REsp 2202239 - DECISAO
Anulou-se o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração por violação do art.1.022, II, do CPC/2015, por omissão manifesta quanto à tese suscitada pelo INSS, determinando-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que reaprecie o recurso integrativo e sane a omissão identificada.
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 April 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- provido
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Tempo Especial, Data De Entrada Do Requerimento (der), Omissão/negativa De Prestação Jurisdicional, Reafirmação Da DER, Comprovação Por Ppp/laudo Pericial, Correção Monetária, Juros De Mora, Honorários Advocatícios
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 se houve omissão do Tribunal de origem quanto à tese de impossibilidade de reconhecimento de tempo especial posterior à DER por mera presunção de continuidade sem apresentação de PPP ou laudo pericial
- 2 interpretação e alcance dos arts. 57, §§3º e 4º, e 58, §1º, da Lei 8.213/1991
- 3 cabimento dos embargos de declaração e definição de omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
Ratio Decidendi
Anulou-se o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração por violação do art.1.022, II, do CPC/2015, por omissão manifesta quanto à tese suscitada pelo INSS, determinando-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que reaprecie o recurso integrativo e sane a omissão identificada.
Court Disposition
provido
Orders
- anular o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração por violação do art. 1.022, II, do CPC/2015
- determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que reaprecie o recurso integrativo e sane o vício identificado
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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, com respaldo na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO assim ementado (e-STJ fl. 1.034): PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL. CONCESSÃO. AFASTAMENTO COMPULSÓRIO. TEMA STF 709. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. TEMPO ESPECIAL. AGENTES NOCIVOS. RECONHECIMENTO. CONSECTÁRIOS LEGAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. TEMAS 810 DO STF E 905 DO STJ. JUROS DE MORA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SÚMULA 76 TRF4. ARTIGO 85 CPC. CUSTAS PROCESSUAIS. ISENÇÃO. 1. Comprovada a exposição do segurado a agente nocivo, na forma exigida pela legislação previdenciária aplicável à espécie, possível reconhecer-se a especialidade da atividade laboral por ele exercida. 2. Tem direito à aposentadoria especial o segurado que possui 25 anos de tempo de serviço especial e implementa os demais requisitos para a concessão do benefício a partir da data de entrada do requerimento administrativo. 3. É constitucional a vedação de continuidade da percepção de aposentadoria especial se o beneficiário permanece laborando em atividade especial ou a ela retorna, seja essa atividade especial aquela que ensejou a aposentação precoce ou não. 4. É possível a reafirmação da DER para o momento em que restarem implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos artigos 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. 5. A correção monetária das parcelas vencidas dos benefícios previdenciários será calculada conforme a variação do IGP-DI de 05/96 a 03/2006, e do INPC, a partir de 04/2006. 6. Os juros de mora devem incidir a contar da citação (Súmula 204 do STJ), na taxa de 1% (um por cento) ao mês, até 29 de junho de 2009. A partir de 30 de junho de 2009, os juros moratórios serão computados, uma única vez (sem capitalização), segundo percentual aplicável à caderneta de poupança. 7. Sucumbente deverá o INSS ser condenado ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios fixados em conformidade com o disposto na Súmula 76 deste Tribunal e de acordo com a sistemática prevista no artigo 85 do Código de Processo Civil de 2015. 8. O INSS é isento do pagamento das custas processuais quando demandado na Justiça Federal e na Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos modificativos (e-STJ fls. 1.369/1.371). Em suas razões, a parte recorrente, preliminarmente, aponta vulneração do art. 1022, II, do CPC, por omissão no julgado, alegando que (e-STJ fls. 1.351/1.352): Especificamente, o Órgão Julgador deixou de se manifestar sobre a tese levantada pela autarquia previdenciária quanto à impossibilidade de reconhecimento do tempo especial posterior à DER por mera presunção de continuidade da atividade especial, sem que tenha sido apresentado PPP ou laudo pericial abrangendo o novo período. Dessa forma, omitiu-se quanto ao sentido e o alcance do disposto nos artigos 57, §§3º