REsp 2103216 - DECISAO
Houve omissão no acórdão recorrido por ausência de manifestação expressa sobre a questão submetida nos embargos de declaração (documentos que poderiam indicar atividade empresarial do autor), configurando negativa de prestação jurisdicional nos termos do art. 1.022 do CPC; por isso, o recurso especial foi provido...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrido: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial Previdenciário / Recurso Especial Provido; Anulação De Acórdão Proferido Em Embargos De Declaração E Devolução Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento
- Outcome
- Recurso especial provido. Anulado o acórdão proferido em embargos de declaração; autos devolvidos ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para novo julgamento com saneamento da omissão.
- Legal Topics
- Aposentadoria Por Idade, Segurado Especial, Início Razoável De Prova Material, Prova Testemunhal, Embargos De Declaração, Omissão (art. 1.022 Cpc), Prescrição Quinquenal (súmula 85/stj)
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
parte autora
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial Previdenciário / Recurso Especial Provido; Anulação De Acórdão Proferido Em Embargos De Declaração E Devolução Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento
Legal Issues
- 1 ocorrência de omissão no acórdão recorrido por ausência de manifestação sobre documentos que indicam atividade empresarial do autor
- 2 cabimento dos embargos de declaração para sanar omissão
- 3 reconhecimento da qualidade de segurado especial mediante início razoável de prova material complementado por prova testemunhal
Ratio Decidendi
Houve omissão no acórdão recorrido por ausência de manifestação expressa sobre a questão submetida nos embargos de declaração (documentos que poderiam indicar atividade empresarial do autor), configurando negativa de prestação jurisdicional nos termos do art. 1.022 do CPC; por isso, o recurso especial foi provido para anular o acórdão proferido em embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento com manifestação sobre a matéria omitida.
Court Disposition
Recurso especial provido. Anulado o acórdão proferido em embargos de declaração; autos devolvidos ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para novo julgamento com saneamento da omissão.
Orders
- Dar provimento ao recurso especial.
- Anular o acórdão proferido em embargos de declaração.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no qual se insurge contra o acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO assim ementado (fls. 135/136): PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. APOSENTADORIA POR IDADE. TRABALHADOR RURAL. INÍCIO RAZOÁVEL DE PROVA MATERIAL. COMPLEMENTAÇÃO POR PROVA TESTEMUNHAL. RECONHECIMENTO. APELAÇÃO DESPROVIDA. SENTENÇA MANTIDA. 1. A sentença proferida na vigência do CPC/2015 não está sujeita à remessa necessária, pois a condenação nela imposta não tem o potencial de ultrapassar o limite previsto no art. 496, § 3º, do novo CPC. 2. A prescrição atinge as prestações anteriores ao quinquênio que antecedeu o ajuizamento da ação, nos termos da Súmula 85/STJ. 3. A concessão do benefício pleiteado pela parte autora exige a demonstração do trabalho rural, cumprindo-se o prazo de carência mediante início razoável de prova material, corroborada com prova testemunhal, ou prova documental plena. 4. Na esteirado julgamento proferido no REsp n. 1.348.633/SP (Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima), em sede de recurso representativo da controvérsia, a Primeira Seção do e. STJ concluiu que, para efeito de reconhecimento do labor agrícola, mostra-se desnecessário que o início de prova material seja contemporâneo a todo o período de carência exigido, desde que a eficácia daquele seja ampliada por prova testemunhal idônea. (AgInt no AREsp n. 852.494/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 9/12/2021; AREsp n. 1.550.603/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 11/10/2019, entre outros.) 5. O conjunto probatório revela o exercício do labor rural pela parte autora, bem assim o cumprimento da carência prevista no artigo 142da Lei n. 8.213/91, tendo sido atendidos os requisitos indispensáveis à concessão do benefício previdenciário de aposentadoria rural por idade. 6. DIB a contar do requerimento administrativo. 