintes termos (fls. 233/234e): O termo inicial da aposentadoria especial deve ser fixado na data do requerimento administrativo de revisão (28/06/2016 - ID 11088507 pág. 01), momento em que o INSS tomou ciência da pretensão da parte autora. Ressalte-se que desnecessário o fim do vínculo de emprego para percepção de aposentadoria na modalidade especial. Nesse sentido a jurisprudência desta Corte: (..) Por fim, sendo o autor beneficiário de aposentadoria por tempo de contribuição, com o deferimento da aposentadoria especial, em razão de ser vedada a cumulação de aposentadorias, o requerente não está desonerado da compensação de valores, se cabível. Pelas razões expostas, não conheço do reexame necessário, dou parcial provimento ao apelo da parte autora para fixar o termo inicial da aposentadoria especial na data do requerimento administrativo de revisão, ou seja, 28/06/2016, e nego provimento ao apelo do INSS. O benefício é de aposentadoria especial, com RMI fixada nos termos do artigo 57, da Lei nº 8.213/91 e DIB em 28/06/2016 (data do requerimento administrativo de revisão). Com efeito, esta Corte firmou entendimento segundo o qual o termo inicial dos efeitos financeiros decorrentes de diferenças salariais reconhecidas em reclamatória trabalhista deve retroagir à data da concessão do benefício, porquanto o deferimento de tais verbas representa o reconhecimento tardio de um direito já incorporado ao patrimônio jurídico do segurado. Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE. RENDA MENSAL INICIAL. REVISÃO. INCLUSÃO DE VERBAS SALARIAIS RECONHECIDAS NA JUSTIÇA DO TRABALHO. TERMO INICIAL DOS EFEITOS FINANCEIROS. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. PRECEDENTES. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 1973. II - O termo inicial dos efeitos financeiros decorrentes de verbas salariais reconhecidas em reclamatória trabalhista deve retroagir à data da concessão do benefício. Isso porque a comprovação extemporânea de situação jurídica consolidada em momento anterior não tem o condão de afastar o direito já incorporado ao patrimônio jurídico do segurado em ter a renda mensal inicial revisada a contar da data de concessão do benefício. Outrossim, o segurado, à evidência, não pode ser punido no caso de ausência do correto recolhimento das contribuições previdenciárias por parte do empregador, nem pela falta ou falha do INSS na fiscalização da regularidade das exações. Precedentes. III - Recurso Especial não provido. (REsp 1.502.017/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/10/2016, DJe 18/10/2016). PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DECADÊNCIA PARA O SEGURADO REVISAR BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS REMUNERATÓRIAS RECONHECIDAS PERANTE A JUSTIÇA DO TRABALHO. TERMO INICIAL. PRAZO DECADENCIAL. TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA TRABALHISTA. REVISÃO DE BENEFÍCIO. RENDA MENSAL INICIAL. SALÁRIOS DE CONTRIBUIÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR PELO EMPREGADO. EFEITOS FINANCEIROS DA REVISÃO. DATA DA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. O STJ entende que, a despeito de decorridos mais de dez anos entre a data em que entrou em vigor a Medida Provisória 1.523-9 e o ajuizamento da ação, a recorrida teve suas verbas salariais majoradas em decorrência de ação trabalhista, o que ensejou acréscimos no seu salário de contribuição, momento no qual se iniciou novo prazo decadencial para pleitear a revisão da renda mensal do seu benefício. 3. O termo inicial dos efeitos financeiros da revisão deve retroagir à data da concessão do benefício, uma vez que o deferimento da ação revisional representa o reconhecimento tardio de direito já incorporado ao patrimônio jurídico do segurado, não obstante a comprovação posterior do salário de contribuição. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.467.290/SP, REL. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJE 28.10.2014; RESP 1.108.342/RS, Quinta Turma, Relator Ministro Jorge Mussi, DJE 3.8.2009. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.555.710/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 02/09/2016). Ao meu ver, o mesmo raciocínio merece ser aplicado, por analogia, ao caso em tela, porquanto, conforme asseverado pelo tribunal de origem, na data do requerimento administrativo de concessão do benefício, o segurado já havia incorporado ao seu patrimônio o direito ao reconhecimento e inclusão do tempo especial, ainda que tal tempo de trabalho somente tenha sido averbado após o pedido de revisão da renda mensal inicial. Assim, impõe-se o reconhecimento do direito ao pagamento da diferença decorrente da averbação do tempo especial, desde a data do requerimento administrativo (28.06.2016), observada a prescrição quinquenal. No que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos Enunciados Administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais em favor do patrono da parte recorrida está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou de improvimento do recurso. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Na aferição do montante a ser arbitrado a título de honorários recursais, deverão ser considerados o trabalho desenvolvido pelo patrono da parte recorrida e os requisitos previstos nos §§ 2º a 10 do art. 85 do estatuto processual civil de 2015, sendo desnecessária a apresentação de contrarrazões (v.g. STF, Pleno, AO 2.063 AgR/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator para o acórdão Min. Luiz Fux, j. 18/05/2017), embora tal elemento possa influir na sua quantificação. Assim, tratando-se de recurso sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, considerada a fundamentação apresentada e, embora caracterizada a hipótese de improvimento do recurso, resta impossibilitado a inversão da verba honorária anteriormente arbitrada, porquanto caracterizada hipótese de sucumbência mínima da parte Recorrente, nos termos do art. 86, parágrafo único, do Código de Processo Civil de 2015. Posto isso, com fundamento nos arts. 932, IV, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, b, e 255, II, ambos do RISTJ, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial. Publique-se e intimem-se.