e 4º, e 58, §3º, da Lei 8.213/91. Quanto ao mérito, alega contrariedade dos arts. 57, §§ 3º, 4º e 5º, e 58, caput, § 1º, da Lei n. 8.213/1991, "que exigem, para reconhecimento da atividade especial a partir de 06/03/1997, a comprovação da efetiva sujeição do segurado a agentes agressivos por meio da apresentação de formulário-padrão embasado em laudo técnico, ou por meio de perícia técnica" (e-STJ fl. 1.352). Segundo afirma, "o acórdão recorrido, ao reafirmar a DER para fins de concessão do benefício previdenciário postulado pela parte autora, reconheceu a especialidade do tempo de serviço posterior à DER por mera presunção de continuidade da atividade pela manutenção do vínculo empregatício, sem que tenha sido apresentado PPP ou laudo pericial abrangendo o novo período" (e-STJ fl. 1.352). Sustenta, ainda, que (e-STJ fl. 1.354): no caso em tela, não foi apresentado documento na forma da legislação vigente para comprovar o enquadramento da atividade como especial no período posterior à DER, de modo que não é possível enquadrá-la por mera presunção de exposição a agente nocivo, pois, a partir do advento da Lei 9.032/95, exige-se a comprovação da efetiva exposição aos agentes nocivos. Além disso, o acórdão deixou de observar que, no voto condutor do acórdão do Tema 995/STJ, o Ministro Relator salientou que o fato superveniente não deve demandar instrução probatória complexa, deve ser comprovado de plano sob o crivo do contraditório, não deve apresentar contraponto ao seu reconhecimento. Assim, os fatos ocorridos no curso do processo podem criar ou ampliar o direito requerido, sempre atrelados à causa de pedir. Veja-se que uma situação é a mera inclusão de tempo de serviço posterior à DER, outra é o enquadramento como tempo especial, que demanda instrução probatória complexa. Contrarrazões às e-STJ fls. 1.383/1.389. Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem às e-STJ fls. 1.463/1.464. Passo a decidir. No que concerne à alegada negativa de prestação jurisdicional, saliente-se que o art. 1.022 do Código de Processo Civil/2015 prevê que os embargos de declaração são cabíveis contra qualquer decisão judicial, no intuito de esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou para correção de eventual erro material: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III - corrigir erro material. Especificamente quanto à hipótese do inciso II, a novel legislação processual definiu como omissão as seguintes situações: (i) deixar de se manifestar sobre tese firmada em sede de recursos repetitivos ou em incidente de assunção de incompetência, e (ii) incorrer a decisão judicial em qualquer das condutas descritas no artigo 489, § 1º, do CPC/2015. Esse dispositivo, por sua vez, trata dos casos em que a decisão judicial carece de fundamentação, senão vejamos: § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Para a admissão do recurso especial com base no referido dispositivo, a omissão tem que ser manifesta, ou seja, imprescindível para o enfrentamento da questão jurídica. No presente caso, a insurgência do recorrente se amolda à hipótese elencada no inciso IV, do art. 489, § 1º, do CPC/2015, tendo em vista que a Corte de origem não exprimiu juízo de valor sobre a tese da "impossibilidade de reconhecimento do tempo especial posterior à DER por mera presunção de continuidade da atividade especial, sem que tenha sido apresentado PPP ou laudo pericial abrangendo o novo período. Dessa forma, omitiu-se quanto ao sentido e o alcance do disposto nos artigos 57, §§3º e 4º, e 58, §3º, da Lei 8.213/91" (e-STJ fl. 1.351). Outrossim, verifica-se que o tema foi submetido à apreciação do Tribunal de origem, conforme se extrai do seguinte trecho dos embargos de declaração opostos pela parte insurgente (e-STJ fls. 1.297/1.298): Esta C. Turma, ao julgar os recursos de apelação das partes, reconheceu diversos períodos de atividade especial exercidos pelo autor, o último deles de 01/11/2010 a 06/01/2011, computando 24 anos, 5 meses e 28 dias de tempo especial até a DER - 19/08/2011, insuficiente para concessão da aposentadoria especial pretendida. Analisando o pedido subsidiário do autor em apelação, de reafirmação da DER para a data em que completar os requisitos necessários à concessão do autor, o acórdão admitiu a contagem - como tempo especial - do período posterior à DER, de 20/08/2011 a 26/02/2012, em que o segurado trabalhou na mesma empresa anterior, conforme registros do CNIS. Entretanto, o acórdão deixou de considerar que o enquadramento da atividade como especial exige comprovação da exposição aos agentes nocivos através do formulário PPP, ou prova técnica da insalubridade da atividade. Não é possível o enquadramento por mera presunção de continuidade do exercício