7. Correção monetária e juros moratórios conforme Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal. 8. Honorários de advogado de advogado majorados em um ponto percentual sobre o valor arbitrado na origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015. 9. Presentes os requisitos necessários para o deferimento da tutela de urgência, além do que os recursos eventualmente interpostos contra o acórdão têm previsão de ser recebidos apenas no efeito devolutivo. 10. Apelação desprovida. De ofício, foram fixados os critérios de correção monetária e de juros de mora. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 159/165). Em suas razões recursais, a parte recorrente sustenta violação aos arts. 489, II e § 1º, IV, e 1.022, II e parágrafo único, II, do Código de Processo Civil (CPC) ao argumento de que houve negativa de prestação jurisdicional. Não foram apresentadas contrarrazões de acordo com a certidão de fl. 176. O recurso foi admitido na origem (fl. 180). É o relatório. A pretensão recursal merece ser acolhida ante a ocorrência de violação ao art. 1.022 do Código de Processo Civil. A parte recorrente opôs embargos de declaração a fim de provocar o Tribunal de origem a se manifestar sobre questão "referente ao fato de que, conforme documentos acostados aos autos (vide id 195358522 - fls. 73/77 da barra de rolagem), o autor e sua esposa exerceram ATIVIDADE EMPRESARIAL por longo tempo dentro do período de carência, o que DESCARACTERIZA a alegada qualidade de segurado especial" (fl. 152). Entretanto, o Tribunal a quo rejeitou o recurso integrativo sem apreciar o questionamento a ele feito, nestes termos (fl. 160): .. No caso, observa-se que a apesar de o voto não ter se referido expressamente sobre os documentos que comprovam a atividade empresarial, reconheceu de forma clara a qualidade de segurado especial, in verbis: "Conforme documento apresentado pela parte autora, constata-se que o requisito de idade mínima foi atendido, pois contava com idade superior à exigida, quando do ajuizamento da ação (nascida em 09.11.1958). Com o propósito de apresentar o início razoável de prova material da atividade rural, foram juntados aos autos os seguintes documentos: CNIS emitido pelo próprio INSS, reconhecendo os períodos de atividade de segurado especial do autor, de 1993 a 1999 e a partir de 2006; Declarações de ITR, em nome próprio, dos anos de 1997, 2008/2010; guias de recolhimento do DARF, do imóvel rural em nome do autor, dos anos de 1997/2008,2015/2017, dentre outros. Os documentos trazidos pela parte autora configuram o início razoável de prova material da atividade campesina, em atenção à solução pro misero adotada no âmbito do Colendo STJ e pelos Tribunais Regionais Federais. A prova oral produzida nos autos confirma a qualidade de trabalhador rural do autor pelo tempo de carência legal, conforme consta na sentença recorrida." Com efeito, da simples leitura do voto condutor do julgado, verifica-se que as questões submetidas à revisão foram integralmente resolvidas, a caracterizar, na espécie, o caráter manifestamente infringente das pretensões recursais em referência, o que não se admite na via eleita. Assim, são incabíveis os presentes embargos de declaração utilizados, indevidamente, com a finalidade de reabrir nova discussão sobre o tema jurídico já apreciado pelo julgador (RTJ 132/1020 - RTJ158/993 - RTJ 164/793), pois, decidida a questão posta em juízo, ainda que por fundamentos distintos daqueles deduzidos pelas partes, não há que se falar em omissão, obscuridade ou contradição, não se prestando os embargos de declaração para fins de discussão da fundamentação em que se amparou o julgado. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração opostos pelo INSS. Verifico, portanto, a existência de omissão, uma vez que não há no julgado qualquer menção à questão levantada pelo recorrente. Dessa forma, os autos devem retornar à origem para que seja sanado o vício apontado nos embargos de declaração por meio de novo julgamento do recurso, com manifestação expressa a respeito da questão não apreciada. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial para anular o acórdão proferido em embargos de declaração; determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja proferido novo julgamento com o saneamento do vício apontado. Publique-se. Intimem-se. EMENTA