da atividade, e por simples análise do valor do salário-de-contribuição (que nada mais é do que uma presunção de que não houve alteração de função). No caso dos autos, o autor não juntou PPP atualizado, indicando a permanência no exercício das mesmas funções, com exposição aos mesmos agentes nocivos, relativos ao período imediatamente anterior. Houve mera presunção no acórdão, o que implica violação ao art. 57, §§3º e 4º e 58, §1º da Lei 8.213/91: Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. .. § 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. § 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para ns de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. Ausente a comprovação da exposição a agentes nocivos à saúde ou integridade física, impossível a contagem do período de atividade especial posterior à DER, admitindo-se apenas a contagem do tempo como comum, até que o segurado comprove, mediante formulário PPP e laudo técnico, a continuidade das atividades anteriormente desenvolvidas na empresa, e que foram reconhecidas como especiais pelo acórdão. Pelo exposto, requer seja sanada a omissão no acórdão em relação à necessidade de comprovação da efetiva exposição aos agentes nocivos no período posterior à DER, inclusive para fins de prequestionamento dos arts. 57, §§3º e 4º e 58, §1º da Lei 8.213/91. (Grifos acrescidos). Logo, estando configurada a negativa de prestação jurisdicional, faz-se necessária a declaração de nulidade do acórdão que apreciou os embargos declaratórios, para que o vício seja sanado pela Corte a quo, ficando prejudicadas as demais questões discutidas no apelo raro. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. ACOLHIDA EM PARTE NA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO CONFIGURADA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA OMITIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Quanto à alegada violação ao art. 1.022, II, do CPC apresentada pela recorrente, ora agravada, nas razões do recurso especial, verifica-se que a decisão hostilizada foi clara e precisa ao concluir, após análise dos autos, que o Tribunal de origem incorreu em negativa de prestação jurisdicional, tendo em vista que deixou de se manifestar acerca de pontos relevantes para a solução da controvérsia e apresentados pela parte agravada em sede de embargos de declaração. 2. Os trechos do acórdão do Tribunal de origem apresentados nas razões desse agravo interno não são suficientes para suprir as omissões arguidas pela recorrente, ora agravada, em sede de recurso especial. 3. Nessas circunstâncias, a outra conclusão não se chega senão a de que os autos devem retornar ao Juízo a quo para novo julgamento dos aclaratórios, a fim de que sejam sanadas as omissões apontadas. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.801.878/RJ, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 4/10/2021, DJe de 7/10/2021). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 182/STJ. NÃO INCIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. EMBARGOS DE TERCEIRO JULGADOS PROCEDENTES. DETERMINAÇÃO DE PENHORA PARCIAL SOBRE IMÓVEL. PRESERVAÇÃO DA MEAÇÃO DO CÔNJUGE. INDIVISIBILIDADE DO BEM ARGUIDA PELO EXEQUENTE. OMISSÃO CARACTERIZADA. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC DE 2015. AGRAVO PROVIDO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A ausência de manifestação sobre questão relevante para o julgamento da causa, mesmo após a oposição de embargos de declaração, constitui negativa de prestação jurisdicional (CPC/1973, art. 535, II; CPC/2015, art. 1.022, II), impondo-se a anulação do acórdão dos embargos de declaração e o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se manifeste sobre o ponto omisso. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem, não obstante provocado, deixou de se manifestar sobre a indivisibilidade do imóvel penhorado, de modo a não comportar a alienação judicial da fração ideal de 50%, correspondente à meação do cônjuge que não participou do negócio jurídico que gerou o título executivo, mas apenas da integralidade do bem, com a reserva do valor correspondente à meação. Configuração de omissão relevante. 3. Agravo interno provido para conhecer do agravo e dar parcial provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.683.696/SP, Relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 24/5/2021, DJe de 30/6/2021). Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao recurso especial para anular o acórdão proferido no julgamento dos embargos de declaração, por violação do art. 1.022, II, do CPC/2015, determinando o retorno dos autos ao Trib unal de origem para que reaprecie o recurso integrativo e sane o vício ora identificado. Publique-se. Intimem-se. EMENTA